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Quarta-feira, 20/5/2015
Blog de João Luiz Peçanha Couto
João Luiz Peçanha Couto

 
#carpacciosdefridaenquantoselfier

Elfos, selfs, selfinas, sereias, serinas: palavras que se conjugam diferentes de verbos, todas a ver com o que está fora mas se tramando com o dentro, reais e mitos, gasosas, enevoadas, ao mesmo tempo flutuantes como todo verbo, que confirmem os ulisses por aí espalhados. Os pretéritos não chegam ao perfeito porque Elisa usa uma Sony digital com boas lentes, zoom ótico potente de 250x, afanada temporariamente do padrasto, mas não conhece seus recursos. Corpo coalhado de tatuagens, flana desnuda do quarto no final do corredor até o banheiro antigo de azulejos azulclarinhos, posta-se à frente do bisotado gigantesco que era da bisavó paterna de sua mãe e clica. A imagem brota da pequena tela e denuncia que a dona do corpo nu fotografado mede perto dos 1,65m e não pesa mais do que 45, quem sabe a imagem daquilo que chamam de estética da precariedade, cartilagens e ossos tentando virem para a superfície do mundo real. Ossos e cartilagens ousam mais que eu, compartilhou enc(l)a(u)sulada. Lembrou-se das aulas que iniciou na graduação. Lá descobriu que, de acordo com a cromodinâmica quântica, os quarks podem se formar ligados em pares ou em trincas. Não imaginou a razão de precisar de saber daquilo, mas suspeitou-se quântica o bastante para prescindir de pares ou trincas. Flashmob de uma só, vê-se no lcd da Sony mostrando as faces que deseja, zapping de cliques: a curva de uma nádega em que repousa um dragão a despejar matizes de verde com labaredas vermelaranjas vomitadas da boca escancarada; o repouso inferior de um seio esquerdo promete brancuras fantasiosamente imaculadas e curtidas masculinas, eventualmente preteridas (o verbo "preterir" deve ter alguma ligação com pretérito, ela se pergunta quando ouve a voz rouca do narrador narrando) pelas femininas, brancura conspurcada por uma fênix sem preenchimento, só riscos tatuados se lançando no vazio, do nada a um mamilo, rascunho de bicho mitológico serpenteando-lhe a parte do corpo de que mais gosta e acaricia, fazendo bojos mornos com a mão, supostamente moldando curvas e cumes e mãos outras ali imaginadas (pensando bem, "preterir", se ligado a passado, tem alguma lógica: passado é tudo aquilo que preferimos deixar no passado, quem sabe); a curva fechada de um tornozelo em que se espalham flores de cerejeiras em tons de rosa e lilás, presente de amigo oculto do ex-namorado de seu pai. Tira as fotos, arqueóloga, como quem tira lascas, carpaccios da alma, a tela de três polegadas multiplicando-a em ângulos, geometria pós-cartesiana, como os totens gigantescos da ilha de Páscoa, as esculturas radiculares daquele artista plástico de Oslo de quem se esqueceu o nome, os romances daquele escritor espanhol que lhe tiraram os pés do chão, os quadros daquela Frida que não cansa de se pintar, a cabeça de uma estátua de Santo Antônio abandonada numa cidadezinha perdida nas profundas do Ceará, a partícula de deus que não dura mais que um bilissegundo, tudo isso está em cada clique, ela pensa, como o gesto que se forma na intenção, as vidas que poderia ter vivido, as mãos trançadas de Escher, os penduricalhos aparentemente inexplicáveis de Bispo do Rosário, as esfinges de palavras de Rodrigo Leão, a loucura de Foucault, um labirinto que se basta desde que alguém se perca nele. É como escutar vozes de mortos: um deslocamento, uma impossibilidade, tortuosidades do tempo, figurações no espaço, assombro de silêncios, um sopro, o último, palavra, letra, teta, buraco negro que suga tudo à volta e se resume a uma figura indiscernível, colorida, descansando para sempre esquecida num livro escolar distribuído pelo governo a crianças que, de semelhantes com ela, Elisa, só têm os mesmos ossos e cartilagens borboleteando por baixo da pele emaciada. Enfim sorri, orgulhosa e plenamente compartilhada, pupilas regozijadas com as curtidas multiplicando-se feito partículas quânticas na tela do tablet, lido enquanto flana, ainda nua, de volta ao casulo do fim do corredor.

Curtir (clique aqui).

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Postado por João Luiz Peçanha Couto
20/5/2015 às 13h34

 
Qualquer maneira de amor vale a pena

O número 70 da revista Cult trazia Paulo Coelho na capa. Dentro, uma entrevista exclusiva e uma análise do Onze minutos, último livro do mago brasileiro. Algum desavisado perguntaria: sinal dos tempos? A crítica, enfim, estaria se rendendo ao mago vendedor de 54 milhões de exemplares no mundo todo? Bom, achei que seria interessante falar sobre Paulo Coelho, e sobre o que ele representa em termos de mercado literário e editorial. Porque, sem levantar poeira, não se chega a lugar algum.

Um dado que não pode ser deixado de lado, quando se fala que a crítica não engole Paulo Coelho, é que um sujeito do quilate de Umberto Eco elogiou o Veronika decide morrer, livro do mago editado em 1998.
Isso foi numa revista alemã com nome cheio de consoantes — portanto não me peçam para citá-la aqui. Isto posto, será que é tão unânime assim o fato de que Paulo Coelho não presta e de que só os críticos verdadeiramente sabem o que pode ser classificado como Literatura, assim mesmo, com L maiúsculo?

Na mesma linha literária de Paulo Coelho, a que privilegia acima de tudo o entretenimento do público leitor, há outro escritor brasileiro que vem lançando livros que vendem bem, só que na vertente do terror. É gaúcho e se chama André Viamco.
Bons livros de terror escritos por um brasileiro? Desconheço antecedentes. Viamco, assim, preenche uma lacuna na literatura de terror produzida por brasileiros, o que já é louvável por si só.

Já que às vezes é necessário rotular coisas, tudo bem, vamos rotulá-las. Chamemos a Literatura de escritores como Paulo Coelho e André Viamco de Literatura de entretenimento e, numa outra ponta, a praticada por Joyce, por exemplo, e outros monstros sagrados, de Literatura de prospecção, já que é aí que acontece a pesquisa de novas formas de abordagem do real, do ficcional e tal.
Antes, diga-se que esta divisão é horizontal — nunca vertical. Portanto, não há uma literatura melhor que a outra. Há, sim, diferenças nas abordagens envolvendo personagens e situações.
Não podemos nos esquecer de que uma obra literária é feita para chegar às pessoas. E Paulo Coelho e André Viamco, aqui colocados como escritores brasileiros que, mesmo preterindo pontadas de originalidade e ousadia chegam ao seu público, conseguem fazer juntos com que, de uma forma ou de outra, sem nenhum exagero, milhões de brasileiros leiam seus livros.
Só isso já seria motivo para olharmos para eles de forma diferente: mesmo que se possa concluir que a qualidade passa longe do que se julgou correto chamar de Literatura, escritores que colocam tantos leitores se interessando por sua obra assumem um papel importantíssimo na formação de um público leitor.

A Literatura de Entretenimento, portanto, pode ensinar como se chegar ao leitor.
O que eu vejo é que há bons escritores de Literatura de Prospecção sendo editados no Brasil, sim. Só que esses escritores, não esquecendo sua qualidade literária ou até encantados por ela, não conseguem encantar o leitor.
Talvez lhes falte um pouco de humildade para ler o coração do seu leitor que, em última análise, e ao contrário do que imaginam alguns críticos, é o que é de fato importante? O alvo de todo artista deve ser seu público, pois não? Então, proponho que escritores aprendam com escritores. Uns, a ousar um pouco mais, aprofundar mais seus personagens. Outros, a tentar chegar mais perto do seu público leitor. O objetivo? O prazer da leitura.
Isso sim, pode significar um mercado editorial satisfeito, reciclando-se. Leitores satisfeitos por terem bons (e maus) livros à sua disposição e por preços mais em conta. Escritores satisfeitos por terem sempre um mercado azeitado e ansioso por novos títulos e, acima de tudo, por saberem que suas obras são lidas por milhares de pessoas.

É por aí que passa a tesão do escritor. O resto é balela.

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Postado por João Luiz Peçanha Couto
13/5/2015 às 22h46

 
Dúvida cruel

"Em grande parte do mundo capitalista, as fábricas ou desapareceram ou diminuíram tão drasticamente que dizimou-se a classe operária industrial clássica. O trabalho importante e em permanente expansão de criar e manter a vida urbana é cada vez mais realizado por trabalhadores precários, quase sempre em jornadas de meio expediente, desorganizados e com salários irrisórios. O chamado "precariado" substituiu o 'proletariado' tradicional" (HARVEY, David. Cidades rebeldes. P.17).

Este é um movimento que tem ocorrido no meios urbanos, sobretudo nos pós-coloniais - urbes das Américas e também na Ásia e África.
Não seria este precariado, em conjunção com o conceito de multidão (um movimento social urbano sem "cabeça", cujo exemplo brasileiro mais importante foi o das manifestações de junho de 2013) um superconceito (conceito composto) potente para a volta da discussão da utopia num mundo pós-moderno cinicamente globalizado?

A utopia existe, mesmo depois da queda do Muro de Berlim, que representou a existência de apenas uma lógica para o mundo do Ocidente? Onde ela mora? Alguém tem o CEP?

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Postado por João Luiz Peçanha Couto
13/5/2015 às 22h46

 
Comunidade e sociedade

Se a sociedade se constrói a partir de certas demandas homogeneizantes e da ideia de um vínculo comum de compartilhamento de uma identidade, a comunidade os nega.

A partir de Jean-Luc Nancy, a ideia de um comum desapareceu, e sua perda tramou-se como intrínseca ao conceito de comunidade. A ideia de sociedade, assim, faria prescindível a comunidade; a perda daquele comum tramaria a constituição da questão comunitária. Opostas, sociedade e comunidade: se uma caminha para a totalização, a segunda a desautoriza. Blanchot, partindo de recepção peculiar de George Bataille, retoma a questão comunitária em "A comunidade inconfessável", de 2013.

Se a sociedade se constitui na relação do mesmo com o mesmo - uma vez que se supõe o homogêneo como característico de seus expedientes -, a comunidade se compõe a partir do salto do mesmo para o outro. Não se trata de um movimento de partes que se direcionam para a composição de um todo, de um apaziguamento das franjas da subjetividade em nome de uma falsamente monolítica integridade, mas da afirmação de que a comunidade se constitui a partir daquilo que Bataille considera como "princípio de incompletude" ("principe d'incomplétude"): uma falta que não busca a alteridade para se completar numa síntese redentora, mas gera um movimento de choque, oposição, desafio, desconstituição e instabilidade a partir do qual afirma a incerteza de sua integridade.

O ser não busca ser reconhecido, mas contestado: ele vai, para existir, em direção ao outro que o contesta e por vezes o nega, a fim de que ele não comece a ser senão nessa privação que o torna consciente (está aí a razão de sua consciência) da impossibilidade de ser ele mesmo, de insistir como ipse, ou caso se queira, como indivíduo separado.

Dessa forma, a comunidade, aquela que busca, no extremo, sua desconstituição por conta de seu viés desestabilizante, afirma-se acima de tudo finita, uma vez se constituir na própria finitude dos seres que a compõem. Por isso, revela-se fraude a afirmativa de que a comunidade é composta por vivos: sua constituição e longevidade se constroem pela memória dos seus mortos e de suas ações, gloriosas ou não.

Tanto o fora se afasta daquela visada glorificante de transformação social quanto a comunidade se desirmana da tentativa unificante (e também glorificante) da constituição de um todo baseado num mesmo.

Seu poder, tanto quanto o do fora, está na insuficiência de seu trânsito no mundo; não busca por um fim ao confronto, mas pelo encontro com certo exagero de uma falta que, segundo Blanchot, "se aprofunda à medida que ele vá se preenchendo".

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Postado por João Luiz Peçanha Couto
11/5/2015 à 00h36

 
Gastronomia Mediterrânea pós-humana

uma proposta de intervenção metodológica

Por Bernadette Reutmann

Aquele homem está sendo devorado por canibais!
(Anônimo)

A afirmativa da epígrafe poderia derivar em engulhos se estivéssemos ainda sob o paradigma gastronômico do século passado. Entretanto, a asserção nos servirá de ponto de apoio para nossa investigação (Aqui reiteramos nosso reconhecimento ao incentivo dos dois órgãos de fomento à pesquisa, mencionados nos agradecimentos). Retomando a sentença que encima o presente ensaio: além de termos a sensação de estarmos iniciando a leitura de um romance de ingenuidade novecentista a figurar o embate cultural entre um "nós" e um "eles" ou ensaio multiculturalista que lembre as pós-utopias do século XXI, o choque inicial se daria em dois níveis: no escatológico e no gastronômico. A pretensão deste ensaio é revelar o imbricamento entre esses dois domínios, supostamente distantes, mesmo que a literatura sobre o assunto seja bastante incipiente e os órgãos de fomento à pesquisa última e lamentavelmente tenham apresentado comportamento avesso ao financiamento de investigações nesta linha de pesquisa, salvo exceções já mencionadas. Assim, em primeiro lugar a pele da vítima é lacerada por mãos humanas de unhas grandes e sujas, o que nos deixaria entrever primeiro que, abaixo dela, temos uma gordura amarelecida, semelhante à das galinhas, por exemplo. O consumido emite fortes gritos de dor, imediatamente abafados por furores ritualísticos dos comensais, excitados com o início do processo. Fury (2104) afirma, amparado em pesquisas anteriores de Norton (2048) e Bishop (2071) que tais gritos emprestam à carne tenrez inigualável, o que desqualificaria o ato de abafar os gritos do consumido (p. 387). Ao fundo pode-se ouvir canções populares saídas de grandes alto-falantes dispostos em círculo, bastante adequados à situação festiva. O mau gosto daquelas canções não deverá ser levado em consideração, o que revelaria certo preconceito do sujeito (MISELA, 2111, p. 47) que observa a cena: sabe-se que etnocentrismos são impermitidos nessa ciência desde o século XX, e rigorosamente punidos, durante tais festivais. Camadas vermelhas de músculos seriam devoradas em seguida, deixando expostas pontas de ossos e tendões: os membros seriam os primeiros a serem devorados por conta da notória facilidade de serem descarnados e, a esta altura, a vítima teria já desmaiado, pois, conforme Ishtra (2083), é impossível para o cérebro humano manter-se consciente diante de dores de tal monta. Nesse sentido, inclusive, há estudos (CRAWFORD, 2100) que afirmam que alguns goles de bebida alcoólica podem ser dados à vitima, de forma a evitar o endurecimento precoce da carne. Nessa altura, sob a pira de abate, são postas grandes bacias de latão que servirão para aparar o sangue escoante do corpo do consumido, matéria prima para caldos de sabor inimaginável, reduzidos lentamente em fogo lento pelas anciãs da comunidade. Alguns comensais tiram da cintura pistolas de última geração e disparam para o alto, na falta de fogos de artifício, de difícil aquisição nesses tempos sombrios. O porte de arma, como se sabe, é permitido àqueles que detêm o saber de farejar vítimas em potencial (CAMPBELL, 2060). Depois dos membros, o seguinte da lista seria o tronco: porção de difícil acesso, posto que é protegida pelas costelas, cujos ossinhos deverão ser cuidadosamente partidos, de forma a não danificar, por exemplo, a carne suculenta de um fígado ou de um pâncreas, cortes bem servidos de sangue, que nessa altura do banquete já estaria sendo coalhado lá embaixo, nas bacias. De qualquer forma, vencer a grade de ossos que são as costelas não é tarefa para qualquer um e é por isso que, diferentemente da primeira fase do banquete, em que os quatro membros foram devorados e os artelhos separados para serem triturados e misturados a cortes menos nobres (FISHER, 2113, p. 67), a tarefa de consumar esta fase fica a cargo de alguns iniciados que conhecem a arte de descostelar um corpo humano sem que, ao final do intercurso, sobrem pequenas farpas das costelas misturadas aos cortes mais nobres presentes no interior do tronco (Ibid., p. 82). As costelas flutuantes, aquelas mais próximas do baço, são cuidadosamente retiradas por esses especialistas do descostelamento, e postas para secar, pois servirão para enfeites eróticos femininos [Supõe-se, inclusive, que há entre os homens lenda que reza mais ou menos o seguinte: com quanto mais costelas for presenteada uma mulher, mais desejada ela é, pois mais presentes eróticos ganhou, ou seja, seus serviços sexuais são supostos, pagos ou medidos pela quantidade de costelas humanas com que ela encima seu dossel. Crawford (op. Cit.) sugere que tal lenda tenha origem no costume de tribos asiáticas estudadas desde dois séculos, o que validaria sua aplicação e sua consideração teórica no presente ensaio]. Terminado o descostelamento, a fúria alcança níveis estapafúrdios, pois o populacho ataca a carcaça sem piedade. Segundo Cosme (2112, p. 201), os intestinos certamente serão retirados, desenfezados e lavados para mais tarde servirem de suporte a grandes embutidos, preenchidos com alguns cortes indesejados que depois de besuntados com a gordura existente sob a pele e temperados com ervas da região, são ali introduzidos, e o embutido daí resultante é posto para cozer no bafo por duas semanas, na sombra. O problema de se retirar os intestinos antes de tudo é que, por estarem espalhados por todo o tronco humano, sua retirada provoca uma confusão de órgãos dos diabos: o estômago, muito apreciado por sua carne ao mesmo tempo macia e composta, de sabor característico e digestão difícil (SUKUYAMA, 2111), por vezes, a depender do que a vítima comeu horas antes de seu abate, provoca arrotos frutados no comensal e, por vezes, alguma indisposição; o fígado e o pâncreas, extremamente macios, como já se disse, trazem um sabor mais característico, sanguíneo e forte, à semelhança dos rins que, à sua maneira, trazem um sabor ainda amargo, penetrado pela ureia [há gastrônomos (NORTON, 2048; BISHOP, 2071) que sugerem sua fervura por seis horas para evitar tal sabor indesejado, mas daí apenas decorre que a carne fica a se despedaçar, sem a retirada completa do sabor amargo]; o coração mereceria um capítulo à parte (os mesmos Norton e Bishop já o fizeram com louvor), coisa impossível diante da ligeireza de um texto leve como este, quase crônica, que aqui pretendemos conceber, por isso podemos afirmar, amparados em nossa pesquisa anterior (REUTMAN, 2100), que sua textura lembra a de um estômago, só que acrescida da robustez de um bíceps, já devorado na primeira parte do banquete, como já se sabe, mas que, acrescida a esta característica gastronômica incomparável, igualmente apresenta ao imaginário de quem o devora, por ser o órgão identificado com os sentimentos mais sublimes do ser humano, além do apuro gastronômico citado, a sensação de se estar deglutindo algo como o caráter do devorado (Ibid., p. 52), que certamente será transplantado para o consumidor, e mesclado com o seu próprio; os pulmões são frugais, desde que não tenham sido utilizados por vivente fumante, o que lhe emprestaria extremo amargor que, posto lado a lado com a tal frugalidade da peça, tornaria sua deglutição quase um ato de reconhecimento histórico da evolução do ser humano, reconhecidamente postado na porção superior da conhecida cadeia alimentar. A cabeça (FISHER, 2113, p. 173) é separada da carcaça restante, e cozida naquele caldo sanguíneo que, como dito, já está sendo reduzido pelas anciãs desde o início da solenidade. Os ossos do crânio figuram dissolvidos exatamente três dias depois do início de sua cocção (Idem). Como já adiantado, às peças remanescentes restaria o destino de serem utilizadas em compotas, embutidos e salames de dar água na boca dos consumantes. As unhas são sumariamente descartadas (FISHER, 2113, p. 202) e dadas às crianças, que com elas constroem colares coloridos e brinquedos os mais criativos. Embora isso seja reconhecido como verdade científica desde o século XX, pesquisas datadas do século passado (NORTON, 2048; BISHOP, 2071) afirmam o seu contrário, ou seja, que as unhas compõem um corolário de valoração grastronômica, sendo comparadas ao crânio. Alguns especialistas (SUKUYAMA, 2111; COSME, 2112; FURY, 2104) divergem dessa pesquisa, mesmo validada por estatísticas de empresas tradicionalmente competentes do ramo.

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Postado por João Luiz Peçanha Couto
30/4/2015 às 16h16

 
Vidas desperdiçadas

Pensando nas literaturas possíveis ou nas possibilidades de exercício estético-literário: pela primeira vez foi extrapolado o número de "desenraizados" registrado na Segunda Guerra. Há, segundo a agência de refugiados das Nações Unidas , 51,2 milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas devido a guerras ou perseguições.

Destes, 86% são abrigados por países em desenvolvimento, o que deteriora ainda mais a capacidade daquelas populações receberem recursos provindos dos governos que as acolheram. Os órgãos de ajuda humanitária sentem-se impotentes frente a esta leva planetária de expatriados (ou de expatriados planetários).

Esses deslocamentos forçados não se restringem às fronteiras das nações: guerras civis e cisões internas, quase todas ausentes das pautas dos noticiários, são responsáveis por 1/3 desse contingente. Muitas dessas contingências obrigam populações numerosas a viver em campos por períodos, conforme o caso, de mais de vinte anos. Há campos quase permanentes, onde existem escolas, hospitais, rádios e comércio funcionando regularmente. Entretanto, esses espaços não podem ser chamados de lares. São campos e, como campos, provisórios. Neles, o exílio involuntário dilacera a possibilidade da existência de uma memória que promova certa adesão afetiva a um lugar, pois o lugar, muitas vezes, não existe.

À parte do problema humanitário dos campos, uma questão pode ser pertinente: que exercícios estéticos, que arte e que literatura são produzidos nesses espaços? Como se promove a prática artística ali? Por que os órgãos de pesquisa e seus pesquisadores — e aqui ressalto que não me esgueiro de tal crítica — não dão atenção ao material estético fomentado naqueles espaços? O pior: assinalei uma das perguntas que não imagino ser respondida.

Segue como provocação.

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Postado por João Luiz Peçanha Couto
24/3/2015 à 00h39

 
Se bem me lembro

Foi Ecléa Bosi quem afirmou que uma lembrança é um diamante bruto que precisa ser lapidado pelo espírito. Então, o que significa a memória, sobretudo quando se encontra com a literatura? Que outras significações o gesto de sacar algo do passado pode ter? O passado de fato "passou", ou persiste no meu presente? Sempre me questionei a respeito da função que os suportes da memória desempenham na estrutura de uma narrativa. A resposta primeira sempre rondava o comum: meu testemunho, eu faço o que quiser com ele. Minha experiência vira minha ficção. Mas: até que ponto isso de fato se confirma?

Pensei, para "fazer o fio terra" com alguma obra literária, em falar brevemente de um romance do martinicano Patrick Chamoiseau: Texaco (Edição esgotada no Brasil, mas que ainda pode ser encontrada na Estante Virtual, por exemplo).

A trama? Vamos a ela. Texaco, na cidade de Fort-de-France, na Martinica, é uma favela erguida por invasão nas terras da companhia petrolífera de mesmo nome. Sua fundadora chamava-se Marie-Sophie Laborieux. Filha de Esternome Laborieux, um ex-escravo, Marie-Sophie, em sua conversa com o autor ("marcador de palavras", segundo designação da própria), vai misturando suas memórias com as de seu pai, tendo como pano de fundo a história da Martinica e, sobretudo, a história daqueles que perderam a História - os que habitam a base da pirâmide social.

Uma pergunta que não pretendo responder aqui, mas trago-a à guiza de provocação: a memória é verdade? Ou seja, aquilo de que me lembro pode ser tido como verdadeiro? O que, portanto, Marie-Sophie fala ou escreve, a partir de suas lembranças, é real? Provavelmente não (inteiramente). Mas se faço esta pergunta, referindo-me às memórias de Marie-Sophie, posso estendê-la: o que está grafado nos livros de História é verdadeiro? Ah, podem dizer alguns, claro que sim, pois tudo aquilo foi retirado de fontes primárias, documentos oficiais, atas. Então, insisto, você afirmaria que o que foi grafado por um escrivão de cartório ou assessor político é exatamente a verdade? Eu não poria minha mão no fogo por isso.

A obra trata das longas conversas gravadas entre Marie-Sophie e o marcador de palavras. Nessas conversas, a protagonista-narradora conta para o marcador (que ela por vezes chama de Oiseau de Cham, uma brincadeira com o sobrenome "Chamoiseau") não apenas a história da fundação de Texaco, mas as histórias contadas a ela por seu pai, mescladas com anotações de dezenas de diários que ela escreveu ao longo de meio século. Um trabalho de reconstrução da memória individual (de Marie-Sophie e de Esternome)? Da memória da Martinica? Da memória dos chamados povos "da diáspora"?

A memória aqui entra como um instrumento corretivo da História: por meio dos rastros (ah, Benjamin...) deixados por seus percursantes, a história contradiscursiva (a micro-história, reino das pequenas coisas, das pobres epopeias e dos personagens apequenados) ergue um contraponto à História oficial, mais preocupada em "glorificar os feitos das camadas dominantes de uma época", conforme texto da professora Zilá Bernd. Assim, Texaco propõe uma correção histórica por meio da memória, das rememorações e dos esquecimentos (sim, porque para termos memória de épocas passadas temos que esquecer de outras tantas).


Dizendo assim, pode parecer que a obra se aproxima mais de um tratado sociológico do que de uma peça literária, o que é uma inverdade. Escrita em creole, mescla do francês canônico com um sem-número de línguas diaspóricas, Texaco é um livro de trechos belíssimos em que a língua da norma (que Blanchot chamava de "linguagem comum") é transgredida até seus limites, metaforizando uma realidade de precariedades em série e, portanto, poetizando o que para alguns seria "impoetizável". Verdades ou mentiras: lembranças. Memória não é apenas História: é estética.



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Postado por João Luiz Peçanha Couto
6/3/2015 às 11h13

 
O clube do livro

O livro atende pelo nome de Clube do livro. Só isso já me faria voltar os olhos para ele com mais atenção, como se sua capa reluzisse para mim de um modo diferente. Então, li o subtítulo: ser leitor - que diferença faz?

Foi amor à primeira vista.

A autora é a Luzia de Maria, doutora em Letras pela USP e atualmente professora da UFF. Minha conterrânea, essa niteroiense começou em 1982 um tal "clube do livro" com seus alunos de uma antiga escola pública de Niterói, o Liceu Nilo Peçanha (aliás, minhas irmãs, mais velhas que eu, estudaram no mesmo Liceu).

Batalha sem perdedores, entre amigos. Tratava-se, num lado do ringue, de uma professora apaixonada por leitura e livros e, do outro lado, de alunos sedentos de aprender de uma forma mais prazerosa do que naquelas preleções maçantes com regras gramaticais brotando feito coelhos pela boca do coitado do professor que fica lá na frente.

Também sou professor e já lecionei no Ensino Fundamental. Sei o quanto é chato para os alunos terem aulas apenas resumidas a aspectos gramaticais. Sempre disse a eles que um bom livro lido com atenção vale por uns três meses de aula careta, formal. Que a leitura te deixa mais capaz de ler - não só livros, mas o próprio mundo, como um texto. Em resumo, um bom leitor está apto a ser um bom interpretador do mundo, um sujeito crítico que terá menos chance, por exemplo, de ser engabelado por qualquer político.

O saber é porreta mesmo.

Mas voltando à Luzia de Maria e a seu livro delicioso: o objetivo do clube do livro era formar leitores. E a Luzia conseguiu. E conta isso, inclusive com direito a uma história que se passou com ela. Já conto. Vou buscar um café.

Imaginem. Prova de redação de vestibular. Na sala, a própria Luzia prestava a prova. Não vou dizer o ano para que ninguém faça a conta e tente descobrir a idade da moça. O tema da redação era baseado numa frase do Rui Barbosa: "A regra da igualdade não é senão quinhoar desigualmente os desiguais, na medida em que se desigualam". Só uma aluna começou a escrever a redação. Os demais, pasmos, incapazes de entender aquela palavra, "quinhoar", estatelavam-se frente à página em branco. Até que um candidato mais corajoso perguntou ao fiscal da prova:

- Dava pra dizer o que é quinhoar?

Impasse.

Os professores que faziam as vezes de fiscais do vestibular conversam e, mantendo o impasse, resolveram ver onde poderiam encontrar um dicionário. Vexatório é pouco! Pura vergonha. Mas antes que o pai dos burros fosse buscado, aquela aluna, que já terminava o segundo parágrafo, levantou o dedo e sugeriu:

- Eu sei o que significa quinhoar. Posso falar?

Aliviados, os fiscais permitiram.

- Quinhoar é repartir, partilhar, premiar, recompensar...

E destilou mais um sem-número de significados para o verbo.

A candidata sabida era a Luzia, a autora.

Moral da história? Deixa disso, histórias com moral são sempre chatíssimas. Mas há uma conclusão.

Ela sabia o significado de quinhoar, sim, mas não porque era uma rata de dicionários. Sabia porque era uma leitora atenta e contumaz (de acordo com o Aurélio, "contumaz" é teimoso, obstinado, cabeçudo). Quando estamos lendo e nos deparamos pela primeira vez com uma palavra que não está no nosso vocabulário, tentamos adivinhar seu significado pelo contexto. Na segunda vez que a lemos, a coisa já corre mais tranquila. Na terceira, a palavra já foi incorporada ao nosso memorial vocabular (gostou?).

Foi assim.

A historinha serviu só para dar água na boca e acender a vontade de quem possa ler isto (os cinco leitores, se tanto, de que Machado falava). O livro é excelente, indispensável para quem ama livros, é doido por literatura, é professor ou se interessa pelo assunto.

Acima de tudo, o livro é porreta porque trata de uma coisa que sempre chamou a atenção do homem: a paixão. No caso, não a paixão amorosa e romântica, mas a paixão pelos livros, pela literatura, e pelo encantamento daí resultante. Pelos universos em que ela nos permite adentrar, pelas experiências que adquirimos quando no exercício da leitura. Pelo prazer de estarmos lendo o mundo, de termos a oportunidade de lermos mundos diferentes do nosso.

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Postado por João Luiz Peçanha Couto
3/3/2015 à 00h01

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