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Sexta-feira, 14/4/2017
Blog de Anchieta Rocha
Anchieta Rocha

 
Procissão

Na Sexta-feira Santa eu peguei a tocha e fui pra frente da porta principal da Matriz de São Sebastião pra puxar a procissão. Diferente dos outros dias, a igreja era uma animação danada. Gente de todo lugar, muitos de longe. Achava legal, de batina e sobrepeliz, importante, todo mundo olhando, do lado dos padres o tempo inteiro. Nos outros dias, sem ninguém pra ajudar no altar, tinha que acordar cedo, mamãe me obrigava ir. O sacristão não podia ficar por conta do padre no altar. Toda hora tinha que sair pra fazer alguma coisa, principalmente pôr pra fora algum cachorro que entrasse na igreja, o que era o que mais irritava o padre. Num domingo, missa das nove, dando comunhão, apontou um peludo na porta lateral. O padre bateu o pé com tanta força pra assustá-lo que a Filha de Maria se engasgou com a hóstia.

Tocar sino era do que eu mais gostava. Dependurava na corda, tomava impulso e dava uma volta grande do lado de fora da torre, a cidade embaixo, as pessoas achatadas no chão. O Nosso Senhor dos Passos me dava medo: os olhos esbugalhados, a cabeleira de gente. Toda vez que passava perto, virava o rosto pro outro lado. A essa, onde os mortos recebiam as últimas bênção, me amedrontava também. Pior ainda era na quaresma quando cobriam as imagens com panos roxos.

Eu gostava da Sexta Feira Santa por causa da animação na igreja. Ficava impaciente pra chegar a hora da cerimônia, pra sair de casa, principalmente por causa do falatório da mamãe no ouvido. Tudo era proibido. Não podia jogar bola, gritar, nem brincar. Tudo era pecado. Os bares e a padaria não abriam. No rádio só música triste. Tinha que jejuar, a barriga roncava o tempo todo.

Umas duas horas antes da procissão, o sacristão saiu com a matraca pro adro da igreja e começou a tocar — dentro de pouco tempo o descendimento da cruz.

Entrei no quarto e comecei a me aprontar. Sentei na cama e vesti a calça curta branca. Tirei do criado-mudo duas gominhas, estiquei as meias e as prendi. Calcei o sapato de sola de pneu e, pra não suar debaixo da batina, vesti a camisa mais fina. Reparti o cabelo de lado e fui pra sala. Mamãe falou que estava cedo. Tinha muita coisa pra fazer antes da procissão — inventei. Eu queria ficar andando em volta da igreja, vendo o movimento.

z A sacristia estava cheia. Cheiro de vela, de flores, de paramento. Dona Mercês, que organizava tudo, disse pra ir me vestir. Fui até o armário e tirei três batinas azuis com cheiro de naftalina. A primeira pega-franga, a segunda largona. A terceira, ainda com pingos de vela da última procissão caiu bem. Vesti a sobrepeliz. Enfiei a mão debaixo da batina e peguei o espelhinho redondo com o retrato da Dorothy Lamour. Ajeitei o cabelo. Sorri com o canto da boca. Eu tinha certeza que as meninas iam ficar olhando pra mim.

Quando acabei, Dona Mercês me deu o turíbulo pra acender. Fiquei todo metido. O turíbulo tinha que ir junto do pálio com o Nosso Senhor Morto. Botei carvão até na boca e fiquei esperando pegar. Joguei incenso, a fumaça perfumou tudo em volta.

Na hora que fui entrando na sacristia, Dona Mercês pegou o turíbulo da minha mão e entregou pro filho dela. Baixei a cabeça e fiquei tirando os pingos de cera na batina com a unha. Depois não liguei mais. Quem levava a tocha também era importante porque puxava a procissão. Aí chegou o Zeca, começou a orientar os coroinhas, virou pra mim.

— Você vai andando encostado no meio-fio, sempre alinhado com a tocha que puxa a outra fila, prestando atenção no menino do crucifixo. Se ele parar você para. Se andar devagar você também anda. Não tira o olho dele.

Um dia até deu vontade de levar o crucifixo, mais importante, puxava a procissão, mas tinha medo de entrar numa rua errada e bagunçar tudo.

Passado um pouco o padre chegou suado, nervoso, reclamando do atraso da procissão. Logo em seguida a Nossa Senhora, a Madalena e a Verônica — todas de vestido comprido, carregando uns negócios que eu não sabia pra quê. A Nossa Senhora, de tão branca, parecia que tinha saído de um sanatório. Madalena, com um cabelo de todo tamanho, promessa pra sarar de uma doença de nome complicado, não ia cortar enquanto não ficasse boa. Contou pra minha irmã que queria fazer permanente pra agradar o namorado. A Verônica era a mais bonita. Conversava comigo, eu baixava a cabeça com vergonha. Tinha vez, do alto da construção do lado da sua casa eu ficava vendo ela tomar banho. Tão logo chegava do serviço, eu subia correndo as escadas, me escondia atrás de uma pilha de tijolo até se enrolar na toalha.

Saindo da igreja virei pra trás. Fiquei inchado vendo aquele povaréu todo me seguindo.

O vento leve de abril assustava as chamas das tochas.

Nesse dia a procissão não acabou.

A rua Juiz de Fora toda enfeitada. As luzes do casarão da Dona Druziana e uma toalha estendida na janela da casa do pessoal da carvoaria. Do alto do sobrado do Chiquinho a rama de uma samambaia descia até não poder mais. Na pensão, o parapeito coberto de flores. No Seu Juquinha um altar. O incenso, o manjericão, a arruda, as velas, os jardins das casas. Tudo bonito demais.

Virei a esquina na fábrica de bebida e entrei na Rua Tupis. A minha mão suava. Mais andava, mais forte batia o coração. Toalhas e flores que não acabavam. Em alguns locais a procissão parava pra ouvir o canto da Verônica. O silêncio aumentava. Sua voz corria as ruas, entrava nas casas e atravessava a minha garganta. Eu levantava a cabeça e comovido procurava qualquer coisa no céu. Então me dava vontade de ser um menino bom, de não desobedecer mamãe e prometer a mim mesmo nunca mais subir na construção e ficar olhando a Verônica tomar banho.

Quase chegando na igreja a procissão cresceu mais ainda. A lua rebentava pros lados da Serra da Piedade.

Em vez de entrar na igreja e seguir o rapaz do crucifixo, me veio na cabeça a vontade de fazer tudo de novo e passar pelos mesmos lugares que tinha passado. Toda vez que completava uma volta, parava em frente da igreja e tornava a caminhar. Fiz isso repetidas vezes. Fiquei dando volta sem até não poder mais. A procissão daquela sexta-feira nunca acabou.

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Postado por Anchieta Rocha
14/4/2017 às 11h47

 
Rua da passagem

Com tantos enterros passando em frente de sua casa, Ferreira já não estranhava mais a morte.

A rua, afunilando na subida íngreme, terminava no portão de entrada do cemitério. Percebia-se o alívio dos que acompanhavam os mortos, tão logo os caixões eram apoiados nas beiras dos túmulos.

Menino ainda, o pai comprou a casa. No início a mãe dizia que não ia aguentar, os enterros passando debaixo da janela o tempo todo. Fez o marido jurar que mudariam pra outra casa longe dali. Acabaram ficando a vida inteira.

Ferreira cresceu, estudou, trabalhou, casou, os filhos nasceram, os mortos não paravam de passar.

Um dia, houve tantos, um povaréu sem parar, as pessoas se embolando, gente seguindo caixão errado. Se o tempo não ajudava, se um parente do morto de cidade distante demorava a chegar, os sepultamentos iam até o anoitecer, pouca gente acompanhava, povo medroso igual não tinha.

Pelo tamanho do cortejos e dos tipos de caixões, dava pra perceber quem ia dentro. Os dos pobres, poucos seguiam, um bolinho de gente de cabeça baixa, uma vez ou outra um choro cortando a reza. Nos dos ricos e importantes, tanta gente, os que ficavam pra trás iam conversando sobre negócios, sobre acontecimentos e até riam. Havia também os que levavam junto alguns de seus pertences: uma bandeira de um clube de futebol, um vestido de noiva, e até certa vez um pandeiro, quebrando o silêncio com os solavancos do caixão.

No dia de finados, a rua era uma festa. As barracas de flores, de velas, de bebidas, guloseimas e salgados ocupavam os passeios.

A rua também tinha suas histórias engraçadas como as dos bêbados perdidos de noite entre os túmulos amedrontando a vizinhança. Estranhas também, como a da viuvinha, casada de pouco, que todos os sábados levava flores pro marido morto na explosão da pedreira e que um dia não mais foi vista fazendo o caminho de volta.

Os moradores davam conta da vida de todos os que eram levados pro cemitério. Se os que iam ser enterrados passassem sem deixar uma história, pequena que fosse, ficava um grande vazio. Nada sabendo de quem ia no caixão, entravam para suas casas acabrunhados.

Foram anos e anos e as mortes passando. Morte de todos os tipos: por acidentes, paixões, rixas de família, homens lavando honra, suicídios, por amor e desamor. E mesmo que irresignáveis, as incontáveis naturais. Vez por outra os caixões lacrados — temor de doenças contagiosas, os lenços nos nariz. E os das crianças, alguns de tão pequenos levados junto ao peito pelos pais, embalando-as pela última vez.

As mulheres eram as que mais visitavam os túmulos. Subiam com as mãos segurando flores, terços, velas, o olhar enterrado no chão. Na volta os rostos erguidos, desencurvadas, confortadas.

Com o passar dos anos, a mulher do Ferreira também acabou se acostumando, até sentindo falta da rua quando viajava ou tinha que passar uns dias com as filhas. Tão logo voltava, corria pra casa dos vizinhos em busca de novidades.

O Ferreira não saía pra lugar nenhum. Uma vez ou outra ia na casa do Nicanor para uma partida de dama. No mais ficava o tempo todo na varanda, varrendo a rua com o olhar pra cima e pra baixo. Nunca pôs os pés no cemitério. Iria lá só num único dia, dizia. E quando esse dia chegasse, que chegasse, completava.

Foi então que tudo acabou. De uma hora pra outra, os enterros pararam de passar, as pessoas já não mais eram vistas, não mais se encontravam nas portas das casas.

A tristeza tomou conta dos passeios, das varandas, das janelas. Ninguém sabia explicar o que estava acontecendo.

A ordem tinha sido dada. Os cortejos não mais iam poder transitar pelas ruas da cidade. Para facilitar o acesso dos veículos, uma entrada tinha sido construída do outro lado do cemitério. Chorar os mortos daquele dia em diante só no velório.

As histórias foram rareando, a rua nunca mais foi a mesma. O Ferreira foi o primeiro a morrer.  

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Postado por Anchieta Rocha
28/2/2017 às 23h19

 
Noite feliz

Quando cheguei, mamãe falava pra vizinha dos tempos difíceis após a mudança pra capital.

— Aconteceu numa noite de Natal, igual à de hoje, chuvosa também.

Me passou a garrafa de refrigerante.

— Foi duro criar os filhos. Com a morte do pai deles, tudo mudou. Nunca pensei que ia passar tanta penúria. Mal acabava de tirar a mesa, vinha o sofrimento por não saber o que tinha pra comer no dia seguinte. Numa manhã, a hora do almoço chegando, nem um fubá prum caldo, um tempero, nada. Saí pra não ver ninguém. Puxei a porta e joguei o xale no ombro. Fiquei dando volta no bairro esperando o tempo passar. Quando perdi as forças, entrei na igreja e fiquei até criar coragem pra voltar pra casa.

As moças arranjavam cada emprego, nem gosto de pensar. O mais velho era o mais preocupado por se sentir no lugar do pai. Mexia daqui e dali, chegava em casa com as mãos vazias. Os pequenos, o coração cortava. Traziam dinheiro da rua engraxando sapato, entregando marmita. Este aqui — apontou pra mim — um dia chegou da aula e pela cara perguntei o que tinha aprontado. Por sorte o chinelo que atirei nele foi bater na janela do vizinho. Amuado, disse que a professora não ia deixar ele assistir aula sem o livro de leitura.

Ela virou pra uma das meninas e pediu pra fechar a janela.

— Aí veio a enchente. Não deu pra salvar quase nada. Com a água no peito, saímos do beco segurando a corda que o vizinho atirou. Quando baixou era tudo barro. No fim da tarde, um dos meninos com a cara mais alegre do mundo apontou no outro lado da rua com um rolo de pano debaixo do braço. Não gostei e passei um pito. Não queria ninguém tirando proveito da situação. Não era o que eu estava pensando. Com o temporal, as faixas de propaganda tinham sido arrancadas dos postes. Uma das meninas pegou, abriu, embolou, entrou em casa, afastou a tampa do alçapão da sala com a vassoura e jogou pra dentro do forro.

Mamãe prendia a atenção de todos.

— Um pouco antes da meia noite, reuni todo mundo e levei pra Missa do Galo. A Igreja de São Sebastião estava cheia. Sentamos perto do altar lateral de Santa Edwiges, protetora das causas perdidas.

Eu não tirava os olhos da minha família. Era uma filharada bonita. Baixei a cabeça tentando segurar as lágrimas. Pedi a Deus que fossem felizes. Os mais velhos me olhavam com compaixão. Os pequenos, entre uma cochilada e outra, boquiabertos, observavam: a abóboda enorme, os anjinhos louros, os olhos esbugalhados das imagens.

— Mãe — interrompi —, eu era coroinha e devia estar no altar ajudando o padre Américo.

Ela sorriu e continuou.

— Antes da missa acabar, minha filha do meio cochichou no ouvido do irmão mais velho e veio até mim. Deu uma desculpa e disse que ia embora. O namorado estava esperando do lado de fora da igreja, eu tinha certeza. Os dois em casa sozinhos, a outra filha entendeu minha aflição, segurou meu braço pedindo calma.

— Quando a missa acabou, o coro cantou Adeste Fideles, os meninos saíram correndo na frente, eu lembro com se fosse hoje — acrescentou minha irmã.

— Na mesa da sala — mamãe contava detalhes — a travessa de arroz de forno avermelhado, e na bandeja um frango assado. Forrando a mesa, uma toalha improvisada: a cortina que separava a sala da cozinha, que na correria da enchente alguém arrancou e guardou. Antes de servir, pedi uma prece pro pai deles.

Acabei de comer, as três me chamaram. Entrei no quarto e vi as roupas de cama, tudo branquinha, cada uma mais bonita, nada daquela molambeira que eu não aguentava mais ver. Das faixas de propaganda guardadas no forro da sala no dia da enchente, as meninas fizeram o meu presente de Natal.

Demorei a pegar no sono. Só dormi quando virei pro canto e percebi na fronha, perto do meu rosto, uma mancha azul do tamanho dum bago de feijão, resto duma letra que fiquei raspando com a unha até fechar os olhos.

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Postado por Anchieta Rocha
24/12/2016 às 17h53

 
Amor muito mata

O livro carta romance Os Sofrimentos do Jovem Werther de Goethe provocou angústia tão grande na sociedade europeia após sua publicação, que muitos jovens se suicidaram. Esta declaração de amor de Werther para Carlota é considerada uma das mais belas da literatura universal:

“Retido hoje por uma reunião a que não podia faltar, não fui à casa de Carlota. Que hei de fazer? Mandei lá o meu criado, apenas para ter junto de mim alguém que se tivesse aproximado dela. E com que impaciência o esperei. Com que alegria o vi regressar! Deu-me vontade de beijá-lo, mas tive vergonha.

Conta-se que a pedra de Bolonha, quando exposta ao sol, furta-lhe os raios e fica por algum tempo luminosa durante a noite. Pareceu-me haver acontecido o mesmo com o meu criado. Só o pensar que os olhos de Carlota tinham pousado em seu rosto, nas suas faces, nos botões da sua libré, no seu colete, fez com que ele se tornasse para mim tão precioso, tão sagrado!”

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Postado por Anchieta Rocha
7/7/2016 às 23h25

 
Dente de Ouro

Eu já tinha pensado em ir embora uma porção de vez. Parecia castigo. Começava a arrumar a mala, acontecia uma coisa, tudo mudava. Ir pra onde? Pra qualquer lugar, deixar esta cidade feia, as casas encardidas, um rio fedorento, um povinho esquisito, fuxiqueiro, que não olha na cara nem ri.

Minha vó conta, de menina, terra boa de viver, todo mundo conversava, as pessoas iam na casa dos outros, faziam agrado, tinha festa, a ruindade começando depois que um padre marcou de fugir com uma moça. Na hora o pai e os irmãos apareceram, levaram ele pra Pedra Preta, arrancaram a batina e botaram fogo. Na roupa de homem, com o crucifixo de cabeça pra baixo amaldiçoou a cidade.

Depois, tudo de ruim danou a acontecer. Não demorava, marido lavava a honra, rixa toda hora, tocaia não tinha conta.

Um dia, catando feijão, no meio dos bagos, duma chacoalhada da peneira, um dente de ouro apareceu. Apartei com a faca, venci o nojo e peguei. Esfreguei na toalha, o brilho avivou. Não tardou, a ideia: vender, comprar um vestido, fazer um brinco. Deitei a cabeça na mão e dei de imaginar de onde tinha vindo o tal: da boca de moço bonito, de quem colheu o feijão, de quem ensacou. Daí pra frente cismei que tinha que encontrar o dono, tarefa difícil, o povo da cidade não abria a boca pra nada, terra de pouco riso, só arrelia, sem festa sem alegria, nem dava gosto de pôr uma roupa bonita.

— Menina, esse feijão sem catar até agora? — Chega a mãe.

Pus empenho em encontrar o dono do dente. Andando na rua sem dar conta de nada, abobalhada, olhando pras pessoas, atrás dum sorriso que me levasse ao altar, até lembrei da história da Gata Borralheira que li de pequena, o príncipe procurando o sapato da moça. Ninguém abria a boca. Cidadezinha! Um dia achei que as coisas podiam mudar. Armaram um circo no campo de futebol. Na hora dos palhaços ninguém riu. Arriaram a lona, o circo não ficou dois dias na cidade.

Numa tarde, depois das tarefas da casa, o corisco na cabeça: por que eu não ia atrás do prático que cuidava dos dentes do povo da cidade?

Dei com ele trabalhando numa dentadura. Tirei meu achado do lenço e mostrei. Ele coçou o queixo, olhou pro lado, olhou pra cima, foi num caderno na mesa. Não é que o do dente era o dono da venda?

Era um mulato bonito. Cheguei, pedi o que queria, sorri, paguei. Abriu a boca pra agradecer e nada de mostrar os dentes. Fiz que ia comprar uma goiabada, perguntei o preço. Cismei que estava de graça comigo. Mesmo falando coisa do meu agrado, eu não queria abrir a jaca de uma hora pra outra. Peguei o feijão, ele falou qualquer coisa pro ajudante. Naquela boca não ia encontrar a resposta, pensei. Podia até estar escondendo a banguela, no que eu achei que era por vaidade.

Uns dias mais pra frente eu voltei na venda.

No lugar do dente um ferrinho. Dali corri pro consultório do prático: “O ferrinho tem uma rosca pra segurar o dente.” — Me explicou.

Volto pra casa, a mãe:

¬—Tava de graça com o dentista?

— Fui botar Gaiacol no dente de trás que tava doendo — inventei.

O tempo passou e não voltei na venda.

Uma noite a mãe chamou pra ir nas barraquinhas da igreja. Ela entrou e eu fiquei conversando com a Rita.

O dono da venda apareceu. Falou que eu estava sumida, minha amiga entendeu e afastou.

Numa hora criei coragem e contei do achado. Mostrei o dente, ele pegou, olhou, abriu a boca, torceu ele no ferrinho. Aí deu de falar.

— Eu estava um dia na venda entretido com o vai e vem do povo na rua. Duns tempo pra cá eu peguei a mania de ficar bulindo neele. Eu torcia, distorcia, um dia afrouxou de vez, destrambelhou e resvalou pro compartimento de feijão. Tão logo vou pegar, os músicos da Lira Santa Cecília, muita gente pedindo refresco, dou com o ajudante acabando de revolver o feijão. Eu não sabia se procurava o dente ou se servia os músicos. Sumiu de vez.

Contei a história pra Rita.

Uns dias depois encontrei o prático na rua. Falou que o dono da venda estava de noivado marcado.

Fiquei sem graça, não sei se percebeu.

Mais uns dias pra frente, na varanda de casa, começou a martelar a ideia de ir embora, começar a vida noutro lugar e terminar os estudos. Fiz uma marca: depois da festa da padroeira. Se dependesse de mim nunca mais punha os pés neste fim de mundo. Não aguentava mais. Só tinha dó da mãe. No dia eu nem despedia dela, só deixava um bilhete. Pra não atentar com nada, comecei a esconder as roupas da viagem na casa da Rita.

No começo das festas, castigo, bate uma dor de dente, no de trás. Bochecho com cachaça, ponho fumo no buraco, cera do Dr. Lustosa e nada. A dor aumentando, a mãe f tudo fez pra me tirar da cabeça a ideia da consulta.

— Filha, dentista é uma gente danada. De tanto relar nas bocas das moças... É de cima que começa. Ainda mais esse tal.

Verguei toda pra trás na cadeira do consultório.

— É igual lança-perfume. Uma zonzeirinha gostosa. Aí eu ponho um remédio pra matar o nervo, você vai pra casa e amanhã já tá boa pra festa.

Veio com o lenço, eu cheirei.

— Mais fundo.

Minha vista escureceu.

Abri os olhos. Chamei ele, nem sinal. Senti uma ardência entre as pernas. O dedo voltou sujo de sangue.

Falei com a mãe que o dente doía e virei pro canto.

Todo dia eu sento na mesa da cozinha, cato feijão, vou na casa da Rita e converso com ela. A mala continua lá. Vez por outra paro na estação, fico olhando. Qualquer dia eu vou embora.

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Postado por Anchieta Rocha
9/6/2016 às 11h19

 
Começos Inesquecíveis

A revista Bule pediu a seus leitores, colaboradores, seguidores do Twitter e Facebook que apontassem os melhores começos de livros da literatura universal. Cinquenta e cinco livros foram citados. Desses, a revista selecionou 15. A lista ficou assim: Moby Dick, de Herman Melville; Notas do Subsolo, de Dostoiévski; Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa; O Complexo de Portnoy, de Philip Roth; A Lua Vem da Ásia, de Campos de Carvalho; O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger; O Amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos; A Metamorfose, de Franz Kafka; Dom Casmurro, de Machado de Assis; Anna Kariênina, de Liev Tolstói; O Ventre, de Carlos Heitor Cony; Lolita, de Vladimir Nabokov; O Jardim do Diabo, de Luis Fernando Verissimo; Dom Quixote, de Miguel de Cervantes e Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez

Que leitor não ficaria maravilhado ao deparar com “Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes”, de Vladimir Nabokov, ou intrigado com “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”, de Franz Kafka?

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Postado por Anchieta Rocha
12/5/2016 às 22h25

 
Mãos

Eu gostava quando chegava de noite na aula, a professora vinha na carteira, pegava na minha mão e me punha pra escrever. Já fazia três meses que eu frequentava o curso de alfabetização.

Muita gente de idade, eu era o mais novo. Nem sabia segurar no lápis. Da primeira vez fiz um a redondo. Os colegas caçoavam vendo eu morder a língua. Com o tempo fui pulando pras outras letras, juntando todas. Não demorou, já formava palavra, tudo seguido, igual no caderno do meu filho.

É da leitura que eu mais gosto. Escrever é difícil porque tem que pôr sentido nas letras e prestar atenção no rumo do lápis.

É bom aprender as coisas pra não passar vergonha, igual acontecia comigo. Se a pessoa não sabe assinar o nome e vai tirar um dinheiro no banco, todo mundo fica olhando pro dedão na almofada. Mais triste é depois em casa. Entro no banheiro, sento no vaso, fico vendo a tinta preta, pensando, escondido do menino.

De uns tempos pra cá eu ando muito feliz. Comecei a ler as placas na rua e pegar ônibus sem ter que perguntar pra ninguém. No supermercado então é o que eu mais gosto. Leio as letras miúdas das embalagens sem medo de errar, igual duma vez que levei pra casa um negócio que só as mulheres usam.

Duas vidas - a de antes e a da agora, um cego descobrindo o mundo. Mesmo assim ainda tenho muito que aprender. Se depender de mim, até estrangeiro eu vou falar. Perto de onde trabalho tem uns tudo branquelo. Eles embolam a língua, eu acho chique, todo mundo presta atenção mesmo sem entender nada.

Quando não estou com meu caderno, pego os do menino, fico apreciando, as matérias tudo separado, uma anotação pra cada coisa. Gosto dos livros também. Igual um que tem. Todo colorido, tudo explicado, tudo bonito. Capital, país, estado, antes eu achava complicado, não entendia nada.

No dia que a minha mulher chegou da rua falando que ia ter um curso pra adulto no salão da igreja, eu não gostei, ainda mais que ela tem uma caligrafia bonita e leitura boa. Fiquei nervoso na hora, mas conseguiu me dobrar: ia ser bom pra mim, as coisas podiam melhorar na fábrica.

A aula começava no dia seguinte. Cheguei do serviço, encontrei lápis, borracha e um caderno encapado em cima da mesa. Guardei pro menino não ver.

Deu um frio na barriga, quase voltei da porta da sala de aula. Criei coragem e fui sentar no fundo. A professora chegou, perguntou meu nome e anotou na caderneta. Os meus colegas também sentavam pela primeira vez num banco de escola.

Então aconteceu dela chegar e pegar na minha mão pra me ensinar a escrever. Debruçava e encostava. Eu via ela na carteira dos outros, ajudando todo mundo na maior inocência.

Eu ficava tentando mudar o pensamento pra outras coisas, cuidando pra não sentir nada, não tinha jeito.

Chegava em casa, entrava no banheiro pra tirar o perfume da mão dela e ficava comparando: lisura e beleza, as mãos de uma, casquenta de lavar roupa, as da outra. Deus no céu, minha mulher na terra e a professora. De noite, os pesadelos. O dedo na almofada, garrancho saindo do lápis, mão o tempo todo: mão preta, mão com luva, mãos das duas. Resolvi não voltar na aula — não tardava fazia uma besteira. Arrumei uma desculpa, inventei pra mulher que queria estudar numa escola mais apertada.

De noite, parei na porta da sala de aula igual no primeiro dia, quis voltar. Criei coragem e fui até a mesa.

Desta vez segurei a mão dela. Macia, toda dentro da minha. Olhei pra ela e disse que estava com um problema na vista, que não conseguia enxergar direito, que não ia frequentar mais a aula.

Não menti. Eu não estava conseguindo ver nada no trabalho, nem minha mulher nem meu filho. Abrindo os meus olhos, ela não me deixou enxergar mais nada.  

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Postado por Anchieta Rocha
20/4/2016 às 22h01

 
Como num filme

Sempre que ele chega, me atira na cama, não dá uma palavra, enfia com raiva, veste a roupa e vai embora. Tem vez que nem espera chegar no quarto e ainda no corredor me agarra. Um dia até rasgou minha roupa.

Mulher sou eu, de rabo quente, põe ele maluco, coisa que a outra não faz, fresca que é. Aposto que abre a porta do carro pra ela, puxa cadeira no restaurante e uma porção de coisa. Já pegou o meu jeito, vou aceitando sem reclamar, o peito cada dia mais apertado. Alguns homens chegam, homens que muita mulher queria ter, em cima de mim, não adianta, é só ele. Queria ser outra. Igual uma, li numa revista feminina. Vai pra cama cada dia com um. Nada de amor, de dengo. A boba aqui é só ele bater o olho. Carinho e agrado nunca. Me dá muito pouco.

Desde o início me encantoou de tal jeito, que cada dia mais fico sem saber o que fazer da vida.

Vai ver os dois estão agora na cama por obrigação, enfastiados. Ela pode até gemer debaixo dele, se é que geme de verdade.

Sempre fui uma morena bonita. Quando os homens falavam que eu parecia com a Sônia Braga, mais balançava a bunda.

Se soubesse que a coisa ia ficar desse jeito, no primeiro dia tinha voltado da porta com a mala. Enquanto a mulher me mostrava o serviço, ele corria o olho no meu corpo.

Não passou uma semana, numa noite foi entrando, tapando minha boca, me agarrando. Sentei na cama e decidi que no outro dia eu ia embora tão logo ela chegasse do plantão.

Cedo eu estava na pia da cozinha. Veio por trás, me pegou e falou qualquer coisa no meu ouvido. A água arrepiou meu braço mais ainda.

Quando ia pra lavanderia, eu não gostava de ver a roupa dos dois saindo grudadas da máquina. As dela, atirava num canto. As dele, na hora de passar, ficava alisando os peitos das camisas e as calças.

Foi assim durante muito tempo. Nem uma delicadeza nem nada. Chegava e pulava em cima como se eu fosse uma égua. Se não vinha, rolava na cama, ardendo de vontade e de raiva, o ouvido no quarto deles, uma cega no cinema.

Num fim de semana, um tempão sem me procurar, me desesperei. Antes de dormir, peguei uma camisa dele no cesto de roupa suja e enrolei no travesseiro.

Uma noite não aguentei e esmurrei a porta. Abriram assustados. Prendi a respiração. Pedi um comprimido e fui deitar. Resolvi que cedo ia embora.

Chorando, disse que ele mal falava comigo, que eu queria ter uma vida como todo mundo, um lar. Prometeu que ia encontrar um jeito, que eu tinha que ter mais paciência, que as coisas não podiam mudar de uma hora pra outra.

No dia seguinte ele veio e demorou. Depois cruzou comigo de cabeça baixa muitas vezes.

Dei um basta apontando pra mim em frente do espelho. Quando me viu fazendo a mala, a voz entalou:

— Se você for embora eu não sei o que vai ser de mim.

— Você tem ela.

— Não tenho, você nunca vai entender.

Sentou na cama, abaixou a cabeça escondendo o rosto nas mãos.

De lá pra cá nada mudou. No mais chega, me trata como um pano de chão. Quando não vem, fico passando o filme dos dois na cabeça e peço a Deus pra ficar velha depressa que eu não aguento mais esta fogueira ardendo dentro de mim.

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Postado por Anchieta Rocha
1/4/2016 às 22h32

 
Hemingway: arte e vida

“No caminho, fui pensando no Ernest Hemingway que um dia encheu um barco de amigos e saiu para caçar um submarino alemão que rondava o Caribe, coisa de porra-louca, só ele mesmo. Li muito sobre a vida do romancista. Das histórias, da que mais gostei foi a da Ava Gardner, tesão de mulher que foi passar uma temporada na casa em que ele vivia em Havana. Numa noite, que não podia deixar de ser quente e azul, nua, mergulhou na piscina, com seus também olhos azuis. Passados uns dias foi embora. Esqueceu ou propositadamente deixou uma calcinha no quarto de hóspedes. Ele recolheu a peça que abrigara a coisa mais, mais – procurou palavras, tarefa fácil, em vão - apertou-a no peito e daquele dia em diante nunca deixou de dormir com o revólver debaixo do travesseiro envolto por ela. Bagunceiro, brigão, mulherengo, adorava rinha de galo, soltar foguete, luta de boxe, arrumava confusão com os vizinhos. Amigo do Fidel, talvez o único americano que o barbudo tolerasse. Li alguns livros dele. Gostava mais de sua vida. Tinha mais arte.”

- Deste blogueiro, do romance Dias de Vinho e de Chumbo, Editora Jaguatirica.

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Postado por Anchieta Rocha
9/3/2016 às 21h04

 
Conto e romance

“No combate entre um texto apaixonante e seu leitor, o romance sempre ganha por pontos, enquanto o conto deve ganhar por nocaute.”(Julio Cortázar)

“O contista deve saber como começar, o romancista como terminar.”(Massaud Moisés)

Pegando carona com o escritor e o professor de literatura, um trecho sobre os dois gêneros em Dias de Vinho e de Chumbo, romance deste blogueiro:

"Escrever conto é um sofrimento. É uma tensão que só acaba quando o autor se liberta de seu personagem. À medida que a história vai se desenrolando, ele também se aprisiona, as paredes vão apertando, o ar começa a faltar. O conto é um lago de águas turvas, pesadas. O romance, ao contrário, flui livre, rio que se lança com avidez, numa aflição boa. Conto, esquina traiçoeira. Romance, avenida, avenida não, boulevard que rompe majestoso. (...)"

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Postado por Anchieta Rocha
11/2/2016 às 09h56

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