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Sábado, 27/5/2017
Blog da Mirian
Mirian de Carvalho

 
Jano

Para Valdir Rocha

Em rastreante luz a nascer e esconder-se
de si mesma, meu diário das horas escuta
vozes do mito:

“Tão antigo quanto o mundo
tudo se abre ou se fecha à vontade de Jano
que preside as portas do céu
guardando-as ao ritmo das Horas.
Em qualquer sacrifício a outro deus
é ele invocado em primeiro lugar.”

Diante do seu rosto
meu diário das horas percorre leste-oeste
duplicando olhares de rastreante luz a nascer
e esconder-se de si mesma.
Desejo então fixar lume e imagens
entre horizonte e possibilidade.

Duplicando olhares, as duas faces de Jano
tangenciam limites no tempo de agora.
Guardião das portas, ele se apercebe
protetor dos caminhos
e me fala do seu ofício:

Inquietam-me longos tempos
que se foram e que hão de vir,
por isso vou escavando pequenos intervalos
para encontrar alguma véspera feliz
inscrita no agora.

Meu grito primal sonoriza-se
na fala do visitante à soleira das portas
fechadas ou entreabertas.

Dia de hoje e tempo remoto,
vejo-me antigo e atual. Encontro-me
ontem e amanhã na revelação de mim mesmo
aos sobressaltos das andanças daquele que me ouve.

Ante meus relógios sem ponteiros
tingem-se de sol as paredes do quarto.
E as paredes do mundo.

Muito antigo e atual,
não mais me assusta a fuga do instante.
Eu também busco meus caminhos.
Meus caminhos e minhas portas.


(Poema inspirado na escultura “Jano”, de autoria de Valdir Rocha)

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Postado por Mirian de Carvalho
27/5/2017 às 10h29

 
Branco (série: Sonetos)

Dançando valsas, vem à frente
meu pégaso de jasmins, a rememorar
bailados e histórias narradas
pelo jardineiro de folhas.

Evadido das florestas, esse animal
das flores mimadas transporta sela
de trevos, aguardando cavaleiro
que o conduza à dama do portão.

Pelagem de arminho dos cometas,
minha nuvem de cambraia se alteia
espantando vassouras e bruxas.

Cavalinho de lume acendendo
a noite. Meu pássaro da paz retorna,
germinando os bosques.

(Do livro O camaleão no jardim. São Paulo: Quaisquer, 2005)

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Postado por Mirian de Carvalho
21/5/2017 às 09h04

 
Azul (série: Sonetos)

Acariciado por madressilvas no lugar
das rédeas, o cavalo azul encontrou par.
E em cópula atravessou a noite.
Que se fizera fértil.

Chegando das selvas de junco,
o deus de anil repousa do coito
ininterrupto. E em campo de feno
ganha forças de recomeço.

Plumas de pavão envolvendo-lhe
o corpo. Atravessando rios, ele contempla
a sede, para galopar dia e noite.

Patas azuis. Olhos de andorinha
cavalgando hortênsias. Ele veio do mar.
Às origens retornará. AZUL.

(Do livro O camaleão no jardim. São Paulo: Quaisquer, 2005)

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Postado por Mirian de Carvalho
13/5/2017 às 11h22

 
Amarelo (série: Sonetos)

Das sementes da papoula floresceu
o pelo-de-topázio. Carregando fardo
ameno, ele resfolega atento ao que lhe pulsa
entre as veias e as costas.

Molhando-lhe o dorso, escorre a seiva
da amazona de lírios, que ao repouso
lhe roça o falo com sedução.
E lábios de pétalas.

Vindo do Leste, ele acorda os pássaros.
Meu cavalo da manhã despertando
para o coito.

Meu cavalo de sol carregando
a vida. Que o recebe em berço
de gozo.

(Do livro O camaleão no jardim)

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Postado por Mirian de Carvalho
6/5/2017 às 11h18

 
Negro (série: Sonetos)

Nas manhãs nunca fora visto.
Nunca fora visto nas tardes do jardim.
Chegara o visitante notívago. Meu animal lendário
exibindo pelagem de negrume.

Da escuridão, ele chegara. Mas os hábitos
das flores noturnas não o queriam fúnebre.
Nem a madrugada em seu corpo
o queria temido.

Descendo-lhe o dorso de sombras,
o manto de narcisos luzindo sedas.
Luzindo texturas de carícia.

Ao bicho dos eclipses, as cores
da noite o faziam lânguido.
Acendendo-me desejos.

(Do livro O camaleão no jardim. São Paulo: Quaisquer, 2005)

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Postado por Mirian de Carvalho
29/4/2017 às 18h54

 
Vermelho (série: Sonetos)

Em alameda livre, saltam meus cavalos
de carmim. Saltam com narinas afeitas
ao que vive ao redor da casa. E ao redor
dos limites do portão.

Eriçando a pele, meu cavalo de rosas
respira. Do mundo da fábula, chegou-me
este centauro de corolas abertas. Afoita cauda
correndo atrás do vermelho da crina.

À procura de pouso e fêmea,
meu cavalo do verão se olha
no lago das chuvas.

Lambendo a imagem desfeita,
ele ergue imenso falo. E a tarde
o amansa às horas de lascívia.

(Do livro O camaleão no jardim)

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Postado por Mirian de Carvalho
22/4/2017 às 11h17

 
Sobrevivência (série: Sonetos)

Entranhando-se nas paredes da casa,
a memória das tintas enlutava o drama
daqueles que se escondiam da vida,
carregando todas as dores do mundo.

Consolando os moradores, a tentativa
de sobrevivência. Couve. Galinhas.
Frutas. Cuidava da família o quintal,
espaço provedor do estômago.

Aos talheres levando à boca a porção
do dia – depois vinha o doce que
mascarava o gosto da véspera.

Comer – era ato de bravura.
Ante a morte lavando a louça,
poucos sobreviveram.

(Do livro O camaleão no jardim. São Paulo: Quaisquer, 2005)

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Postado por Mirian de Carvalho
9/4/2017 às 08h41

 
Sete fôlegos (série: Sonetos)

Atravessando porta sem ferrolho
e muros baixos – entrar era fácil (quase
definitivo). E a cerca viva, convidando
os pássaros ao miolo do pão.

Perdido no quintal, agigantava-se
o abismo. Crescia o medo, fechando
moitas e atalhos. Crescia o intervalo
das coisas não havidas.

Olhando pelas janelas, um eclipse
ensombrecia a casa. E com o escudo
da pele todo cuidado era pouco.

Antevendo os lapsos da morte,
do lado de fora fiz esta cama de gato.
Que me sopra sete fôlegos.

(Do livro O camaleão no jardim. São Paulo: Quaisquer, 2005)

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Postado por Mirian de Carvalho
1/4/2017 às 08h44

 
Trilha dos séculos (série: Sonetos)

Não se ouviam galos parindo a manhã.
Nem ruídos de pássaros fugindo da fome.
Não se ouviam murmúrios de madrigais.
Nem as lagartas urdindo casulos.

Rasgando o tempo, a trilha dos séculos
rogando pragas à memória enraizada
no piso de madeira. E a torneira matando
a sede das lembranças.

Não era o chiado do rádio. Nem
a vitrola enguiçada. Atrás dos móveis,
fantasmas do quintal engolindo espinhos.

Para acalmar a garganta, eles sorviam
a cáustica bebida que descia dos muros
enquanto a chuva inundava a casa.


(Do livro O camaleão no jardim. São Paulo: Quaisquer, 2005)

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Postado por Mirian de Carvalho
26/3/2017 às 20h47

 
Revisitação a Raimundo Correia (série: Sonetos)

Eu vos direi das pombas e pombais
que das aves no ar em revoada
não as sabia imagem dizimada
que ao berço não voltariam jamais.

Ilusões cuja morte postergais
são as vestes de asa desemplumada
tão perdida sem direção e estrada
à bruta caminhada dos mortais.

Se de volta as aves quis eu outrora
e em retorno essas luzes do devir,
tal bonança se perdeu na demora.

Da festa os guizos que julgais ouvir
são ressonâncias da vida que chora
com lábios de contraído sorrir.

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Postado por Mirian de Carvalho
19/3/2017 às 19h19

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