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Segunda-feira, 13/3/2017
Blog de Enderson Oliveira
Enderson Oliveira

 
Websérie Pretas é destaque em festival na França




Com direção de Lucas Moraga, a websérie "Pretas" foi feita pela produtora Invisível Filmes. Imagem: Reprodução

Que a produção cultural de Belém, é muito rica, ainda que a necessidade de profissionalização da gestão – pública e privada – seja urgente e cada vez mais obrigatória por parte de governantes e realizadores, sabe-se (reconhece-se) há muito tempo.
No entanto, nos últimos anos, principalmente através da produção audiovisual (e também a musical, notemos), este cenário – finalmente – parece estar sendo modificado, com maior investimento de tempo (sim!), coragem e vigor para apostar em conteúdos inovadores e sua circulação; e, por fim, com maior pensamento estratégico. Exemplo disto é a websérie paraense “Pretas”, que possui roteiro de Hian Denys, Othon Montalvão e Lucas Moraga (que assina também a direção da obra).
A série possui como protagonista Abigail, interpretada por Rosilene Alves, uma pugilista que enfrenta um verdadeiro caleidoscópio de desafios: criar a filha pequena, seguir na carreira e os preconceitos por ser mulher e negra na Amazônia.

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O piloto da websérie, que desde o início foi concebida para ter episódios independentes (o que facilita sua circulação em diversos meios, festivais e outras “janelas” de exibição) quebrou inúmeras barreiras e fugiu das desculpas que muitos adoram dar para justificar a pouca ou nenhuma vontade de desenvolver algo e mesmo encarar grandes desafios.
Em 2016, “Pretas” venceu o Festival Osga de Vídeos Universitários, da Universidade da Amazônia; em 2017, o Festival da Freguesia do Ó, em São Paulo; e foi selecionada para o 39º Festival du Court métrage de Clermont-Ferrand, na França, um dos maiores festivais de cinema do mundo. Detalhe: o primeiro capítulo custou apenas R$350,00. Isto mesmo: menos da metade de um salário mínimo (que, sabemos, é ínfimo e não atende as necessidades básicas de milhões de brasileiros).


Com investimento mínimo, muita coragem e bom trabalho estético, o filme chegou ao Festival du Court métrage de Clermont-Ferrand este ano. Imagem: Reprodução

Embora muita gente ainda associe produção audiovisual com altos custos, grande equipe e a necessidade dos mais novos equipamentos, como se vê, com um pequeno valor a obra alcançou grande visibilidade e retorno. Tudo isto foi possível por conta de um jovem de grande talento e coragem: o paraense Lucas Moraga, de apenas 22 anos, que atualmente é concluinte no curso de Publicidade e Propaganda e “luta pelo audiovisual como estilo próprio de vida e sonhos”, como se auto define.
A trajetória do jovem, que afirmou que suas grandes inspirações no cinema são “Tim Burton, através dele conheci um cinema incrível na infância. Hitchcock com suas obras fantásticas. E atualmente todos os irmãos e irmãs negros(as) que se aventuram em fazer o audiovisual”, merece destaque.
“Apesar do pouco tempo no audiovisual já acumulo alguns títulos. Na minha filmografia já constam 14 premiações, incluindo premiações principais de melhor filme, e 12 seleções oficiais em variados festivais nacionais e internacionais”, diz Moraga, que em 2015 também recebeu o Prêmio de Melhor Curta no Festival Osga pelo filme “Pôr da Terra” e que em 2016 recebeu menções honrosas no Festival de Audiovisual de Belém.

Veja o primeiro episódio da websérie:



"Pretas" do poder
Em uma época em que ganha maior destaque discussões sobre empoderamento e a necessidade de se refletir, cada vez mais, sobre o papel político da arte, o filme apresenta temas que por vezes são “escondidos” de grandes debates, como racismo e o papel da mulher, em especial na Amazônia.
“Desde o começo tínhamos noção do campo de batalha em que estávamos entrando e apesar do medo estamos encarando com muito respeito e força. Fazer cinema negro é politizar. É denunciar. É principalmente desmitificar que o negro não tem talento para protagonizar histórias”, enfatiza Lucas.
Política e estética se unem e ajudam a tocar vidas, seguindo aquilo que Ana Margarida da Costa Ribeiro (2008) afirmou ao dizer que “em mais de cem anos de existência, o cinema criou, moldou e difundiu uma enorme quantidade de imagens e pensamentos sobre essas imagens e sobre o mundo”. Uma obra, então, vai além da tela (seja qual for o tipo de tela atualmente) e pode impactar inúmeras vidas.


A equipe de produção de "Pretas" prepara os novos episódios da websérie. Foto: Reprodução/Facebook

“Com a websérie no ar há menos de três meses já recebemos diversos relatos de como a história alcançou e impactou quem assistiu e isso é incrível. Não tínhamos uma real dimensão disso antes, mas agora começamos a ter bem mais. E ficamos muito contentes com isso”, destaca Lucas.
Como se vê, além da importância estética, é claro, a obra também se destaca pela circulação e caráter político e social e mostra também a alunos e professores que o incentivo e luta pelo que se acredita (ainda que seja algo clichê) e a preparação para isto (o que muitas vezes é deixado de lado), são fundamentais e rendem bons frutos.
Sobre isto, o diretor comenta que “primeiramente é importante observar que jamais podemos desprezar o que fazemos dentro da universidade enquanto produção. Basta ter empenho, correr atrás e fazer acontecer. Estar sendo exibido fora do país é uma sensação única e nos dá esperanças gigantes de um dia estar em grandes festivais exibindo nosso trabalho e vivendo disso”. Para isto, no entanto, é necessário maior investimento e pensamento e planejamento estratégicos.

Continuação da websérie depende de você!
Desde 7 de março, a produtora Invisível Filmes está com uma campanha de crowdfunding (financiamento coletivo) para arrecadar o valor necessário para produzir de forma mais ampla a continuidade da série.
De acordo com a descrição da campanha, “em ‘Pretas’ visamos um chamamento para o problema da ausência de representatividade negra em produções cinematográficas. Levando em conta aspectos culturais. Tudo de forma metafórica e ficcional que passe uma maior ideia de como isto está presente tão fortemente em nossas vidas”.
Diz ainda a descrição que “dentro dessa proposta começaremos a debater, ainda que de forma inconsciente, qual o papel dessa presença negra sendo protagonista de suas próprias histórias, tendo como alvo principal a mulher negra. Pretendemos inscrever o piloto da websérie em festivais regionais, nacionais e internacionais para uma maior visibilidade do assunto, divulgação de que o audiovisual no Pará é uma realidade e que possuímos um material de qualidade”.



Tudo isto, como se sabe, depende de um ponto de partida que é a coragem de fazer diferente. Com diversas possibilidades via internet, isso não se torna necessariamente mais fácil, mas certamente bem mais possível. “Eu sigo um lema desde o começo: Independente de ter ou não equipamento. De saber ou não manusear. Escrever um roteiro. Vai e faz. A internet está ai para nos ajudar e eu digo que um dos meus maiores professores foram os tutoriais do Youtube. O 'segredo' é nunca parar na primeira produção por achar amadora demais. A evolução vai se dar na prática, fazendo mais filmes, convivendo com mais pessoas e vivendo mais histórias”, explica Lucas.
É ainda o diretor, quando perguntado ainda onde pode chegar que dá um exemplo de estímulo e confiança típicas de quem sabe de fato o que está fazendo e que já começa a caminhar de forma mais firme na produção cultural: “minhas asas estão abertas e alçando voos. Não sei exatamente onde quero chegar, o meu ‘ir’ faz o caminho. Sou um caçador de histórias”, finaliza.

Colabore
Conheça mais sobre o projeto de financiamento coletivo para a continuidade da websérie, as contrapartidas e outras informações clicando aqui. Colabore para fazer o cinema brasileiro, da Amazônia, cada vez mais forte!

Por Enderson Oliveira

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Postado por Enderson Oliveira
13/3/2017 às 10h06

 
Fotógrafa da Amazônia é destaque na Europa




A produtora audiovisual paraense Débora Mcdowell. Foto: Vitória Leona

Da mistura equilibrada e atenciosa de cores, curvas e expressões de diversas mulheres, em especial de Belém do Pará, na Amazônia, surgem imagens que retratam, além do corpo feminino, a força e vigor do gênero da maioria da população mundial. As imagens, feitas por uma jovem de apenas 18 anos, de sorriso tímido e click preciso, alcançaram tamanho destaque que aterrissaram, após somente uma escala regional, à Europa.
Sim, três fotografias da jovem fotógrafa paraense Vitória Leona, que já teve outras obras publicadas na revista digital alemã Grunge'n'Art, participaram no início de fevereiro de uma exposição na galeria Copeland Park & Bussey Building, em Londres, capital da Inglaterra, e devem ser expostas novamente entre maio e junho em Paris, na França. A paraense foi a única representante brasileira na exposição, que contou ainda com obras de outros 16 artistas, sendo somente quatro fotógrafos no total.

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“Eu recebi um e-mail do Jesse Gassongo-Alexander, diretor e escritor do projeto, no final do ano passado. Como nunca tinha recebido um e-mail em outro idioma, vindo de um remetente estranho, quase não abro por achar que era spam. Porém, vi que o conteúdo era sobre fotografia e era um convite para conhecer mais e participar do projeto. Ele me explicou como funcionava e sobre as duas edições passadas, que aconteceram em Londres e Copenhagen, e pediu para que eu selecionasse algumas imagens do meu acervo em resposta ao curta-metragem Bloom”, explicou a jovem.


Ingrid Velasco e Alexandra Dutra Foto: Vitória Leona

As fotografias escolhidas são de Ingrid Velasco, Alexandra Dutra e da produtora audiovisual Débora Mcdowell. Nas imagens, as três mulheres são apresentadas sem grande produção e edição; o destaque é para suas expressões e o cotidiano em que estão inseridas. Corpo, dia-a-dia e simplicidade se unem em uma caleidoscópio que dá margem para acentuar as discussões sobre o poder das mulheres, representação, arte e mídia, destacados por Vitoria que, com um trabalho focado no feminino, busca desconstruir a sexualização do nu.


A produtora audiovisual paraense Débora Mcdowell. Foto: Vitória Leona

Os planos da jovem, no entanto, não param por aí. “Eu tenho vários projetos que ainda não tirei do papel, dentre eles alguns voltados para fotografia documental. Quase todos buscando uma maior interação com a cidade e com a nossa cultura paraense, uma forma de juntar as referências que trago do mundo e o que temos aqui”, antecipa Vitória, que afirma ainda que “eu sempre pensei que, apesar de gostar de tantas cidades ao redor do mundo e querer conhecer muitas outras, eu não poderia nascer em um lugar melhor. Eu sou apaixonada pela cultura paraense. Nós temos cores, cheiros, sons, paisagens, fisionomias e costumes muito ricos. É uma diversidade sem tamanho que carrega bastante força. Poder retratar isso é registrar algo único”, enfatiza.

Trajetória curta e promissora
Que Belém possui uma tradição de grandes fotógrafos, isso se sabe, mas na obra de Vitoria isto parece ser potencializado. Como o flash de um click, a carreira da jovem passou a ter maior projeção rapidamente. Antes da exposição internacional, a fotógrafa tinha participado somente de outra, em 2016, em Belém: “Em novembro do ano passado fiz minha primeira exposição, com uma visão geral das minhas fotos focadas no nu feminino. Fui convidada pela cantora Liège para expor no evento que ela idealizou, o ‘Liège Sem Crivo’”, explica.
A escolha de mulheres obviamente não é aleatória e possui, mais que certo cunho político, marcas da estética de quem possui como referências o trabalho de Renato Galvão, Mariana Caldas, a canadense Petra Collins e, principalmente, o carioca Fernando Schlaepfer e o paraense Luiz Braga.


A exposição deve passar ainda por Paris este ano. Foto: Jesse Gassongo-Alexander

Neste processo, ganha destaque mais que o corpo feminino como “paisagem”, suas expressões que buscam fugir a clichês e se aproximam de uma realidade mais urbana, contemporânea e “empoderada”. “Quando comecei a fotografar eu fazia bastante fotografia documental. Tenho um conjunto de fotos do cotidiano belenense, mas hoje em dia eu não faço tanto, apesar de achar maravilhoso, pois acabei criando um bloqueio em relação a fotografar desconhecidos, me apropriar da imagem deles sem buscar conhecê-los mais a fundo. Talvez a desconstrução disso resulte em um projeto”, afirma.
Através da obra de Vitória é possível, então, se “espelhar” e mesmo se reconhecer, mostrando o poder da arte e sua relação com o cotidiano pós-moderno da Amazônia, sem deixar de lado a própria identidade. “É óbvio que eu foco na parte de retratos, através deles eu tento passar bastante de mim e do que eu acredito, mas principalmente sobre a pessoa retratada e o que ela pode vir a representar, às vezes oferecendo um olhar mais gentil sobre si mesma. A maioria das meninas que fotografo nunca fizeram isso antes, nunca fizeram um ensaio nu, mas confiam em mim para isso, e algumas estão ali superando inseguranças, parte delas com o próprio corpo. Fico muito feliz quando essas mulheres (convidadas ou clientes) relatam que puderam ver a si mesmas de outra perspectiva jamais imaginada, se sentiram bem, mais bonitas”, finaliza.

Bloom, o filme
“Bloom”, curta-metragem inglês que é ponto de partida para exposição, foi escrito e dirigido por Jesse Gassongo-Alexander e apresenta a história de quatro garotas. Periodicamente acontecem eventos que, além da exibição do filme, também contam com a exposição do trabalho de jovens artistas mulheres do mundo inteiro. Veja o teaser:



Conheça
Saiba mais sobre as obras de Vitória no Instagram (@vitorialeonaph) e em seu site.

Por Enderson Oliveira

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Postado por Enderson Oliveira
26/2/2017 às 08h59

 
A cidade e/ é sua música.



Henry volta a se apresentar no Sesc Boulevard na próxima sexta-feira (27) para lançar "Belém Incidental". Foto: Divulgação


"Sou um compositor de canções tradicional, com a diversidade rítmica e poética de quem passou a maior parte da vida em Belém e que se nutre da cidade até hoje". Assim se apresenta Henry Burnett, músico paraense que lança seu quinto álbum, "Belém Incidental", na próxima sexta-feira (27), às 19h, em show gratuito no Sesc Boulevard.
Falar da obra de Henry é também falar de Belém. Não porque o músico, que também é pós-doutor em Filosofia e professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), repita clichês que se proliferam nas artes, no turismo e na mídia da capital paraense, mas sim por apresentar em suas canções diversas “facetas”, muitas vezes angustiantes e que incomodam, de uma população que não raramente se esquece e desconhece a si mesma.
(Re)unindo poesia e música, em boa parte de suas canções podemos notar "diagnósticos" sobre a cidade, reflexos de seu discurso e análise sobre uma urbe em que o “desamor” predomina e em que parece haver pouca ou quase nenhuma esperança.
Mais que isto: talvez suas canções - para além das que estão no álbum a ser lançado - carreguem certo "espírito de época" de uma metrópole cada vez mais conturbada, apressada e desorganizada, onde a frieza da população se choca cada vez mais com as altas temperaturas que castigam humanos, animais e objetos.


A banda de Henry Burnett (voz, violão, guitarra) é formada ainda por Renato Torres (guitarras e vocais); Maurício Panzera (baixo) e Tiago Belém (bateria)

Levando todo este panorama em conta, aproveitei a data de lançamento do álbum de Henry para, assim como fiz nos últimos dois anos, ouvi-lo sobre as perspectivas (?) para a cidade em seu mês de aniversário, “comemorado” (?) no dia 12, quando completou 401 anos. Enviei então a Henry a provocação/ exercício de imaginação utópica que fiz com outras doze pessoas, que resultaram no texto "Belém do Pará, ano um. 401". A questão era:
"Após 400 anos, Belém pode começar uma nova trajetória. Vive o 'ano 01'. O que a cidade precisa com mais urgência? Qual o conselho tens a dar à cidade imaginando que sua história (re)começa agora? O que desejas a ela/ à população?".

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Acredito que em um primeiro momento tais questões surpreenderam (ou assustaram) Henry. "Quem disse isso? parece uma fala de político, de quem não tem responsabilidade pública e utiliza o ano redondo para criar uma falsa ilusão de projeto.", disse o músico ao se deparar com tal proposição, comentando a situação da cidade. Bingo! Era exatamente o tipo de reação esperada, que tem como fio condutor a mesma sensação/ sentimento citados por outras pessoas: o incômodo da reflexão e da observação, em retrospectiva ou não, da cidade e suas diversas circunstâncias cada vez mais problemáticas.
Logo após, Henry explicou sua resposta. "Belém não tem projeto, o último, apenas insinuado, foi elaborado na gestão do Edmilson Rodrigues, mas ao que parece o povo preferiu a continuidade do atual prefeito e o descalabro pelo qual passa nossa cidade agonizante. Não tenho nenhum conselho a dar, é tarde para isso ou para qualquer reação que possa recuperar o que foi a cidade. Nem se trata disso, de ‘voltar ao passado’, mas de um cuidado elementar com a arquitetura, a vida social e com o que resta em pé, nem isso existe. A história não está começando, está terminando. O que pode eventualmente começar é uma nova história, mais triste e decadente", decretou.

Veja também: Belém do Pará, ano um. 401

Parecer pessimista? Não. Análise realista? Possivelmente. Tal diagnóstico, que erroneamente pode ser transformado em bandeira “política” ou de outras ordens, revela uma precisão que não cai somente no lugar de fala ou queixas aleatórias "de cunho social".
Neste sentido, é possível citar a violência que toma conta da cidade, em especial nos inúmeros bairros e áreas periféricas da capital paraense. Sons de fogos de artifício, rojões e de disparos não raramente se unem em meio a festejos de ordens diversas, como comemorações (ou discussões) por conta de uma vitória ou derrota azul marinha ou bicolor, situação "descrita" em “Terra Firme”, canção presente no álbum-livro Retruque/ Retoque.



Nesta cidade em que a água da chuva dilui as manchas de sangue, sangrias abertas diariamente, ainda que se tente fugir, alguns clichês (símbolos ou mesmo ícones?) parecem inevitáveis, como a referência à chuva da tarde, ou mais precisamente às 14h30, como na canção presente no CD “Não para magoar”. A mesma chuva que “nos escurece” e que serve de “cenário para mil amantes" causa diversos riscos e é a base de "Chuva op. 14:30":



Apesar de toda a poesia e lirismo da canção, sabemos que o cenário atual da cidade é bem mais complexo, problemático e menos idílico. Talvez isto explique o grande número de “exilados” fora do Estado ou ainda pessoas que seguem uma rotina “em movimento”, habitando na cidade, mas viajando sempre que possível (seja para casas no interior ou mesmo outros estados ou países). Cria-se então uma Belém mais contemporânea, menos ligada a um espaço físico de fato, mas sim a insigths, lembranças e cenários "nebulosos". Uma Belém somente de relance, em movimento, de passagem. Sonora e violenta, a cidade das aparelhagens é a base de uma das principais canções do novo álbum do músico: "Belém de passagem".



Neste movimento, diversas "Beléns" se cruzam, por vezes dialogam e em muitas ocasiões se chocam. Em especial uma Belém mais melancólica, próxima e acessível a todos, evidenciada (ou evidenciando) a decadência citadina, como a apresentada em "Oswald Canibal", resultado da parceria de Henry com o poeta Paulo Vieira.



Simbiose de fatores, referências e estilos, a canção tem sua gênese na relação entre a poesia modernista de Oswald Andrade e a filosofia contemporânea de Benedito Nunes, passando pelo interstício que une (pelo bem, pelo mal) São Paulo e Belém do Pará. A canção "fala" da ambição do modernista Oswald e cita o recorrente diagnóstico de Benedito Nunes sobre o esfacelamento de Belém.

Leia também: Pelo bem, pelo mal, Oswald Canibal

Neste “ciclo”, se é que podemos chamar assim, tal decadência termina sendo fortalecida pelos próprios moradores, que desamam a cidade, como afirmou o próprio Henry em entrevista em 2015, em outra reportagem minha, sobre o então aniversário de 399 anos da capital paraense. Aos problemas públicos e privados que se reproduzem em escala e dificultam melhorias na capital paraense, se soma então “o desamor pelos espaços de convívio, a destruição do patrimônio” por parte da população.
Na época, para Henry, este seria o maior problema observado na capital paraense. A solução? O próprio Henry responde: “A necessidade maior é simplesmente amar a cidade e cuidar dela como cuidamos da nossa casa, entendendo que a cidade deve ser uma continuidade amorosa de nossa intimidade”, explica. E isto pode ser feito através de linguagens artísticas, como a música, ainda que permaneçam inúmeras " promessas inscritas nas artes da cidade, que ainda não as merece".

Confira: “Desamor”, mudanças na fisionomia e problemas marcam Belém contemporânea

Belém Incidental
Em entrevista, Burnett deu detalhes de Belém Incidental. "Foi um álbum pensado muito lentamente, embora tenha sido finalizado de modo rápido. São 10 faixas, que começaram a ser gravadas em Santarém há mais ou menos 4 anos, com produção de Fábio Cavalcante”, explica.
Além disso, Henry afirmou que “o álbum mistura canções antigas ("Vozes do norte", "Balanço de onda") com a safra mais recente ("Belém de passagem, com letra de Paulo Vieira); no meio delas, canções com meus outros dois parceiros frequentes, Renato Torres ("Reino") e Edson Coelho ("Trem do samba"). Cada faixa foi escolhida com calma, por isso o conjunto fala. A exceção é "E nós", que escrevi para os 70 anos da minha mãe, no ano passado", antecipou.


O disco estará disponível para download a partir de sexta. Imagem: Divulgação.

Seguindo o modelo de música independente (ou de “contra-indústria”, utilizado por alguns autores), o músico disse ainda que "o disco foi todo gravado em home studio, quatro no total. Mas a maior parte foi gravada e finalizada no Guamundo home studio, do Renato Torres, que divide a produção do disco com o Fábio, destacou.
Para quem já conhece sua obra, Henry avisou que "uma mudança muito grande foi feita neste álbum, onde assumi uma faceta apenas insinuada nos discos anteriores: o rock. De algum modo, esta opção significa uma homenagem ao grande movimento do rock paraense, simbolizado pela única convidada do disco, a Sammliz", finalizou.



Perfil
Henry Burnett nasceu em Belém do Pará em 1971. Pós-doutor em Filosofia, atualmente é professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Como músico, possui quatro CDs gravados: o experimental “Linhas Urbanas”, 1996; “Não Para Magoar”, 2006; “Interior”, 2007, gravado em Buenos Aires em parceria com Florencia Bernales e o livro/CD “Retruque/Retoque”, 2010, em parceria com o poeta paraense Paulo Vieira. Além disso, Henry também produziu o CD “Depois da revoada”, 2012, junto com o músico e poeta paulistano Julio Luchesi.
Já como pesquisador, Henry é autor do livro “Cinco prefácios para cinco livros escritos: uma autobiografia filosófica de Nietzsche” (Tessitura Editora, Belo Horizonte, 2008), da coletânea de ensaios sobre filosofia e música “Nietzsche, Adorno e um pouquinho de Brasil” (Editora Unifesp, 2011) e do volume da Coleção Leituras Filosóficas da Editora Loyola “Para ler O Nascimento da Tragédia de Nietzsche” (2012).

Serviço
Lançamento do álbum Belém Incidental, de Henry Burnett
Onde? Sesc Boulebard (Boulevard Castilhos França, 562/563, Campina)
Quando? Sexta-feira (27), 19h.
Entrada Franca

Por Enderson Oliveira

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Postado por Enderson Oliveira
25/1/2017 às 13h06

 
Belém do Pará, ano um. 401.



À sombra dos urubus, Belém chega aos 401 anos. Foto: Maycon Nunes


Quão estranha e sofrida pode ser (ou é) uma cidade castigada pelo calor e pela chuva quase diariamente? Quão esperançosa é uma cidade que é capital de um estado que desde o hino já setencia: “teu destino é viver entre festas, do progresso, da paz e do amor”? Quão suja e abandonada é uma cidade com uma “infinidade de obras-sem-fim” e monturos de lixo, em que seus próprios habitantes e filhos não se intimidam e, em qualquer local e a qualquer momento, escarram grosso e raivosamente em dezenas de cusparadas destinadas ao solo citadino, amaldiçoando-o? Quão alegre e diversificada é uma cidade que na cultura, em que pese a gestão raquítica (pública e privada), possui uma produção rica, peculiar e instigante?
Após o quase apagado aniversário de 400 anos em 2016 (você lembra de algum grande evento na cidade no período? Uma grande reportagem? Algo que não fosse o clichê chato e insuportável de bolo-no-Ver-o-Peso-risos-e-olhares-famintos-e-baldes-com-bolos-cores-sabores-da-cidade-morena?), talvez seja hora de olhar para o passado "de relance" e, urgentemente, projetar e executar um/ no futuro ações minimamente concretas que ajudem a melhorar esta cidade. Belém pode começar então uma nova trajetória. Vive o 'ano um'. O 401.

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Longe de clichês midiáticos e turísticos, este texto tem o propósito de incomodar, ainda que seu alcance, eu sei, seja mínimo. Mesmo assim, é feito com uma certeza: Belém precisa de seus filhos aqui nascidos e os calorosamente adotados. Cada um, ao seu modo, vive a experiência de viver e estar aqui na cidade, na Amazônia.
Para alguma mudança é preciso pensar esta cidade, conhecê-la, perder-se nela (Benjamin), experienciá-la em seus diversos aspectos. Levando tudo isto em conta é que nos últimos dias entrevistei doze pessoas, mesmo número da data de aniversário da capital paraense, para comentarem sobre o futuro da cidade. Credos, cores, profissões, idades, origens diferentes e muitas outras características misturam-se em um caleidoscópio que possui um único desejo que, no final, é um sonho: a melhoria de Belém.

CONTEXTOS
Esta melhoria, sabemos, é (ou deveria ser...) pensada (e não é executada) há anos, décadas e, talvez, séculos. Para a professora e pesquisadora Larissa Leal, “como qualquer cidade nascida no Brasil do século XVI, Belém tem vários problemas de infraestrutura urbana que precisam, acima de tudo, de muita vontade política para resolver. Saneamento é o maior destes problemas pra mim, porque ele tem a ver com a própria dignidade humana, basta andar pelos bairros à beira do rio Guamá para ver isso num cenário mais grave. Por isso, esse é o passo 1 para elevar a qualidade de vida na nossa cidade nesse recomeço, sua maior urgência”, destaca. Mestra em Letras e Linguística, Larissa é professora de Língua e Literatura do Instituto Federal Goiano - Campus Posse e mora em Goiás desde 2012, mas sempre volta à terra natal.


Área de palafitas em Belém, uma grande periferia. Foto: Daniel Leite. A foto integra o acervo do projeto de pesquisa Fisionomia Belém.

A opinião da docente se aproxima de outra professora: Sabine Reiter, alemã, professora desde 2013 na Universidade Federal do Pará (UFPA). Diz Sabine que “da minha perspectiva de ‘fora’, acho que a cidade precisa com mais urgência um sistema de saneamento para todos os bairros. Também acho que seria bom pensar em um bom ‘clima urbano’, do tipo como foi implementado pelo Senador Lemos na Belle Époque: mais árvores nas ruas para dar sombra e ar mais fresco em toda a cidade (e não apenas nos bairros centrais). O trânsito também precisaria de reajustes – atualmente são muitos carros para uma cidade que foi construída para uma população bem menor”, explica.
O trânsito também preocupa outro estrangeiro que fez de Belém sua segunda casa. Para o antropólogo colombiano Diego Léon Blanco, as “angústias” metropolitanas possuem uma explicação maior, mais complexa e universal da que vemos e vivemos diariamente nas vias da capital: “os prefeitos estão sem novas ideias”, decreta.
“Se nesta época de redes sociais, a conexão imediata e simultânea é a natureza da nossa cultura, a cotidianidade dos deslocamento em carros e ônibus está fora dessas simultaneidades. Passamos horas e horas nas ruas, os carros andam até 200 quilômetros por hora, mas no tráfego das 18h são tartarugas. Ainda bem que o tempo consumido no tédio do tráfego aproveitamos no mundo do nosso celular. O que ainda não se resolve nas ruas e nas estradas pelo tempo gasto, se resolve no não tempo sem fio de nossos móveis”, explica Diego.


A imagem é em um ônibus em um dia qualquer de Belém, mas poderia ser em outra metrópole.Foto: Maycon Nunes

O colombiano, que no último ano residiu na Cidade do México, vai além: “a mobilidade em Belém é um caos em crescimento. Então, como resolver? Quem vai deixar de usar carro? Em grandes cidades como Bogotá ou Cidade de México muitas pessoas usam carros de 4, 5 metros de comprimento para uma pessoa só! Um ser humano na estrada de uma grande cidade ocupa todo esse espaço! Em outras cidades do mundo estão resolvendo o assunto com pequenos carros elétricos, metrôs, ciclovias, ideias para pensar a mobilidade na cidade de outra maneira”, sugere.
Falar de trânsito onde se sonha em um dia ter acesso a um minguado e já ultrapassado “sistema” de Bus Rapid Transit (BRT), tais iniciativas são impensáveis. Para aumentar o desconforto, basta lembrar que em capitais menores e sem o “legado da Copa”, outras iniciativas bem mais ousadas já foram tentadas e já existem há anos, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Maceió, cidade cuja geografia e organização em suas áreas afastadas das praias se assemelha e recorda bastante a estrutura da Cidade Nova, em Ananindeua, região metropolitana.

POTENCIALIDADES DEVE(RIA)M SER EXPLORADAS
Na cidade que ignora as outras mais próximas e esquece de si mesma, nem ao menos a cultura e o turismo de fato são bem explorados e/ou servem de grande e constante consolo. Uma rápida pesquisa no Google Trends mostra que nos últimos treze anos, notícias, imagens e dados sobre Manaus foram bem mais buscados que Belém. O que é lógico pelo (novamente) tal “efeito Copa”, pode ferir o "ego paraora" pela observação do caráter de inércia a que muitas vezes estamos submetidos e que alimentamos... Nesse sentido, a gestão cultural insípida – mas que começa a dar sinais de maior organização e crescimento – talvez mais atrapalhe que colabore.


Segundo o Google Trends, desde 2004 até 12 de janeiro de 2017, Manaus é muito mais "buscada" que Belém. Lembre-se: no site você pesquisa, busca, o que tem interesse, precisa saber, quer conhecer mais... Imagem: Pesquisa de Enderson Oliveira/ Reprodução Google Trends

Para o diretor e roteirista Fernando Segtowick, “basicamente o que se tem falado de positivo sobre Belém é a sua cultura, mas, infelizmente, os espaços voltados a ela estão situados, na sua grande maioria, nos bairros centrais da cidade. Se pudesse dar uma sugestão é a criação e o fomento de espaços/iniciativas culturais na periferia de Belém. Quem sabe um circuito de salas de cinemas populares como foi feito pela Spcine em São Paulo? Sem dúvida, na realidade atual da cidade parece um sonho, mas que poderia começar pelo incentivo aos cineclubes nesse bairros. É triste que se tenham poucas salas de cinema na cidade, e, a grande maioria, voltada unicamente ao cinema comercial”, exemplifica.
A ousadia da ideia de Fernando não é aleatória e possui certa lógica, considerando a proximidade e atenção do produtor sobre gestão. Com trajetória peculiar e importante que vai além dos clichês de Belém e Amazônia, Fernando é sócio da produtora multiplataforma MARAHU. Recentemente dirigiu as séries "Eu Moro Aqui”, vencedora do 1o Edital Cultura de Audiovisual e "Diz Aí Amazônida", exibida no Canal Futura, e indicada ao Prêmio TAL como umas melhores séries de relevância social da América Latina. Em 2017, vai lançar dois curta-metragens: o documentário “O Caminho das Pedras" e a ficção "Canção do Amor Perfeito".



Gestão, gestão, gestão... Talvez a falta dela seja o grande problema do corolário dos demais que aqui são listados e que você já deve ter lembrado ou observado ao olhar pela janela ou outro local que tenha acesso agora.
É necessário ter pensamento estratégico e gestão desde coisas “pequenas”, como cuidar deste blog e página no Facebook; bem maiores como criar, inovar e manter espaços/lojas/casas de show (observemos, em especial nos bairros do Umarizal e do Reduto, a quantidade de locais que abrem, "tornam-se sucesso" e, em alguns meses, fecham as portas, sendo prosseguidos por outros lugares que seguirão no mesmo ciclo) até chegar de fato na necessidade de uma gestão focada literalmente na política (tal qual o conceito aristotélico), pública, atualizada e citadina.
Neste sentido, para Tienay Costa, cientista política e professora, “nossa cidade tem tantas potencialidades, porém precisamos urgentemente de uma gestão pública mais comprometida e responsável, que possa priorizar não apenas o turismo ou o crescimento econômico, mas também a promoção de oportunidades, a valorização cultural, a segurança e a democratização do espaço público. Se eu pudesse dar um conselho a Belém, diria para sermos mais exigentes com nossos representantes e menos individualistas do ponto de vista político. Para os 401 anos e diante, desejo mais senso de coletividade, mais consciência e criticidade”, define.
Indo além, a publicitária, professora e candomblecista Thiane Neves Barros, comenta que "Belém precisa urgentemente garantir direitos à sua população. Direito ao transporte acessível e de qualidade, direito à moradia e à saúde em toda a sua extensão, gerar oportunidades de crescimento horizontal tanto na cidade quanto nas ilhas. Nesse ano 01, precisamos recomeçar olhando para as pessoas, pensar na Belém que queremos, planejar e estabelecer metas para uma cidade que tem todo o potencial para ser mais harmônica. Belém merece um pacote de políticas públicas que precisa ir além das gestões partidárias. Desejo que a população de Belém seja menos violentada pelas balas de um Estado tão opressor e pela má gestão política, que as periferias não sejam mais o palco de tantas chacinas, que a juventude negra tenha as mesmas oportunidades que as juventudes brancas e asiáticas. Desejo menos cárcere, menos linchamento, menos punitivismo".



É ainda Thiane que complementa: "que os Povos Tradicionais de Matriz Africana (candomblé, umbanda, pena e maracá, mina, Daime, e todas as demais) tenham as mesmas garantias que o poder público municipal possibilita às demais religiosidades, que as populações indígenas sejam respeitadas nessa cidade e que as gestões sejam cada vez menos racistas. Não existe um bom futuro para Belém, se o racismo continuar matando tanto por aqui. Desejo também menos feminicídio, mais atenção primária de combate à violência contra as mulheres. Temos como pensar em um recomeço com equilíbrio, equidade e garantia de direitos aos povos e suas tradições que constituem a população dessa cidade que é a minha cidade. Eu amo Belém e sonho com outros 400 anos para nós", afirma.
Segundo a mesma linha de pensamentos e desejos, o ator e diretor teatral Caled Garcês, por exemplo, deseja que Belém tenha “muita segurança e cuidado que acolhe tantos corações, ritmos, belezas naturais, crenças e fé. Que as pessoas possam olhar com mais carinho e zelo pra esse lugar que é lindo na sua essência mas que por falta de cuidado, acaba refletindo uma realidade que não é a que esperamos: a do abandono. Eu desejo que a cidade morena, terra das mangueiras, do Círio e tacacá seja cuidada da maneira que merece, com amor, carinho e respeito para que a sua beleza resplandeça não somente para os que aqui habitam, mas para o mundo. Eu desejo mudanças para ti, Terra do açaí, e que os frutos de todos esses cuidados te tornem a Belém Morena onde todos amem e queiram estar", enfatiza.


Com pouco mais de 1,5 milhões de habitantes, o crescimento de Belém é completamente desordenado.Foto: Cezar Magalhães

LUGARES (DE FALA)
Repleta de imaginários e lugares de fala como “nada aqui presta”; “ruim com fulano, pior sem ele”; “no tempo do Barata...”; “na época da Borracha...”, talvez (a população de) Belém seja marcada pela inércia. Sejamos sinceros e atenciosos: reclamamos muito, fazemos pouco (e não raramente ainda duvidamos/ criticamos quem faz), cansamos rapidamente. Esperar uma solução dos céus é mais cômodo e mais simples. Ad(Mirar) outros locais é melhor ainda. O “problema” é que tal admiração muitas vezes também parte de imaginários (nem sempre "reais") como “lugar com mais oportunidades”, “cidade maravilhosa”, “lá pelo menos tem praia”, “vou poder usar roupa de frio” e assim por diante. Neste contexto, uma região torna-se mais especial: o Sudeste. O El Dorado da Amazônia contemporânea. A Pasárgada pós-moderna onde se-trampando-tudo-dá.
Sair de Belém e exilar-se e/ou tentar crescer em outra cidade é errado? Claro que não. A atitude ajuda de fato a capital paraense? Provavelmente não, o que não significa que é algo condenável, obviamente. Pelo contrário: só se cresce em contato com o outro, com as trocas.
“Como leitora do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) e professora visitante na UFPA desejo às universidades da cidade que se abram mais, que recebam mais estudantes e professores de fora e mandem os seus docentes e estudantes para outros lugares, e que aprendam línguas estrangeiras (não só o inglês), porque cada nova língua pode dar uma nova visão ao mundo e possibilita um conhecimento e entendimento melhor do "outro" e um diálogo entre pessoas com perspectivas diversas”, destacou Sabine Reiter, que é linguista e entre 2001 e 2006 trabalhou como pesquisadora em um projeto de cooperação alemão-brasileiro no Museu Paraense Emilio Goeldi na área de documentação de línguas indígenas.
Indo além, esse imaginário-devoção por outras capitais pode causar outros tipos de “danos” à capital paraense. Neste sentido, a editora de vídeos Adrianna Oliveira aconselha: “Invista nos seus. Não pense que o que vem de fora sempre é melhor. Talvez, dessa maneira, Belém não seja na nossa memória, apenas a cidade da nossa infância, um ambiente que não nos pertence mais porque tivemos, quase que obrigatoriamente, tentar a vida em outro lugar. Assim, eu acredito que um dia, talvez, ela seja ovacionada como um lugar que te pede, mas que te dá de volta também”.


A cidade se reflete em uma poça qualquer de água e lama... Foto: Angelo Cavalcante. A foto integra o acervo do projeto de pesquisa Fisionomia Belém.

Adrianna afirma ainda que “Eu tenho a impressão de que quase tudo fora do eixo sudeste, centro oeste e sul é mais difícil. Frete grátis para todo o Brasil, exceto norte e nordeste. Nortista é nordestino no sudeste, castanha do Pará agora é castanha do Brasil. O que é nosso, no fim das contas acaba sendo deles também, mas as oportunidades deles quase nunca são nossas. Então o que eu desejo pra gente é orgulho, daqueles bons, porque a gente remanesceu a muitas dificuldades e ainda assim continuamos a produzir. Desejo também que trabalhadores se ajudem, que a gente incentive os profissionais daqui ao invés de acreditar mais uma vez que o que vem de fora é melhor”, destaca.
Curioso é perceber que talvez pessoas "de fora" por vezes vaorizem mais a cidade que nós mesmos. Para a colombiana Ana Patricia Cacua Gélvez, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários da UFPA, a população de Belém em geral é "muito acolhedora, são pessoas muito boas, que ajudam muito os estrangeiros", enfatiza. Ainda assim, não deixa de lado os problemas estruturais que a cidade possui, em especial o lixo e a insegurança. "Meu desejo é que Belém fosse muito mais limpa, tem muito lixo nas ruas. A solução com o problema da limpeza pede urgência", afirma.
"À medida que a gente passa mais tempo na cidade a gente aprende a ter mais carinho pela cidade, muito mais amor, como se fosse parte nossa, por isso torço que tenha mais índices de emprego, que as pessoas fiquem bem e que seja uma cidade mais segura e especialmente mais limpa", deseja a pesquisadora.

A "CIDADE POLIFÔNICA" E SUAS PERSPECTIVAS
Para tal fazer emergir tal orgulho, talvez seja necessário fazer uma força-tarefa em áreas/ “instituições” como na educação, nas famílias e nas mídias. Mais ainda: deveria vir com a proximidade da história para (re)conhecer de fato Belém. Estranhá-la. Compreendê-la. Aceitá-la. Sem resignação, mas sim com a paciência de quem sonha em fazer um grande amor crescer e melhorar ao seu lado.
As ações conjuntas são sugeridas por Sandro Ruggeri Dulcet, espanhol nascido em Barcelona, em 1962. Formado em Arte Dramática com especialidade em cenografia teatral, mora em Belém desde 1994. Atualmente Sandro dirige a empresa de tradução e interpretação Humana Com & Trad e o Instituto Humana, que atua na área da arte educação e em projetos sociais.
Para Sandro, deve haver uma intervenção e modificações levando em conta:
a) Cidade como espaço de convivência; a relação entre o usuário do espaço urbano e o próprio espaço físico: inúmeros exemplos de falta de percepção por parte dos cidadãos de que esse espaço é de uso partilhado, onde os meus direitos têm que entrar em sintonia com os dos outros. A falta de percepção deveria ser corrigida pelo poder público, que falha na aplicação do Código de Postura. A solução passa por uma intervenção maior e mais harmoniosa de todos os participantes. Essa intervenção envolve aspectos pontuais como a limpeza, o comércio informal, e mais amplos como a construção onde o antigo e o moderno entrem num diálogo mais proveitoso.


Natureza e urbanidade se encontram e dialogam, pacificamente ou não, diariamente na capital paraense. Foto: Maycon Nunes

b) Cidade como espaço de educação ambiental: Trata-se de uma cidade na Amazônia, água e floresta deveriam ser os protagonistas, mais do que asfalto e prédios. Por que não fazer de cada canteiro um lugar para que as diferentes espécies locais sejam conhecidas, com informações detalhadas sobre a história biológica da Região? Isso passa por um projeto de arborização que teria como objetivo, também, fazer com que o pedestre pudesse andar nas ruas ao abrigo do sol equatorial e da chuva torrencial.
c) Cidade como espaço de luz: No mesmo sentido, aproveitar tudo aquilo que nos lembre que esta cidade não é uma cidade implantada, mas tem as suas peculiaridades, o seu jeito pessoal e intransferível, e o seu urbanismo e arquitetura deveriam refletir isso, sem cair num regionalismo folclórico e bairrismo redutor. Nesse sentido, as construções e o espaço urbano deveriam levar em consideração o clima, a iluminação, o regime das chuvas na hora de ser projetados e na sua realização.
Metas bonitas, quiçá utópicas, mas que precisariam de ações e pessoas de fato interessadas em ajudar a capital. E muito mais além. Para o doutor em Ciências Sociais, pesquisador, professor e escritor Relivaldo Pinho, “os problemas da cidade continuam os mesmos de algumas décadas e eles não serão resolvidos por jargões como ‘vontade política’, ‘determinação’, ‘coragem pra fazer’ e coisas do gênero. Belém precisa enfrentar a crise de sua urbanidade com conhecimento, planejamento, legislação mais eficiente. Se isso é um aspecto decisivo, isso não garante uma mudança do espírito de uma cidade que vem se deteriorando”, explica.
“Inchada, desordenada, violenta, Belém precisará de muito tempo para mudar esse espírito do tempo que a vem marcando e gravando em seus habitantes a sensação de suportar sobreviver na cidade e não de viver como uma experiência cotidiana. O cotidiano belenense, com exceção da sua imagem veiculada com saudosismo e uma valorização insustentável de uma identidade romantizada, sobrevive precariamente”, decreta o autor de "Antropologia e filosofia: experiência e estética na literatura e no cinema da Amazônia" (Ed.ufpa.) e diretor, junto com Yasmin Pires, do documentário Fisionomia Belém.



Como se nota, neste ciclo de ações e percepções, práticas e modos de compreensão de nenhum modo se distanciam. Pelo contrário. É o próprio Relivaldo que afirma que “espero, sinceramente, que a cidade sofra uma modificação nesses aspectos estruturais. E que essa modificação atinja, posteriormente, a subjetividade de seus habitantes. Belém só enfrentará esse desafio se tiver o retorno em ações estruturantes e se seus habitantes conseguirem assimilar um sentido de experiência que funde, minimamente, um sentido de pertencimento”.
De qualquer modo, o que sempre segue presente é a necessidade imperativa de que a mudança de fato, depende de cada um de nós. Clichê? Sim. Bastante. Porém, é necessário sim compreender o papel de cada um e desenvolvê-lo da melhor forma possível.
Por fim, para Marcelo Vieira, jornalista especializado em Sustentabilidade e professor, mora no Rio de Janeiro desde 2010, que mas mantém laços firmes com a terra natal, “Belém precisa mais do que nunca dos belenenses, tanto os nascidos aqui como os que a adotaram como cidade do coração, os que estão perto e os que estão longe, como é o meu caso". E isto porque é necessário "pensar a cidade com os olhos no futuro, no crescimento sustentado, na inclusão e no respeito, eliminando o oportunismo voltado a favorecer um ou outro grupo na luta pelo domínio político e econômico. Precisamos aprender a ser os cidadãos da Belém dos nossos sonhos - é o caminho para que ela se torne realidade”, finaliza.

Feliz chance de nova vida, Belém. Feliz ano um, 401.

Por Enderson Oliveira

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Postado por Enderson Oliveira
12/1/2017 às 18h12

 
Sigmund Freud, neuroses e ciúme em destaque



Sigmund Freud em seu escritório em Viena, 1937. Foto feita pela Princesa Eugenie de Greece, filha de Marie Bonaparte. Photo by Bourgeron Collection/RDA/Hulton Archive/Getty Images.


Na próxima terça-feira (10) terá início em Belém do Pará o “Ciclo Leituras de Freud”, no centro de Estudos Psicanalíticos do Pará (EPA), de 19h às 21h. O ciclo tem a finalidade introduzir, continuar ou aprofundar estudos em psicanálise, a partir de textos de Sigmund Freud, lidos no original alemão.
O ciclo será conduzido por Ernani Chaves, professor titular da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará (UFPA), importante estudioso brasileiro da obra de Freud e tradutor do volume de ensaios sobre Estética, publicados pela Editora Autêntica.
“Freud é considerado um pensador necessário e indispensável para problematizar questões fundamentais do nosso tempo. Nesse sentido, não se trata apenas de uma leitura clínica de Freud, mas também de uma leitura do social por meio de Freud”, explica Ernani.

Veja também: Das praças das cidades às dos shoppings: uma conversa com Ernani Chaves

O primeiro texto analisado é o ensaio “Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranoia e na homossexualidade”. Na obra é discutido não somente o aspecto clínico, mas também seu alcance social, na medida em que ele foi reapropriado por outros autores no interior da discussão da gênese do preconceito e dos processos de exclusão. Ao discernir três tipos de ciúme, o “normal”, o “projetivo” e o “delirante”, Freud abre um leque de perspectivas interessantes para pensarmos alguns aspectos da violência contra o outro atribuída ao ciúme.
Ainda de acordo com Ernani, "o curso discutirá como a massificação das formas de controle e vigilância por meio das novas tecnologias se conectam às formas delirantes ou projetivas do ciúme, cujas consequências podem ser trágicas", finaliza.

O MINISTRANTE
Ernani Chaves é doutor em Filosofia. Realizou estágios de pesquisa no exterior na Alemanha e na França. Possui pós-doutorados na Universidade Técnica de Berlim (1998) e na Universidade de Weimar (2003).

Veja ainda: Palestra “Walter Benjamin e a Fotografia de Cidades”, de Ernani Chaves, está disponível no Youtube

Foi pesquisador Associado na Universidade Técnica de Berlim (janeiro e fevereiro de 2013), pesquisador sênior na École Normale Superieure de Paris, de março a junho de 2015. Autor de livros e vários artigos nacionais e internacionais. Publicou recentemente, pela Editora Autêntica, uma tradução de textos de Freud sobre Estética.

SERVIÇO
Ciclo “Leituras de Freud”, com Ernani Chaves
Onde? Estudos Psicanalíticos do Pará (EPA), localizada no Ed. Village Boulevard (Av. Senador Lemos, 435, sala 301, Umarizal, Belém)
Quando? Terças de janeiro (10, 17, 24 e 31), de 19h às 21h
Inscrições: R$180,00.
Mais informações: (91)99982-2582/ (91)3085-2010/ epa@epapsicanalise.com.br


Por Enderson Oliveira

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Postado por Enderson Oliveira
9/1/2017 às 09h21

 
Educação rima com Inspiração (e Comunicação)



O prêmio do Portal Imprensa visa destacar os professores mais inspiradores do Brasil! Imagem: Divulgação


Inspirar alguém é, sem dúvida alguma, um grande desafio. E fazer isto em sala de aula, muitas vezes após um dia cansativo em que alunos e alunas já vieram de trabalho, estágio ou mesmo outras ocupações, parece ser um desafio maior ainda. Isto, no entanto, não parece ser problema para cinco professores paraenses que foram indicados ao "Prêmio Professor Imprensa", projeto que reconhece os professores mais inspiradores da área de Comunicação no país todo. Para minha grata surpresa, faço parte desta lista.
Além de mim, atualmente professor na Fapan, Fapen e Estácio Fap, em Belém, fazem parte da lista os paraenses Danilo Caetano (Fapan, Fapen e Feapa)Rita Soares (repórter no Diário do Pará e professora na Estácio Fap), Viviane Menna Barreto (Estácio Fap) e Will Montenegro (Fapan, Fapen e Feapa). Nós fomos indicados por alunos e ex-alunos durante o mês de outubro. Completando a lista da região Norte concorre ainda Ivânia Vieira, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).



É possível votar até o dia 17 no prêmio. Basta clicar aqui.

As indicações contemplavam docentes que lecionam ou já lecionaram alguma matéria em cursos de Comunicação Social: Jornalismo, Publicidade/Marketing, Relações Públicas e Rádio & TV.
Segundo a organização do prêmio, foram recebidas 576 indicações de 107 instituições de ensino de todo o Brasil. Ao todo, 242 professores foram homenageados por seus alunos. A lista final conta com 26 nomes e, destes, cinco são paraenses. Ou seja, so o Pará conta com praticamente 20% dos indicados de todo o país.
Creio que o prêmio é importante porque parte exatamente de quem mais importa no processo de educação, que são os alunos. Mais que isto: mostra que o mais importa não é somente apresentar conteúdos e cobrá-los em trabalhos e provas, mas sim inspirá-los para terem atitudes melhores e pensarem alto, saindo das paredes das salas de aula e levando exemplos e ensinamentos para a vida.

A votação dura menos de dois minutos. Para votar em mim basta clicar aqui aqui.

Indo além, observando a comunicação e seu ensino atualmente, creio que, apesar de ser clichê, o grande desafio no ensino da área atualmente é fazer parte de um momento em que a realidade e a forma de representá-la estão cada vez mais velozes e vorazes. Ver a história ocorrendo e, de algum modo, contribuindo com ela, transforma o mundo cada vez mais em um grande 'hipertexto' ou mesmo em uma série de teias (d)e pessoas que vão se unindo, afastando, problematizando e, principalmente, dialogando.

Veja também o texto "Comunicação: conselhos para (jovens) pesquisadores"

Nós, professores, precisamos observar esta 'realidade em movimento' e utilizá-la em sala de aula com uma linguagem acessível e aproveitando as experiências do cotidiano dos alunos para discutir as teorias. Além disso, é fundamental ter sensibilidade para ouvi-los, incentivá-los a pensar além dos muros das instituições de ensino e deixar claro que esta cadeia comunicacional e educacional só é bem feita se aplicarem os conhecimentos não somente para tirarem boas notas e conseguirem um diploma, mas, principalmente, para levarem isto para outros momentos de suas vidas.
Inspirar é tocar vidas e precisamos estar atentos a estas mudanças para saber 'utilizá-las' com sensibilidade, honestidade e competência.

Por Enderson Oliveira

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Postado por Enderson Oliveira
16/11/2016 às 11h16

 
Pioneira no heavy metal brasileiro gravará clipe



Paulo Gui, Chamon e “Bala”, a atual formação do Stress, banda pioneira no heavy metal no Brasil. Foto: Divulgação


13 de novembro de 1982. Era noite de sábado e as imediações do estádio do Paysandu Sport Club, o Leônidas Sodré de Castro, mais conhecido como Estádio da Curuzú, localizado na travessa de mesmo nome com a Avenida Almirante Barroso, em Belém, estavam bastante movimentadas. A excitação e ansiedade pareciam ser visíveis, como me foi contado; tratava-se de uma noite histórica na cidade. Não, caro leitor, não era dia de alguma importante partida de futebol. Era dia de festa, de show da banda Stress, que lançava disco homônimo naquela noite.
Segundo Roosevelt “Bala” Cavalcante, vocalista do Stress, o show da banda pareceu suprir uma necessidade festiva na cidade, uma vez que “era véspera de eleições, não tinha muita coisa na cidade, tinha outras festas, mas o maior evento era o show do Stress, parecia que a cidade tinha parado pro lançamento do disco”, como afirmou em entrevista anos atrás.



Da esquerda para a direita, Wilson Silva, Pedro Valente, André Chamon, Roosevelt Bala e Sergio Fuleira, 1976: a primeira formação do Stress. Foto: Arquivo pessoal/ Roosevelt “Bala”

A história do Stress, no entanto, começou seis anos antes, sob outro nome: Pingo D’água, curioso nome que foi pensado devido ao formato do bumbo da bateria do grupo. Na primeira formação, Wilson Silva, Pedro Valente, André Chamon, Roosevelt Bala e Sergio Fuleira, deram início não somente a trajetória da banda, mas também a uma nova e importante cena do rock regional e nacional.
Com o tempo, a banda começou a se dedicar mais ao Heavy Metal e precisava de um nome mais impactante, “enérgico”, que representasse ao mesmo tempo um som pesado e rápido, como queriam fazer. Antes de Stress, pensaram em T.N.T. e Elektra. Ambos agradaram a banda, mas ainda sentiam falta de algo. Foi quando o guitarrista Pedro Valente sugeriu o nome Stress, até então desconhecido dos jovens músicos. Após explicar o significado do mesmo, chegaram a conclusão de que aquele era o nome ideal para a banda. Nascia o Stress.



“Bala”, como é até hoje conhecido, ganharia mais cabelos, peso e, ao lado de Pedro Valente, André Chamon e Leonardo Renda, se tornaram lendas vivas do rock paraense e nacional, tocando diversas vezes no Circo Voador, no Rio de Janeiro, abrindo o show da banda Iron Maiden, em 2011 e lançando o álbum ““Amazon first metal attack”, da coletânea com o selo europeu Metal Soldiers, o Live ‘n’ Memory, que ainda deve lançar outros álbuns da banda para o mundo todo.
Quatro décadas depois de sua “criação” (ainda que as datas sejam conflitantes, já que se fala da gênese da banda em 1974, 1976 e até 1977), o Stress fará um show naquele que já foi o templo do rock paraense na década de 1980, o Teatro Waldemar Henrique, no próximo domingo (16), a partir de 19h, para marcar não somente o aniversário da banda como também para a gravação do videoclipe da música “Heavy metal é a lei”.

O videoclipe
O clipe será dirigido por Paulo Roque, que é cineasta, professor na pós-graduação de cinema e fotografia da Faculdade Estácio e desenvolve vários projetos artísticos independentes. Paulo também dirigiu vários clipes, documentários e curtas-metragens, como Ao Quadrado e “A menina e o boto”.
De acordo com Roque, “a ideia de fazer o clipe surgiu no mesmo dia em que eu estava filmando o show da banda DNA para o clipe deles e o Roosevelt Bala estava lá assistindo o show. Depois quando viu o clipe pronto me disse que gostou da linguagem que usei relembrando o visual das bandas inglesas dos anos 70, foi então que combinamos de filme neste show o videoclipe”.



A obra, no entanto, ainda não possui data para lançamento. “Os primeiros takes serão no show e depois veremos se eles estão dispostos a fazer outras imagens. Já tenho umas ideias e a gente ficou de conversar depois do show. Mas tudo indica que deve ficar pronto antes do final do ano. Eles levaram 40 anos na estrada pra chegar aqui, não vou ser eu a ter pressa…(risos)”, disse Roque, descontraído.

Stress: a primeira banda de heavy metal do país
O primeiro disco do grupo foi gravado em agosto de 1982, no estúdio Sonoviso, no Rio de Janeiro. Possuía oito canções (Sodoma e Gomorra, O lixo, Mate o réu, 2031, O viciado, Oráculo de Judas, Stressencefalodrama e A chacina).
Como era obrigatório, as composições já haviam passado pela análise da Censura, que fez observações em quase todas, mas considerou principalmente duas ofensivas e inapropriadas. Arguto, “Bala” decidiu fazer alterações linguísticas e mesmo semânticas na escrita de alguns títulos: o que era “Lixo Humano”, passou a ser “Lixo, mano”, na canção “O lixo” e a canção “Corpus Christi” teve que ter seu título alterado para Oráculo de Judas.
Ainda para o lançamento do disco, o vocalista do Stress destacou o fato de os próprios membros da banda terem montado o palco para a apresentação no estádio da Curuzú que, anos depois, seria considerada a primeira de um show de heavy metal no Brasil. “Tivemos que carregar caixa de som, construir o palco, com perna manca, essas coisas. Naquela época se fazia as coisas mais na raça”, finalizou o “Bala”.



Ainda para o lançamento do disco, o vocalista do Stress destacou o fato de os próprios membros da banda terem montado o palco para a apresentação no estádio da Curuzú que, anos depois, seria considerada a primeira de um show de heavy metal no Brasil. “Tivemos que carregar caixa de som, construir o palco, com perna manca, essas coisas. Naquela época se fazia as coisas mais na raça”, finalizou o “Bala”.

Serviço
Show do Stress – 40 anos de carreira
Quando? 16 de Outubro de 2016
Onde? Teatro Experimental Waldemar Henrique, a partir de 19h
Locais de Venda: Lojas Arrepius (Gama Abreu, 1107) e Estação Chicago (Rua Carlos Gomes , 117).
Ingressos: R$40.00 / R$20.00 (meia somente com a produção ou na hora do evento)
Mais informações: (91)991141100

Por Enderson Oliveira

Observação: Parte das informações aqui publicadas foram coletadas durante minha pesquisa no mestrado no Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais (Antropologia) da Universidade Federal do Pará, que resultou na dissertação “Insólitos sons da Amazônia? Experiência e espírito de época na cena e no circuito rock de Belém do Pará entre 1982 e 1993”, apresentada em agosto de 2013.

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Postado por Enderson Oliveira
15/10/2016 às 08h51

 
Comunicação: conselhos para (jovens) pesquisadores



O Intercom Nacional ocorreu de 5 a 9 de setembro, na Universidade de São Paulo (USP). Imagem: Divulgação.


De 2008 até este ano, tive mais de dez trabalhos publicados nos anais das reuniões da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, a Intercom. Por “chatice” (discernimento?), não gosto de nenhum deles. Ou melhor: só de alguns, em parte. “E olhe lá”. Na verdade nem sei o que penso sobre, não os leio depois de publicados. No máximo “consulto” vez ou outra; o texto tem vida própria e, após escrito, não se sabe o que pode ocorrer e prefiro não percorrê-los novamente.
Também não os leio porque até então considerava o Intercom um espaço menor de discussões, com temas repetitivos (pesquise, brevemente, por exemplo, “análise de capas de jornais policiais” ou filmes como “Clube da Luta” ou “Amélie Poulain” – a repetição parece ser agendada e é assustadora) e cujas análises e provocações (ora, academia é isto!) eram/são, em sua maioria, rasteiras ou inexistentes, não por incompetência dos autores, mas também pelas necessidades do mercado e pelas demandas quantitativas de instituições de financiamento e incentivo à pesquisa.
Admito, no entanto, que talvez esta visão tenha mudado nos últimos dias durante a edição nacional realizada na Universidade de São Paulo (USP) ou mesmo eu tenha “dado uma chance” para o Intercom de conhecê-lo de fato – ou “algo mudou”, minha hipótese preferida, pelo que ouvi de professores e outros membros do público. Em poucos Grupos de Pesquisa (GPs), alguns “Intercons Júnior” (IJs) e nenhuma mesa (bate-papos pops em que a preocupação central é fazer selfie com os debatedores não me interessam) pude perceber maior cobrança, poder de análise, provocações e respeito com a pesquisa em comunicação. Produtos, reconfigurações, temas instigantes e maior percepção da cidade como espaço de comunicação e interações foram pontos que mais me chamaram a atenção. E isto é ótimo, mostra crescimento e melhorias no evento.
Em uma leitura apressada e/ou mesmo geertziana (perdoe este autor pela referência atravessada, Geertz!), tais observações de alguns pontos talvez sirvam principalmente como reflexão para nós pesquisadores que temos certa trajetória e, especialmente, para jovens estudantes que começam a trilhar (n)este caminho da academia.
Levando tudo isto em conta, abaixo então listo e discuto alguns pontos que acredito merecerem destaque na “análise” do Intercom Nacional deste ano e que podem ser considerados “inspirações” (diagnósticos?) para as próximas edições regionais e nacionais, outros eventos e revistas. Na verdade, são observações e “sugestões” ("conselhos"?) para a pesquisa em Comunicação, em especial para quem vai começar na área.

01. Conheça (?) sua cidade
“Saber orientar-se numa cidade não significa muito. No entanto, perder-se numa cidade, como alguém se perder numa floresta requer instrução”, escreveu Walter Benjamin em Tiergarten (Obras escolhidas II, 1985). Mais que isso: encontrar na própria cidade temas e possibilidades de estranhamento são difíceis, desafiadores e, obviamente, estimulantes.
Seja como local de trocas, seja de passagem, seja até mesmo como paisagem, objeto comunicacional de propagandas ou algo do tipo. Ela é importante e deve ser melhor observada, conhecida, “estranhada” e analisada. O aspecto turístico, midiático, redes de relações, atenção à produção cultural, imagens e imaginários despertam muito interesse. Apostemos nisso, mas sem sermos ufanistas e não fiquemos totalmente presos a ela.

02. É hora de (re)criar!
No país dos concursos públicos (muitos possuem como meta de vida a tal estabilidade financeira proporcionada pela aprovação em algum certame), sindicatos, greves anuais, falta de incentivo à iniciativa privada, visão equivocada de empresas (pense na novela ou filme que você acompanha ou já assistiu: o empresário era uma boa pessoa? Provavelmente não…), empreender é um desafio praticamente quixotesco. Ainda bem.
Atualmente é possível pensar e produzir aplicativos, sites, cursos, oficinas e criar startups que fujam de lugares comuns, que lidem com outros públicos e que não sirvam unicamente ao ego do seu criador, mas também como novas alternativas e melhorias à sociedade (Expocom sempre é uma oportunidade…). Não se faz revolução (no sentido real, não de livro de auto-ajuda ou frase de tatuagem clichê) de cima para baixo. Este é e sempre será um bom caminho, ainda que os passos no tal caminho das pedras sejam escorregadios.

03. Trocas são fundamentais
Meses atrás ouvi de uma pessoa que ministra aulas em uma instituição de ensino que temia convidar docentes de fora da faculdade para avaliar os trabalhos de seus orientandos. A frase, que pode ser interpretada como falta de confiança no próprio trabalho e na própria capacidade intelectual, aponta exatamente para o contrário do que é ciência: troca, inovação, recebimento de críticas que provoquem evoluções e melhorias e que, assim, se fuja do comodismo que muitas vezes domina a academia e mesmo a vida na urbe belenense. É preciso se expor, expor trabalhos, saber dialogar, comentar, estranhar-se, desafiar-se e receber críticas. Assim crescemos como pessoas e a produção acadêmica também se desenvolve. Todos ganham.

04. Não se deixe cair na tentação dos objetos…
Minha trajetória é repleta de análises e discussões sobre alguns produtos, principalmente (ou em sua totalidade) estéticos, culturais de Belém, Amazônia, onde nasci e ainda resido. Isto é bom? É. É estilo? Talvez. E daí? Pode ser algo bem melhor. Ora, não raramente observamos objetos que já conhecemos muito e em que o distanciamento e poder de análise ficam comprometidos por relações de afeto e mesmo de proximidade. Isto embaça a visão e torna o texto um panfleto ou release.
É necessário também fazer discussões maiores. A realidade está em movimento (frase clichê) e a maioria das cidades são repletas de alternativas e sujeitos que (res)significam espaços e processos culturais e comunicacionais e que precisam de uma atenção maior. Observar isto é observar não somente a comunicação, mas os sujeitos que a produzem. Não esqueçamos que comunicar é humano. Somos nós mesmos que devemos, mais que notar e debater paradigmas, conceitos e categorias, nos observar e tentar compreender-nos e isso não se dá somente através da análise de alguns objetos, mas sim de panoramas mais amplos que podem ser (re)visitados.

05. Região não define “nível”
Infelizmente ainda há em alguns casos a impressão ou "crença" de alunos e instituições de ensino de cidades do "eixo Centro-Sul" estão avançadas, há anos-luz, em relação a outras, como da Amazônia, e que não é possível chegar em um nível próximo. Ledo engano, acredito.
Que há investimentos e toda uma rede de incentivos, pesquisas, bibliotecas, maiores possibilidades de viagens e demais estruturas em grandes centros é claro. No entanto, tomando por base as discussões do Intercom, afirmo convicto o óbvio: a diferença de região não define “níveis”. Vi apresentações de pessoas de grandes universidades da região Sudeste que leram a base do trabalho (o que é inaceitável, ainda que seja de estudantes de graduação), tornando a apresentação enfadonha e sem sentido; apresentações inseguras de mestres e doutores; estudantes e professores “fora do eixo Sul-Sudeste” que conseguiram segurar a plateia com apresentação envolvente e segura e outros diálogos que mostram que basta querer, se dedicar e ter um bom acompanhamento que se alcança não somente bons resultados, mas modificações no modo de se pensar e produzir comunicação e a certeza e tranquilidade de ter feito um bom trabalho.
É isso que irá diferenciar oportunistas de pessoas que se debruçam sobre temas e possibilidades, sejam os “sérios”, sejam temas mais “malucos” e nem por isso menos importantes. É isso que fará nossa pesquisa (em comunicação) sair de lugares comuns como análise do próprio empreendimento só pela proximidade e pressa, de páginas de jornais policiais e outros clichês. É isso que poderá fortalecer outras iniciativas, trabalhos e toda uma rede que permita, em especial na Amazônia e em Belém, a comunicação ter grandes pesquisadores e exemplos. Sonhemos forte. Pensemos grande!

P.S.: Em 2017 o Intercom Nacional será realizado em Curitiba-PR. É uma grande chance para colocar estas ideias em prática e, ao longo dos processos, descobrir outras possibilidades também.

Por Enderson Oliveira

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Postado por Enderson Oliveira
14/9/2016 às 11h19

 
Mostra apresenta cinema da Amazônia no RJ



A Batalha de São Bráz (2016), de Adrianna Oliveira, é um dos destaques da programação da Mostra. Imagem: Divulgação.


O cinema da Amazônia será destaque no Rio de Janeiro no próximo dia 10 de setembro. Neste dia, terá início a “Mostra Belém-para-Brasil”, evento prévio do 4º Festival de Audiovisual de Belém (FAB 2016) que levará obras audiovisuais produzidas no Pará para cidades de fora do estado.
A Mostra visa incitar mais ainda a circulação do audiovisual paraense no cenário nacional. Além da exibição das obras selecionadas, haverá ainda Mostra de vídeos de convidados e bate-papo com dois convidados especiais: o cineasta Christian Jafas (responsável, dentre outras obras, pelo curta Cine Paissandu: histórias de uma geração) e o ator de teatro e TV Michel Melamed, da Rede Globo.

Saiba mais sobre o Festival de Audiovisual de Belém 2016 clicando aqui.

A atividade também é realizada aproveitando os 400 anos de Belém, comemorados este ano. A primeira sessão será realizada às 15h do dia 10 de setembro, na Estação das Letras, no bairro do Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro-RJ. Para outubro estão previstas exibições em espaços culturais em São Paulo-SP e Belo Horizonte-MG.

Orgulho e expectativa
Para o jovem produtor audiovisual paraense Lucas Moraga, que teve dois vídeos selecionados (Pôr da Terra e Seleção Natural), a Mostra “é uma oportunidade enorme mostrar seu trabalho para mais pessoas além da cidade onde mora. Estou bastante animado de saber que outras pessoas estarão vendo fisicamente os dois vídeos selecionados”, destaca. Moraga ainda comenta que “em Belém, apesar do pouco incentivo, tenho visto que está havendo uma preocupação a mais com produções que prezem também pelo conteúdo universal tendo nossa capital ou regiões próximas como cenários de situações que ocorrem no cotidiano de muitos. Muitos talentos estão se revelando e para a cidade é uma chance de mostrar o que o paraense sabe fazer no que diz respeito ao audiovisual”, enfatiza.


Já para Paulo Roque, que há anos trabalha na área e também teve dois curtas selecionados (A menina e o boto e Promesseiros), a Mostra é uma “experiência interessante por vários aspectos. Um deles é o fato de estarmos ampliando nossas fronteiras e levando nossas produções a novos espaços. Outro aspecto relevante é que a premissa de ter nossos curtas em uma mostra nacional reflete o reconhecimento acerca de nossa produção. Dessa forma, acredito que a mostra Belém-para-Brasil credencia a produção audiovisual paraense a nível nacional e que possa gerar novos convites e um intercâmbio cada vez maior com outros festivais e outros realizadores”, finalizou.

Veja a lista de obras selecionadas para a Mostra:
A Batalha de São Bráz (Adrianna Oliveira, 2016, 26')
A Menina e o Boto (Paulo Roque, 2014, 9'30")
Catadores de Sonhos (Homero Flávio, 2015, 25')
ES.CO.LA (José Maria Pinheiro de Souza Neto, 2016, 12'25")
O Dia Seguinte (Vince Souza, 2011, 03'18")
Pôr da Terra (Lucas Moraga, 2015, 8'50")
Promesseiros (Paulo Roque, 2015, 17'30")
Rotina (Maycon Nunes, 2016, 3'56")
Seleção Natural (Lucas Moraga, 2016, 5'42")

Convidados especiais
Durante a programação, dois convidados discutirão as obras e também falarão de suas trajetórias no audiovisual nacional. Saiba mais sobre os dois convidados:
Michel Melamed: Ator, poeta, autor de teatro, performer e apresentador de televisão. O André Newmann da série "Afinal, o que querem as mulheres" (2010), o do Dom Casmurro de "Capitu"(2008) e o Ariel de "Além do Tempo" (2015).

Michel Melamed atualmente apresenta o Bipolar Show no Canal Brasil. Imagem: Divulgação.
"Seewatchlook" (2014) e, mais recentemente, o inusitado "Bipolarshow" (2015/2016) fazem parte de seus mais conhecidos projetos que mesclam experiências, teatro, audiovisual e outros tipos de arte.

Christian Jafas: Formado em Comunicação Social pela UFRJ, trabalha com audiovisual desde 1994. No início da carreira, ainda na faculdade, dirigiu quatro curtas-metragens de ficção exibidos em festivais nacionais. Em TV, atua como diretor e roteirista desde 1999 tendo dirigido mais de 300 programas para a UTV, TVE/Rede Brasil e VideoSaúde. Fez diversos trabalhos como câmera e diretor de fotografia, entre eles os documentários "Chico Anysio é" (2007) e “Mário Carneiro: Artista Brasileiro” (2005) para o Canal Brasil. No cinema, participou da produção do filme “JK: Bela Noite para Voar” (2009) e fez a câmera principal do documentário em longa-metragem "Giselè Omimdarewa" (2009).

Christian Jafas é o responsável pelo documentário Cine Paissandu: histórias de uma geração, sobre o cinema carioca que foi fechado em 2008. Imagem: Arquivo pessoal.
Retomou sua trajetória como diretor tendo lançado “Cine Paissandu: histórias de uma geração” em 2014 e “Herança Social” em 2016. Agora inicia a edição de “Cine Globo: uma vida de cinema” que contará a história da família Levy e do Cine Teatro Globo de Três Passos/RS, um dos cinemas de calçada mais antigos do país e que segue em plena atividade até hoje.
Além da Mostra e bate-papo exclusivos, os participantes receberão certificado e haverá distribuição de shots de cachaça de jambu e venda de bombons de frutos regionais no local.

Participe!
# Mostra Belém-para-Brasil
Onde? Estação das Letras (Rua Marquês de Abrantes, 177, lojas 107/108, bairro do Flamengo, Rio de Janeiro)
Quando? 10 de setembro, de 15h às 19h.
Entrada franca com direito a certificado.

Por Enderson Oliveira

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Postado por Enderson Oliveira
9/9/2016 às 08h55

 
Livro relaciona Michel Foucault e a Antropologia



Interessado em Filosofia e História, Michel Foucault estudou na Sorbonne, onde se graduou em Filosofia e no Instituto de Psicologia, onde especializou-se em Psicologia Patológica. Imagem: Divulgação.


A obra de Michel Foucault (1926-1984), há tempos, vem construindo uma complexa relação com as ciências humanas, em especial com a Antropologia. Alguns de seus conceitos entraram no cotidiano do empreendimento antropológico para serem utilizados como verdadeiras “palavras de ordem” ao ponto de até mesmo tornarem-se “lugares comuns”; não raramente é possível encontrar elogios, enfrentamentos e reutilizações conceituais ora na relação de Foucault com a Antropologia, ora da Antropologia em relação à Foucault.
Neste sentido, novas perspectivas, discussões e reflexões são fundamentais como, por exemplo, as presentes no livro Michel Foucault e a Antropologia, de Heraldo de Cristo Miranda, professor e doutor em Ciências Sociais, que será lançado na próxima terça-feira (23), no Sesc Boulevard, em Belém.
A obra é resultado do doutorado do autor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Pará (UFPA), cuja tese foi defendida em 2012, sob a orientação do Prof. Dr. Ernani Pinheiro Chaves, que assina a apresentação do livro. Durante a produção, foi necessário recorrer à produção original do autor na França, não disponível no Brasil à época. O objetivo era realizar uma pesquisa na antropologia francesa quanto à presença de Michel Foucault em seus estudos e analisar a recepção das teses foucaultianas na antropologia francesa contemporânea, a partir de uma pesquisa nos Arquivos Foucault, presentes no Institut Mémoire de l’Edition Contemporaine (IMEC) em Caen, na Normandia, França. Foi aí, então, que entre outubro de 2010 e setembro 2011, o autor realizou estágio doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), no Institut Marcel Mauss, sob a orientação do Prof. Dr. Daniel Cefai, ampliando assim não somente as fontes de pesquisa como as possibilidades de discussões entre Foucault e a Antropologia.


O livro será lançado no dia 23 de agosto, às 19h, no Sesc Boulevard, em Belém do Pará.

No livro, que propõe uma crítica que ultrapassa a apologia ingênua ou o desprezo analítico, três temas são destacados: a etnologia do presente, o poder e a escrita antropológica, que promovem a discussão de duas tradições, a francesa e a norte-americana, bem como uma série de diálogos com os antropólogos mais contemporâneos, herdeiros ou não de Claude Lévi-Strauss e Clifford Geertz, tornando assim a obra importante e necessária seja para iniciantes, estudantes, professores ou ainda pesquisadores com produções de maior fôlego.


José Carlos de Castro, Michel Foucault e Benedito Nunes na Ilha de Mosqueiro, região metropolitana de Belém, em 1976. Saiba mais sobre a presença do filósofo na capital paraense clicando aqui. Imagem: Reprodução

“Uma das contribuições deste livro, penso, é quanto a recepção de Foucault no Brasil e, por que não, o prosseguimento de uma tradição local desta recepção: Benedito Nunes e o encontro com Foucault em sua passagem por Belém da década de 1970, o livro de Ernani Chaves, publicado na década de 1980, intitulado Foucault e a Psicanálise, entre outros. Sem o brilhantismo dos dois citados, tento me inserir nesta tradição”, destaca Heraldo. Ainda de acordo com ele, “o livro pode contribuir, frente ao crescente interesse por Foucault no Brasil, a uma problematização acerca da apropriação de sua extensa obra nas diversas áreas do conhecimento, em especial o campo das ciências humanas, ou seja, tenta contribuir – e talvez aumentar ainda mais – as polêmicas deste debate”, explica.

Saiba mais e compre o livro clicando aqui.

Tal debate muitas vezes parte da relutância de alguns pesquisadores em utilizarem a obra de Foucault. Sobre isto, Miranda esclarece que “O próprio Foucault diz: ‘Eu não sou um pesquisador em Ciências Sociais’. Não há em Foucault um projeto etnológico, mas antes um real interesse seu pelas reflexões antropológicos e ao mesmo tempo, um interesse, por parte dos antropólogos, por sua obra”, finaliza.

Bate-papo marca lançamento
O lançamento do livro, além de contar com sessão de autógrafos do autor, terá ainda o bate-papo “Tensões e prazeres do pesquisar: experiências nas ciências humanas”, com a participação do Prof. Dr. Ernani Chaves e o Prof. Dr. Fabiano Gontijo e mediação do próprio Heraldo de Cristo Miranda.
A atividade propõe uma troca coletiva acerca das experiências de pesquisadores das ciências humanas, especificamente das áreas da antropologia e filosofia, através da criação de um espaço de diálogo em torno do “fazer-se pesquisador”. Trata-se de um momento para dialogar sobre esse construir/desconstruir do lugar dos sujeitos junto as pesquisas institucionais e assim promover um conjunto de trocas de experiências, discussão e divulgação de conhecimentos entre todos.

O autor
Heraldo de Cristo Miranda é graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará (2000); mestre em Sociologia pela UFPA com a dissertação Desencantamento e Transcendência: uma Sociologia da Modernidade na Obra de Dostoiévski, sob orientação da Prof. Dra. Katia Marly Leite Mendonça, e doutor pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais, Universidade Federal do Pará, com a tese de intitulada Michel Foucault e a Antropologia, sob orientação do Prof. Dr. Ernani Pinheiro Chaves.
Entre 2010 e 2011, realizou estágio doutoral na École des Hautes Études em Sciences Sociales (EHESS) de Paris, junto ao Institut Marcel Mauss, sob a orientação do Prof. Dr. Daniel Cëfai. Atualmente colabora com revistas como Recherches en psychanalyse e Revista Aurora de Filosofia e é professor no Instituto Federal do Pará (IFPA).

Por Enderson Oliveira, com informações da editora Prismas

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Postado por Enderson Oliveira
16/8/2016 às 08h51

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