Blog de Marco Garcia

busca | avançada
28938 visitas/dia
870 mil/mês
Mais Recentes
>>> Crianças travessas também podem gostar de ler
>>> Banda Silibrina, de Gabriel Nóbrega, lança o álbum O Raio com temporada de shows no Jazz nos Fundos
>>> Dom Quixote chega a USP Leste
>>> Documentário
>>> Windsor Marapendi apresenta Conexão Rio com convidado especial Celso Fonseca
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Dilapidare
>>> A imaginação do escritor
>>> Inquietações de Ana Lira
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 1. À Beira do Abismo
>>> Minha finada TV analógica
>>> Aquarius, quebrando as expectativas
>>> Amy Winehouse: uma pintura
>>> Casa Arrumada
>>> Revolusséries
>>> Mais espetáculo que arte
Colunistas
Últimos Posts
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
>>> Ajudando um amigo
>>> Ebook gratuito
>>> Poesia para jovens
>>> Nirvana pra todos os gostos
>>> Diego Reeberg, do Catarse
>>> Ed Catmull por Jason Calacanis
Últimos Posts
>>> Hoje Ella Fitzgerald faz 100 anos
>>> Vermelho (série: Sonetos)
>>> Os vãos nunca em vão
>>> O VERBO ALQUÍMICO
>>> Procissão
>>> Questionamento
>>> As 13 Razões Pra se Escolher a Vida!
>>> Black Mirror, nós e os outros
>>> Quadro negro
>>> Ilusão de ótica
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A importância do nome das coisas
>>> O lado louco de Proust
>>> Comunicado importante: TV mata!
>>> Cachorros e Lágrimas
>>> O Orkut é coisa nossa
>>> E-book Novos Jornalistas
>>> Breve análise sobre Umberto Eco
>>> Em defesa de Harry Potter
>>> Caramelo, de Nadine Labaki
>>> Poesia para jovens
Mais Recentes
>>> As Cariocas
>>> Infância e Juventude: Narrativas Contemporâneas
>>> Zero
>>> Como usar outras linguagens na sala de aula
>>> Contos Brasileiros
>>> Temas de literatura Brasileira-Um passo por sua história e crítica
>>> Édipo Rei
>>> Os 7 Hábitos dos Adolescentes Altamente Eficazes: O guia definitivo de sucesso para o adolescente
>>> Como ler livros: O Guia Clássico para a Leitura Inteligente
>>> Biologia molecular básica
>>> Fundamentos de Física-Gravitação, ondas e termodinâmica. Vol. 2
>>> Arquitetura - A Arte de Criar Espaços
>>> Princípios de Física - Eletromagnetismo
>>> Experiências e Dinâmicas de Inclusão-Um olhar comprometido e afetivo
>>> Cérebro e Aprendizagem-um Jeito Diferente de Viver
>>> Como e por que ler os clássicos universais desde cedo
>>> Psicologia Aplicada à Administração
>>> Finanças Corporativas
>>> Introdução à Música
>>> Comportamento organizacional-Integrado conceitos da administração e da psicologia
>>> Gestão de Produtos e Marcas
>>> Marketing
>>> O Trabalho - II Colóquio Brasileiro de Direito do Trabalho
>>> Introdução ao Cálculo - Vol. 1 - Cálculo Diferencial
>>> Os mais belos pensamentos de todos os tempos
>>> Direito Constitucional - Questões da ESAF com gabarito comentado
>>> As Responsabilidades no Direiro Internacional do Meio Ambiente
>>> Pode-se Provar a Existência de Deus?( Ordinatio)
>>> A Viagem Infinita: estudos sobre Terra Sonâmbula, de Mia Couto
>>> A Revolta de Atlas
>>> Uma Breve História do Tempo
>>> Introdução ao Cálculo - Vol. 2 - Cáculo Integral
>>> Atualidades em Ergonomia-Logística, Movimentação de Materiais, Engenharia Industrial, Escritórios
>>> Harry Potter e a Câmara Secreta
>>> A Providência de Deus
>>> Dicionário De Inglês - Michaelis (Dicionário novo, embalado e lacrado)
>>> Os Balcãs História e crise
>>> O nascimento de uma catedral (autografado)
>>> Skins As tribos do aml
>>> Geografia, natureza e Sociedade
>>> Geografia Física: Ciência Humana?
>>> A vida nas cidades
>>> A Geografia das lutas no campo.
>>> O Exercitar do Reino para a Edificação da Igreja
>>> O Estado e as políticas territoriais no Brasil
>>> A Autobiografia de uma Pessoa no Espírito- 2 Coríntios
>>> Filosofia da Religião
>>> Psicoterapia de la Familia Neurótica
>>> Os Caminhos do Silêncio
>>> O Espirito de Deus na Santa Liturgia
BLOGS

Quinta-feira, 15/12/2016
Blog de Marco Garcia
Marco Garcia

 
A imponderável leveza do ser

Charles nasceu num lugar distante. Uma pequena vila de casas simples, separadas por extensos terrenos de terra batida, no interior de Alagoas.

Tudo que viveu até os 14 anos foi dificuldade. Seu pai era marchante, a mãe, de casa. As condições familiares haviam lhe privado de muitas coisas que um dia sonhou ter.

Por exemplo, sempre quis ter uma bicicleta, para desbravar as ruas de terra até o pé do Morro do Pneu – nunca soube a razão deste nome.

Por mais que implorasse, seu pai sempre lhe dissuadia da ideia de ganhar seu objeto de desejo sobre duas rodas. Mesmo quando o borracheiro do lugar, de tempos em tempos, lhe avisasse de uma bicicleta usada para vender.

Seus brinquedos se resumiam a coisas banais. Era uma caixa de sapatos com tampas de garrafas, bolinhas de frascos de desodorante e bumerangues de caixas de ovos.

Certo dia pela manhã, quando foi à venda comprar pão, viu um casal bem arrumado tentando se fazer entender com o dono da bodega. O velho comerciante, nervoso e suado, gesticulava, avisando que não entendia nada do que eles diziam.

Charles esqueceu que seus pais o aguardavam com o café na mesa e se encantou com aquelas frases enigmáticas. Parecia o homem de bigodinho engraçado do filme que havia assistido na casa do vizinho.

Quando, finalmente, o casal saiu da mercearia, ouviu o dono dizer:

- Sei pouco do Português, que dirá o Alemão, ora bolas?

Alemão.

Essa língua estranha passaria a ser a nova obsessão de Charles. Queria entender e falar bonito igual aos ‘loiros’ da bodega. Mas como, se nem uma bicicleta seu pai podia lhe dar?

Conversando com um amigo, soube de uma professora que dominava algumas palavras daquele idioma. Mas o lugar onde ela ensinava era longe e jamais seus pais permitiriam que se distanciasse mais que um quilômetro de casa.

E não adiantava resmungar.

Mesmo assim, bolou uma estratégia para chegar até a professora, que lhe incutiria na mente umas lindas frases da Alemanha.

Havia uma possível saída. Tinha o caminhão de entrega que passava sempre às quartas-feiras pela vila. Poderia pedir carona. Mas o motorista, certeza, recusaria. O mandaria ir para casa. Sem calcular os riscos que correria, Charles resolveu ir escondido.

Assim que os entregadores deixaram a última caixa de bebida na bodega, ele subiu e se acomodou entre os engradados. Ficou feliz e ao mesmo tempo amedrontado quando o motor roncou e o veículo arrancou. Quis descer, mas já era tarde.

Agora vou, pensou.

No caminho, foi imaginando como se apresentaria à professora e de que maneira tentaria convencê-la a lhe dar aulas de Alemão, já que não possuía nem uma moeda. Ia dizer que o Padre o enviara. Por certo ela não rejeitaria tão religioso pedido.

Quando avistou as primeiras casas, sentiu ser o momento ideal para desembarcar. De que jeito? O caminhão por certo não iria parar antes de chegar à fábrica, e ele precisava descer e rápido.

Se levantou e, no momento em que iria se apoiar na carroceria, o veículo deu um solavanco e Charles, desequilibrado, foi arremessado para fora. Caiu. Acidente feio. Bateu a cabeça no meio fio. Desacordou.

Uma ambulância o socorreu para o hospital e ele teve que ser operado às pressas. O estado era grave. Na queda, o impacto abriu-lhe uma fenda na testa, que fez escorrer parte da massa encefálica.

Operou. Foram horas e horas de cirurgias para salvar sua vida. Todas no cérebro. Poucos dias depois nova operação. Os médicos o reoperaram seguidas vezes. Tudo minucioso para restar o mínimo de sequelas. E tudo saiu dentro do esperado.

Da UTI, Charles partiu para uma área Semi-Intensiva e, dali, para o quarto. 15 dias após o acidente, chegou a vez das visitas. Seus pais, emocionados, entraram e sua mãe foi logo lhe dizendo:

- Meu filho, que bom que você está vivo!

Charles olhou para o pai, observou o semblante feliz da mãe, puxou a enfermeira pelo braço e perguntou:

Mädchen, die diese beiden Menschen und was soll ich in diesem Krankenhaus zu tun?

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

[Comente este Post]

Postado por Marco Garcia
15/12/2016 às 16h05

 
Tem café?

Acordar, ir à cozinha e preparar um café forte para despertar o sistema. Um dos poucos prazeres para madrugadores. Logo, presume-se, que a bebida seja de fácil preparo.

Mas não é.

Sofro demais (e invejo quem consiga) por não conseguir tirar do enigmático pó algo equilibrado.

Sempre fica um líquido viscoso no fundo da xícara que me entristece, denunciando sua má feitura – a famosa borra.

Penso que o meu erro esteja na convergência da quantidade de água com o pó. A porção deste sempre ultrapassa o poder diluidor daquele.

Processo simples, acredito, para o resto do mundo, que me dá ódio.

Em alguma passagem da minha existência, sessões de tortura devem ter me deixado longos períodos sem café, ou me oferecido apenas água de batata.

O que desordenou a região mestre-cuca do meu cérebro, me obrigando a pesar a mão nas colheradas. E não há maneira de ser diferente.

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

[Comente este Post]

Postado por Marco Garcia
6/12/2016 às 11h50

 
Seja bem-vindo, amigo 40 anos!

Prezado 40 anos, desde adolescente sabia de sua existência. Conhecidos e parentes ostentavam orgulhosos seu nome na agenda. Se deleitavam com sua amizade, organizando listas com as benesses de tê-lo por perto.

Contavam que seu jeito era garantia de experiência, que certas mulheres reparavam mais neles, que aprenderam a ver o mundo de forma diferente, descobriram o prazer de viajar, despertaram para a leitura, desenvolveram gosto pelas artes, educaram o paladar – com iguarias mais leves no cardápio –, começaram a caminhar, se matricularam em academias, passaram a ouvir mais do que falar, aprenderam a não entrar em discussões intermináveis por futebol, política e religião, e a dar valor a uma boa prosa com pessoas de mais idade.

Em suma, agradeciam por lhes ter incutido na mente a necessidade de desacelerar a vida. Passaram a citar menos a máxima: “tudo que gosto é ilegal, imoral e engorda” e a ouvir: “quem te viu e quem te vê, hein?”. Assumiram nova roupagem, linguagem, postura, quase que mudaram de identidade. Até os gestos eram diferentes.

Olha só, não que eu goste de fofoca, mas tinham os que reclamavam muito da sua companhia, tá? Sei lá, demonstravam um certo incômodo em ter que dividir a vida contigo. As desculpas eram variadas e uma em comum. Diziam que você causava medo e que se pudessem jamais o teriam como amigo. Infelizmente, você era como o voto: obrigatório.

Eu, particularmente, nunca entendi o porquê de tanto pavor. Sempre os questionei, e a resposta era sempre a mesma: “quando tiver o desprazer de conviver com ele, saberá”.

Achava engraçado quando diziam que, graças a Deus, tal afeição tinha data e hora para acabar, mas que, por infortúnio da natureza, estavam fadados a iniciar novo ciclo com um irmão seu muito pior, o 50 anos. Como a desgraça nunca vem desacompanhada, maldiziam sua mãe por haver gerado tão drástica prole. E praguejavam contra seus outros irmãos: o 60, o 70, o 80 e o 90 anos.

Meu caro, neste momento em que partimos da fase embrionária para nossa fortuita convivência, quero ceder espaço exclusivo para o seu lado bom. Por enquanto, me esquivo de saber dos malefícios que você e sua família podem me trazer. Nossa amizade ainda engatinha, por isso quero curtir sem reservas sua presença na minha vida.

Que possamos curtir o que Deus nos proporciona. Que você seja o parceiro de minhas melhores aventuras. Que me ensine as coisas do futuro, sem pular etapas. Seja benevolente comigo e deixe para seus irmãos a missão de maltratar o meu corpo. Que, daqui para frente, as virtudes superem os pecados. Que a guerra contra o tempo me seja amena. Nada asfixiante. Quero fôlego.

Vamos viver.

Seja bem-vindo, amigo 40 anos!

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

[Comente este Post]

Postado por Marco Garcia
11/10/2016 às 11h28

 
Sólidos momentos

Venha, deixe eu sentir o seu amor uma vez mais. Sentir a ternura, que, mesmo com minha rebeldia, nunca se desfez.

Vai, segure a minha mão. Deixe eu sentir a temperatura do seu sentimento.

Diga-me novamente as doces palavras, que transbordam de confiança quando o sol escurece.

Mostre-me seu meigo semblante, seu olhar que penetra as víceras dos curiosos.

Por favor, quero um abraço. Daqueles bem apertados e carinhosos.

Que minha cabeça encontre repouso no seu colo.

Cante para mim. Qualquer coisa... O que importa é sentir a suave melodia que soltas do fundo da alma.

Quer alguma coisa? Vamos beber algo, falar sobre as questões da vida, mas apenas as profundas na superfície.

Lembremos da vida para esquecê-la. Que tal entrarmos em sintonia de pensamento? Vamos passear pelo mundo da consciência?

Quer olhar a rua? Repare naquela árvore se deslocando com a fúria do vento. Legal, né? As folhas, livres, vagando pelo espaço.

Se aproxime. Deixe no ar o tilintar aromático do seu perfume.

Sorria. Se possível gargalhe, mas deixe eu sentir a felicidade a brindo a porteira da sua face.

Está com fome? Pegue um chocolate, quantos desejar. São seus.

Esta noite sonhei angustiado. Agora estou calmo, com você ao meu lado.

Está ouvindo esta música que o rádio canta? Reconhece? Eu também.

Se 100 anos tiver, trarei à memória as inteligentes estrofes que agora me emocionam.

Obrigado por tudo.

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

[Comente este Post]

Postado por Marco Garcia
19/8/2016 às 11h54

 
Escrever sobre o quê?

Queria escrever algo interessante. Folha em branco. Tela em branco.

Ideias longe. Assuntos diversos. Todos urgentes. Uns mais que outros.

Poderia discorrer sobre o banquete regado a carne de gato, organizado por presos em algum canto do País. Comentar o mais recente lenga-lenga do Whatsapp. Tem ainda o diretor da Fiesp que deve bilhões, renuncia e tudo fica como está. Tem a tocha olímpica. A seleção de futebol olímpico. O Netflix me avisando que Narcos vem aí. Tem a gravação caseira do novo DVD do Safadão. A redução das mortes no trânsito de São Paulo. O avanço da violência em Fortaleza. Uma facção financiando candidatos no Ceará. Candidatos assassinados no Rio. Ameaça de terrorismo nas Olimpíadas. Poderia ainda falar do Pokémon Go (para este teria que pesquisar um pouquinho). Cachorros suicidas na Universidade Federal do Ceará. Navios negreiros, escravidão, racismo, fome, homofobia, extermínio de jovens negros. Grupos separatistas negros nos Estados Unidos. O bispo que selfiou com o Wyllis e depois esculhambou o deputado. O visto que os americanos negaram ao MC Bin Laden. O advogado que desistiu da carreira ao ver o assassino de seu pai solto. Que dirigir de salto alto renderá multa. As ruas arborizadas em Fortaleza. O juiz que insiste em ser chamado de doutor. Que 62% apoiam novas eleições no Brasil. Poderia falar sobre o circo com promoção a 20 reais lá no shopping Iguatemi. De pastores, padres e afins que ganham dinheiro distribuindo “bons” conselhos nas redes sociais. Os enfadonhos vídeos ao vivo do Facebook. Os famosos que são vítimas do botox. O tributo a Amy Winehouse do Órbita Bar. O cover do Tim Maia no Montese. A final insossa da Libertadores. A queda da febre do açaí. A minha vontade de fazer curso de churrasqueiro. Aprender a tocar contrabaixo. Os meus livros esquecidos na prateleira. O mais novo lançamento da Mercedes-Benz. A última temporada do Jô. A arte que imita a vida e vice-versa.

Assuntos infinitos, temas instigantes, mas quero apenas dizer a você :

Te amo.

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

[Comente este Post]

Postado por Marco Garcia
21/7/2016 às 11h39

 
A vida passa

O sol era árabe. “Frita ovo no asfalto, patrão. Pode testar”, disse o menino de roupas rasgadas, descalço e um saco de balas na mão, ao ver o vidro do carro baixar.

Nervoso, o motorista queria tudo naqueles segundos que antecederiam o sinal verde, menos contemplar a desgraça alheia em formato de garoto.

“Eu, um empresário prestes a anunciar falência ao quadro de 220 funcionários, não estou com saco para aguentar esses moleques de rua”, pensou.

“Não estou nem aí se está quente para você. O calor está igual para mim e para o resto do mundo. Saia do meu caminho. Não quero nada. Vá incomodar outros com suas balas vencidas”, aconselhou ao ambulante mirim.

“Moço, não precisa compra nada. Apenas aceite esse papel”, respondeu o garoto, entregando uma folha amassada ao senhor do “carro grande”.

“Meu avô me deu e disse para eu não ler e entregar a alguém que eu sentisse dó”, revelou indo embora entre a fileira de veículos.

Desconfiado, o homem pegou o papel, abriu e leu:

A vida passa:

Aproveite cada segundo
Abrace o mais forte que puder
Diga te amo incontáveis vezes
Pegue na mão com carinho
Seja o ombro amigo de vez em quando
Olhe nos olhos com sinceridade
Busque harmonia de atos
Se puder, perdoe
Se puder, não magoe
Olhe o trem que passa
Repare na criança e seu brinquedo
Sinta o vento de tarde
Olhe para o céu de noite
Ande descalço na praia
Retorne se possível
Admita falhas
Vista a roupa esquecida
Procure aquela foto antiga
Simplifique seu cotidiano
Diga te amo incontáveis vezes
Compartilhe o que te alegra
Cause sensações amenas
Reflita sobre epitáfios
Atenda a convites de amigos
Jogue conversa fora
Ouça o sino da igreja
Cante sua música predileta
Corra na chuva de verão
Telefone para o parente distante
Acumule risadas
Compre entretenimento
Leia revista em quadrinhos
Monte um quebra-cabeça
Dê bom dia mesmo sem resposta
Diga te amo incontáveis vezes
Tome café puro
Saboreie a fruta da vez
Suba em árvores
Deite na grama
Conte estrelas

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

[Comente este Post]

Postado por Marco Garcia
27/6/2016 às 12h24

 
E na periferia...

A estrada? Longa
A vida? Dura
O sentimento? Difuso
A consciência? Pesada
A pele? Escura
A oportunidade? Escassa
O preconceito? Latente
O desejo? Pulsante
A coragem? Enorme
O incentivo? Ausente
A amizade? Condicionada
A liberdade? Tirada
A idade? Avançada
O objetivo? Distante
O fracasso? Permanente
A desilusão? Amiga
O trabalho? Buscando
A fome? Fantasma
A casa? Madeira
A roupa? Doada
O lazer? Emprestado
A cultura? Sonho
A família? Destruída
O amor? Falido
O sucesso? What?

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

[Comente este Post]

Postado por Marco Garcia
31/5/2016 às 11h26

 
No bar do Ivo, abraço é moeda

O bar do Ivo fica numa privilegiada rua de Fortaleza. Entre as avenidas Beira-Mar e Abolição. De suas mesas é possível ver a igreja e o cemitério do Mucuripe.

E não é apenas a localização, a clientela também reúne bons predicados.

Empresários, advogados, políticos, militares, escritores, músicos, atores, jornalistas, professores, universitários, reis de camarotes, dentre outras personalidades da sociedade abastada, aliviam os fardos diários no tradicional estabelecimento.

Trata-se de um ambiente simples, mas considerado um achado, mesmo estando 26 anos à margem do eixo preferido da crítica da noite fortalezense.

Ele não figura em guias turísticos, mas abastece o esquenta da galera.

"Graças ao meu bom Deus", diz Ivo, sempre que um frequentador descobre o lugar e comenta sobre o nível intelectual e social de quem bebe por lá.

Mas, como um bom boteco que se preze, o local é também parada obrigatória de transeuntes de ocasião.

Os, digamos, menos afortunados, sem os 15 diplomas por parede, patentes e avantajadas contas bancárias.

São cozinheiros, garçons, manobristas e seguranças do restaurante de bacana que fica duas quadras dali; funcionários dos inúmeros hotéis da orla - que param para uma branquinha ou uma gelada pós-expediente.

Flanelinhas; carroceiros; pipoqueiros; vendedores de milho; engraxates (isso mesmo, engraxates), e muitos personagens anônimos que chegam e, "dá licença aqui, patrão", escoram-se no balcão e sorvem, talvez, a única companhia do estômago do dia.

Sábado à tarde, um desses invisíveis ébrios, vestindo bermuda e camiseta surradas, descalço, cabelo com uma mistura de óleo e água, com feridas em dos joelhos, já sem dentes, sentado, pernas cruzadas, rabiscava numa folha e olhava para o senhor da cadeira a sua frente.

O caricaturava.

Dez minutos depois, obra pronta, o rosto do moço, que afirmara ser natural de Tatuí, interior de São Paulo, estampava, desenhado em traços firmes, a folha branca.

"São dez reais", cobrou o profissional do pincel.

"Mas eu não pedi pra você me desenhar", retrucou um já alterado etílico senhor, para espanto dos presentes, que acompanharam a negociação prévia entre ambos.

"Olha, não quero ser injusto, tenho apenas quatro reais".

"São dez reais", recusou-se a receber quantia inferior.

"Toma de volta o desenho e usa o verso em nova caricatura".

"Não. O desenho é seu, apenas me dê o combinado".

"Rapaz, pague o homem. Serviço desse não é menos de 30 reais na Beira-Mar", gritou o cliente da mesa ao fundo.

"Mas eu não pedi o retrato. Pago uma dose".

"Em cachaça não recebo, tenho dois filhos e uma mulher brava. Quero os dez reais".

"Deixa que eu pago. Você não vai ficar no prejuízo", prometeu o bigodudo que estava escorado na mureta, querendo amenizar os ânimos exaltados.

Abriu a carteira, tirou a nota e pagou o surpreendente artista anônimo.

"Ei, já que tudo se resolveu, me dê um abraço e considere o afago como parte do pagamento", disse o autor do calote.

O desenhista recebeu o abraço, não o retribuiu, e saiu de lá com semblante resignado.

Quem sabe lamentando sua condição de excluído, que até então não tivera uma oportunidade sequer para demonstrar suas habilidades artísticas.

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

[Comente este Post]

Postado por Marco Garcia
12/5/2016 às 12h04

 
Improvável amor de São João

Ela suspirou e pensou. Quentão, milho cozido, amendoim, mugunzá, canjica e forró. Eita, que a melhor época do ano está chegando.
Ele a olhou e sussurrou.
Eu gosto de você com força, por isso eu grito “I love you com toda gota”.
Gaiato que só, ela respondeu.
Ele, sem cerimônia, replicou: peguei no seu cabelo, você disse “fiquei louca”, falei no ouvidinho “tem cuscuz com leite”.
Ela, sem poder se conter, gritou: pela antecipação e extensão do São João eu voto siiiiiim!
Marminino, ele ponderou.
Ela, braba que só a peste, devolveu: quem é você para derramar meu mugunzá?
Ele, para amenizar as coisas, disparou: tu é o meu aperreio mais gostoso.
Desconfiada, ela contemporizou. “Deixe de enxerimento”.
Ele não se conteve: se avexe não, é com você que eu quero dividir o meu cuscuz.
Se fazendo de desentendida, ela cobrou: deixe de arrudeio.
Querendo ir ao ponto, ele alega: calor do estopô. Bora pra rua da cachaça.
Ela, irônica, desdenha: É mermo é?
Ele, mais incisivo, dispara: tome mel, tome cachaça, tome amor e tome xote.
Para cortar o assunto, ela salienta: você até que é legal, mas eu prefiro paçoca.
Ele, para se fazer de importante, cola comigo que é sucesso garantido.
Gaiatin, meu fii, né?
É o mundo pra mangar de mim e eu só para mangar do mundo, filosofou ele.
Se rendendo às cantadas sertanejas do sujeito, ela ameniza: bora, amo cheiro no cangote.
Pois cuida, a gente se ajeita numa cama pequena, te faço um poema e te cubro de amor.
De longe, ela ouve: menina, vem timbora esquentar o almoço.
Mamãe.
A bixinha, rapaz, ele choramingou.
Sozinho, à noite, suspirou: a pior parte do dia é quando a danada da saudade vem.
Tivesse ela aqui, a gente ia dançar ‘rala ralando o tchan’ a noite toda.
Ô saudade lascada.

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

[Comente este Post]

Postado por Marco Garcia
5/5/2016 às 12h26

 
O comércio

Vendo medo
Compro esperança
Vendo insatisfação
Compro coerência
Vendo ódio
Compro tolerância
Vendo vingança
Compro compaixão
Vendo intelectualidade
Compro inocência
Vendo conhecidos
Compro amigos
Vendo religião
Compro liberdade de credo
Vendo fuzis
Compro aperto de mão
Vendo discursos
Compro poemas
Vendo guerra
Compro diálogo
Vendo certeza
Compro talvez
Vendo sanidade
Compro loucura
Vendo rancor
Compro sorriso
Vendo opinião formada
Compro dúvidas
Vendo bocas
Compro ouvidos
Vendo prisão
Compro liberdade
Vendo jornais
Compro livros
Vendo escritório
Compro cadeira de praia
Vendo tv
Compro rádio
Vendo sapato
Compro chinelo
Vendo shopping
Compro litoral
Vendo agenda
Compro bilhetes
Vendo ensaio
Compro improviso
Vendo Paulo Coelho
Compro Patativa do Assaré
Vendo sabedoria
Compro curiosidade
Vendo igreja
Compro fé
Vendo barulho
Compro silêncio
Vendo caneta
Compro lápis
Vendo liso
Compro cacheado
Vendo singular
Compro plural
Vendo vogal
Compro consoante
Vendo ditadura
Compro democracia

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

[Comente este Post]

Postado por Marco Garcia
1/4/2016 às 10h51

Mais Posts >>>

Julio Daio Borges
Editor

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O NOVO TESTAMENTO INTERPRETADO VERSÍCULO POR VERSÍCULO SEIS VOLUMES
R. N. CHAMPLIN
HAGNOS
(2002)
R$ 450,00



RIOS VERMELHOS
JEAN-CHRISTOPHE GRANGÉ
RECORD
(2000)
R$ 20,00



CREDIBILIDADE E ADMINISTRAÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA: UM ESTUDO PARA O BRASIL
FERNANDA ANOTONIA JOSEFA LLUSSÁ
LIDADOR
(1998)
R$ 10,00



VOCÊ SABE VENDER?
JOÃO PAULO SOUZA
SER MAIS
R$ 14,95
+ frete grátis



ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
JOSÉ SARAMAGO
COMPANHIA DAS LETRAS
(2010)
R$ 32,00



A REBELDE APAIXONADA
FRANK G. SLAUGHTER
CÍRCULO DO LIVRO
(1986)
R$ 7,90



MUERTE ENTRE MUÑECOS NIVEL INTERMEDIO 1
JULIO RUIZ MELERO
EDINUMEN
(2002)
R$ 20,00



MACUNAÍMA - MÁRIO DE ANDRADE (EDIÇÃO ESPECIAL) - LITERATURA BRASILEIRA
MÁRIO DE ANDRADE
ALLCA XX - FONDO DE CULTURA ECONOMICA
(1984)
R$ 80,00



A NOVA CONCORRÊNCIA
PHILIP KOTLER
PRENTICE-HALL DO BRASIL
(1985)
R$ 10,00



ESTIMULANDO A MENTE DO SEU BEBÊ
DR. S. H. JACOB
MADRAS
(2005)
R$ 14,70




>>> Abrindo a Lata por Helena Seger
>>> Blog belohorizontina
>>> Blog da Mirian
>>> Blog da Monipin
>>> Blog de Aden Leonardo Camargos
>>> Blog de Alex Caldas
>>> Blog de Ana Lucia Vasconcelos
>>> Blog de Anchieta Rocha
>>> Blog de ANDRÉ LUIZ ALVEZ
>>> Blog de Angélica Amâncio
>>> Blog de Antonio Carlos de A. Bueno
>>> Blog de Arislane Straioto
>>> Blog de CaKo Machini
>>> Blog de Camila Oliveira Santos
>>> Blog de Carla Lopes
>>> Blog de Carlos Armando Benedusi Luca
>>> Blog de Cassionei Niches Petry
>>> Blog de Cind Mendes Canuto da Silva
>>> Blog de Cláudia Aparecida Franco de Oliveira
>>> Blog de Claudio Spiguel
>>> Blog de Dinah dos Santos Monteiro
>>> Blog de Eduardo Pereira
>>> Blog de Ely Lopes Fernandes
>>> Blog de Enderson Oliveira
>>> Blog de Expedito Aníbal de Castro
>>> Blog de Fabiano Leal
>>> Blog de Fernanda Barbosa
>>> Blog de Gilberto Antunes Godoi
>>> Blog de Haelmo Coelho de Almeida
>>> Blog de Hector Angelo - Arte Virtual
>>> Blog de Humberto Alitto
>>> Blog de Isaac Rincaweski
>>> Blog de João Luiz Peçanha Couto
>>> Blog de JOÃO MONTEIRO NETO
>>> Blog de João Werner
>>> Blog de Joaquim Pontes Brito
>>> Blog de José Carlos Camargo
>>> Blog de José Carlos Moutinho
>>> Blog de Kamilla Correa Barcelos
>>> Blog de Lane Vasquez
>>> Blog de Lourival Holanda
>>> Blog de Lúcia Maria Ribeiro Alves
>>> Blog de Luís Fernando Amâncio
>>> Blog de Marcio Acselrad
>>> Blog de Marco Garcia
>>> Blog de Maria da Graça Almeida
>>> Blog de Nathalie Bernardo da Câmara
>>> Blog de onivaldo carlos de paiva
>>> Blog de Paulo de Tarso Cheida Sans
>>> Blog de Raimundo Santos de Castro
>>> Blog de Renato Alessandro dos Santos
>>> Blog de Rita de Cássia Oliveira
>>> Blog de Rodolfo Felipe Neder
>>> Blog de Sonia Regina Rocha Rodrigues
>>> Blog de Sophia Parente
>>> Blog de suzana lucia andres caram
>>> Blog de TAIS KERCHE
>>> Blog de Thereza Simoes
>>> Blog de Valdeck Almeida de Jesus
>>> Blog de Vera Carvalho Assumpção
>>> Blog de vera schettino
>>> Blog de Vinícius Ferreira de Oliveira
>>> Blog de Vininha F. Carvalho
>>> Blog de Wilson Giglio
>>> Blog do Carvalhal
>>> Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
>>> Blog Ophicina de Arte & Prosa
>>> Cinema Independente na Estrada
>>> Consultório Poético
>>> Contubérnio Ideocrático, o Blog de Raul Almeida
>>> Cultura Transversal em Tempo de Mutação, blog de Edvaldo Pereira Lima
>>> Escrita & Escritos
>>> Eugênio Christi Celebrante de Casamentos
>>> Ezequiel Sena, BLOG
>>> Flávio Sanso
>>> Fotografia e afins por Everton Onofre
>>> Impressões Digitais
>>> Metáforas do Zé
>>> O Blog do Pait
>>> O Equilibrista
>>> Relivaldo Pinho
>>> Sobre as Artes, por Mauro Henrique
>>> Voz de Leigo

busca | avançada
28938 visitas/dia
870 mil/mês