Sobre as Artes, por Mauro Henrique

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Segunda-feira, 19/6/2017
Sobre as Artes, por Mauro Henrique
Mauro Henrique Santos

 
9° Festival Internacional do Documentário Musical

Começou na última quinta-feira, 15, e vai até o próximo domingo, mais uma festa da imagem e do som: O Festival Internacional do Documentário Musical que aporta mais uma vez em algumas salas de cinema da capital paulista.

O In-Edit, como o evento é conhecido, chega à sua 9 edição com um verdadeiro desfile de registros de ritmos, cenas musicais e formatos para nenhum cinéfilo ou amante da música desgostar ou nem comparecer.

Neste ano serão exibidos 60 filmes pulverizados em vinte salas da cidade como CineSesc, Centro Cultural São Paulo, Olido, MIS, Cinemateca e Matilha Cultural, sem contar as 17 salas do circuito Spcine. Outro motivo relevante para não deixar de ir é que serão exibidos muitos filmes que simplesmente não entrarão em cartaz no circuito comercial brasileiro, isto é, oportunidade única.

Os homenageados deste ano são o Punk e Tropicália, movimentos musicais sobretudo que comemoram quarenta e cinquenta anos respectivamente. A Mostra 40 Anos de Punk reúne 11 títulos nacionais e estrangeiros que vão desde “Garotos do Subúrbio”, o primeiro filme de Fernando Meirelles (1983), “Botinada!”, de Gastão Moreira (2006), a “Rude Boy”, de Jack Hazan e David Mingay (1980,) “Rough Cut and Ready Dubbed”, de Hasan Shah e Dom Shaw (1982); sem contar o show, exclusivo para o festival, da banda Restos de Nada, pioneira do gênero que se reúne após muitos anos.

Já a Mostra Meio Século de Tropicalismo reúne o imperdível clássico “Os Doces Bárbaros”, de Jom Tob Azulay, - com apresentação ao ar livre na Cinemateca -; “Tropicália”, de Marcelo Machado, e “Rogério Duarte - O Tropikaoslista”, de José Walter Lima assim como debates sobre o tema.

Parte do Panorama brasileiro, que faz um balanço do produzido recentemente do documentário musical do país, em curtas e longas, a aguardada Competição Nacional, selecionou 5 títulos inéditos. “O Piano que Conversa” , do diretor Marcelo Machado, nos leva a uma viagem ao mundo e sons por meio do “piano” de Benjamin Taubkin, “Perdido em Júpiter” , dirigido por Deo, é um filme sobre a figura de Júpiter Maçã, realizado através de pesquisas realizadas no Youtube; “Serguei, o Último Psicodélico” , de Ching Lee, Zahy Tata Pur’gte, reúne entrevistas de pessoas revelando histórias sobre um dos maiores ícones do rock nacional; “Sotaque Elétrico” , de Caio Jobim e Pablo Francischelli, fazem um panorama da guitarra elétrica no Brasil e como a identidade brasileira neste instrumento – que é difusa como a identidade nacional – se constrói. Completam a Competição “Eu, Meu Pai e Os Cariocas - 70 anos de música no Brasil” , de Lúcia Veríssimo, em que a diretora – e também atriz - conta a história de parte da música brasileira por meio do grupo de seu pai, Severino Filho, do grupo Os Cariocas.

O júri deste ano é formado por profissionais do cinema e da música como: Marcelo Costa, do Scream & Yell, editor e responsável pelo maior site de música independente do país; Roberta Martinelli, apresentadora de TV e rádio, criadora e curadora do Cultura Livre; Helena Ignez atriz e diretora, começou a carreira com Glauber Rocha e atuou em quase todos os filmes de Rogério Sganzerla e Duda Leite, cineasta e curador do Music Video Festival. O vencedor deste ano será o representante do Brasil na edição espanhola do In-Edit, em outubro, na cidade de Barcelona.

O blog trará indicações, resenhas e críticas dos filmes ao longo da semana, além dos horários em que os filmes indicados serão exibidos. Caso não queira esperar – rs - acesse a programação no site: http://br.in-edit.org/.

Bons filmes!

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Postado por Mauro Henrique Santos
19/6/2017 às 12h55

 
A nova Casa da MPB em São Paulo

Crédito: Divulgação

No último mês de maio, a cidade de São Paulo conheceu mais um espaço dedicado ao entretenimento. O novo lugar dedicado à música brasileira pretende oferecer um lugar ao público que alie conforto, sofisticação e qualidade musical apresentando nomes consagrados da MPB, novos talentos em um projeto que combina o ‘know-how’ de Paulinho Rosa, dono do Canto da Ema, e Edgard Radesca, criador do Bourbon Street Music Club, com a experiência da cantora e compositora Vanessa da Mata, juntamente com o patrocínio da Natura, por intermédio da Natura Musical.

Divulgação

A Casa Natura Musical, como é chamada, possui uma localização privilegiada, estabelecida na Rua Arthur de Azevedo, próximo da Avenida Brigadeiro Faria Lima, e poucos minutos da Estação Faria Lima e Fradique Coutinho do metrô. A casa possui um espaço para 710 lugares, parte destes em pé, oferecendo conforto e boa visibilidade de todas as áreas em que o espectador tentar acompanhar o show, além de muita proximidade do palco para os mais aficionados. Palco este com dois camarotes dispostos nos extremos superiores que proporcionam uma sensação de se estar dentro do próprio espetáculo.

A inauguração da casa deu-se no 9 de maio seguindo a premissa da casa, com talentos atuais e aclamados, e contou com Maria Bethânia, Xênia França, Mestrinho, Filipe Catto, Johnny Hooker e Vanessa da Mata.

Foto: Gabriela Canuto dos Reis

O blog pode acompanhar de Baby do Brasil, no dia 12, apresentando o seu novo projeto nomeado Baby do Brasil Experience em que os talentos de Franki Solari na guitarra, de Jorginho Gomes, irmão do ex-marido Pepeu Gomes na bateria, André Gomes no baixo, Dudu Trentin nos teclados e a guitarra base e violonista Daniel Santiago somando talentos numa equipe de virtuoses.

Foto: Gabriela Canuto dos Reis

Assim como a banda, a apresentação de Baby naquele dia foi elétrica. Esbanjando energia e carisma únicos a novo-baiana percorreu todo o tablado e seu repertório, desfilando uma penca de sucessos: Sem Pecado e Sem Juízo, Todo Dia Era Dia de Índio, Cósmica, Telúrica, Brasileirinho, Menino do Rio, A Menina dança, como também versões de Stand By Me, Desafinado, Is This Love, de Bob Marley e a inédita “Aquela Porada” , com Rafael Garrido, uma espécie de “guitarrista pessoal” da cantora, também presente no show. A nova composição estará presente no próximo disco de inéditas desde “Um” de 1997 em que retoma parceria com Pepeu Gomes e soma canções assinadas também com Pitty, Arnaldo Antunes, Rogério Flausino, Wilson Sideral e Luís Sérgio Carlini, lendário guitarrista da Tutti-Futti – que inclusive curtia o show da plateia.

Foto: Gabriela Canuto dos Reis

Se apresentaram desde a estreia da casa: Lenine, Mart’nalia, 5 a Seco, Tom Zé, Clarice Falcão, Silva, além do porvir de Zeca Baleiro e a gravação do DVD da turnê e álbum “Estratosférica” de Gal Costa. A MPB em São Paulo tem nova Casa.



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Postado por Mauro Henrique Santos
14/6/2017 às 18h50

 
Festival João Rock homenageia o nordeste

A festa deste ano trará palco dedicado à música nordestina

Crédito: I Hate Flash - Divulgação

Organizado e estabelecido desde 2002 na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo, o Festival João Rock, alcança a sua 16ª edição, no próximo sábado, dia 10, mantendo o mesmo foco e demonstrando vigor de inovar em alguns elementos dos festejos a cada ano.

Neste ano, o evento acontece no Parque Permanente de Exposições, com aproximadamente 230 mil metros quadrados, em que as 18 atrações, divididas em três palcos, se apresentam sem que a música cesse um instante, em mais de 10 horas seguidas de atrações musicais, de entretenimento e esportes radicais.

No palco principal, João Rock, as atrações acontecem no sistema ‘non stop’, sem pausas entre as atrações já esperadas pelo público cativo do festival como CPM 22, Capital Inicial, Nando Reis e O Rappa/, que já se apresentaram outras vezes neste mesmo palco, Humberto Gessinger, Emicida e convidados, assim como Armandinho em apresentação inédita. Além disso o palco tem como destaque a apresentação da cantora Pitty que retorna aos palcos após se dedicar à maternidade desde o nascimento da filha, em agosto passado.

O palco Fortalecendo a Cena, que estreou ano passado, que tem como mote apresentar bandas brasileiras novas com certo destaque, nessa edição traz bandas inéditas no João Rock: Medulla, Selvagens à Procura de Lei, 3030, Haikaiss e Cidade Verde Sounds.

A novidade do ano fica por conta da introdução do Palco Brasil na programação do Festival. Com a chamada edição Nordeste, o João Rock prestará uma homenagem àquela região do pais em que nasceram os artistas confirmados para a festa deste sábado: Zé Ramalho, Lenine, Nação Zumbi e Alceu Valença. Um dos organizadores do evento Marcelo Rocci afirma que “Com esta iniciativa o Festival quer mostrar a riqueza, a diversidade e a pluralidade da música brasileira”.

Mantendo a tradição, o concurso de bandas revelou quem fará o show de abertura no próximo sábado e o que houve foi mais uma novidade. De maneira totalmente incomum, a organização decidiu por um empate técnico entre as bandas Machete Bomb, de Curitiba, e NDK, de Jundiaí, que farão uma exibição em formato de inusitado na festa, no palco principal, tocando individualmente e depois juntas:

“Foi uma quebra total de protocolo e uma disputa bastante concorrida. A final foi de altíssimo nível e houve um empate técnico [...] Agora demos o desafio para os dois vencedores compartilharem o palco e promoverem uma parceria criativa, seguindo a tradição de encontros que acontece nos palcos do festival. Eles foram convidados a ensaiarem juntos, em um estúdio local, e criarem um show digno do palco João Rock”, comenta Marcelo Rocci, diretor artístico do festival e presidente do júri.


O Festival que se projeta a cada ano como um dos grandes do país, chega a mais uma celebração mantendo sua relevância. Não esquecendo também a solidariedade, como no ano passado, por exemplo, quando foram arrecadados mais de 13.385 kg de alimentos, gerados pelas pessoas que adquiriram o ingresso solidário, – o público total foi de mais de 50 mil – que foram doados para o Fundo Social de Solidariedade de Ribeirão Preto que distribuiu as doações entre as famílias necessitadas e entidades assistenciais, ato que se seguirá para este ano, pois em se tratando de João Rock, as boas práticas permanecem.

Vídeo oficial do último João Rock.

Festival João Rock
Data: 10 de junho de 2017
Local: Parque Permanente de Exposições de Ribeirão Preto
Palco João Rock: Banda Vencedora do Concurso de Bandas, CPM 22, O Rappa, Emicida e convidados, Armandinho, Humberto Gessinger, Nando Reis, Capital Inicial e Pitty
Palco Brasil – Edição Nordeste: Zé Ramalho, Lenine, Nação Zumbi e Alceu Valença
Palco Fortalecendo a Cena: Medulla, Selvagens a Procura de Lei, 3030, Haikaiss e Cidade Verde Sounds.


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Postado por Mauro Henrique Santos
8/6/2017 às 17h27

 
O Carnaval

Divulgação

Não, o carnaval na sua configuração atual não faria parte da minha paideuma (menos ainda de qualquer espécie de paidéia[1]). Esse Carnaval que conhecemos, principalmente, aquele mais divulgado na mídia, como os do sambódromo do Rio e de São Paulo, perdeu a sua principal característica de festa do povo e para o povo. Excetuo aqui o carnaval de "bloco" destes mesmos estados e o carnaval pernambucano que, em essência, e culturalmente, é lindo. De todo modo, não sou especialista em carnaval. O que me interessa são algumas composições que, estas sim, mereceriam figurar em uma lista por sua qualidade inegável e por serem representantes "não desvirtuadas" deste espírito carnavalesco: os sambas-enredo e marchinhas e etc.

Elenco aqui alguns que fazem parte da minha antologia: Aquarela Brasileira, composto por Silas de Oliveira, samba-enredo da Império Serrano, em 1964.

Este, para mim, é o maior samba-enredo de todos os tempos. Por aliar um bom "andamento" e cadência à um certo didatismo, é uma verdadeira aula - geográfica, cultural- sobre o Brasil. Até hoje me arrepio somente por ouvir o início desse samba, seja a versão da Império ou mesmo do Martinho da Vila que o gravou depois. Letra logo abaixo:

AQUARELA BRASILEIRA

Vejam esta maravilha de cenário
É um episódio relicário
Que o artista num sonho genial
Escolheu para este carnaval
E o asfalto como passarela
Será a tela
Do Brasil em forma de aquarela
Passeando pelas cercanias do Amazonas
Conheci vastos seringais
No Pará, a ilha de Marajó
E a velha cabana do Timbó
Caminhando ainda um pouco mais
Deparei com lindos coqueirais
Estava no Ceará, terra de Irapoã
De Iracema e Tupã
Fiquei radiante de alegria
Quando cheguei à Bahia
Bahia de Castro Alves, do acarajé
Das noites de magia do candomblé
Depois de atravessar as matas do Ipu
Assisti em Pernambuco
À festa do frevo e do maracatu
Brasília tem o seu destaque
Na arte, na beleza e arquitetura
Feitiço de garoa pela serra
São Paulo engrandece a nossa terra
Do leste por todo o centroeste
Tudo é belo e tem lindo matiz
O Rio dos sambas e batucadas
De malandros e mulatas
De requebros febris

Brasil, essas nossas verdes matas
Cachoeiras e cascatas
De colorido sutil
E este lindo céu azul de anil
Emolduram em aquarela o meu Brasil

Lá rá rá rá rá
Lá lá lá lá iá

Ouça e veja aqui:



Se tratando de Império Serrano há ainda um outro samba de rara beleza e de grande conhecimento público, apesar de poucos saberem sua origem. Estou falando do samba-enredo chamado A Lenda das Sereias Rainhas do Mar que foi muito popular nos anos 70 na voz de Clara Nunes e depois com Marisa Monte, composto para o carnaval de 1976 por Vicente Mattos, Dinoel Sampaio, Arlindo Velloso.

A Lenda das Sereias Rainhas do Mar

O mar, misterioso mar
Que vem do horizonte
É o berço das sereias
Lendário e fascinante
Olha o canto da sereia
Ialaô, Okê, laloá
Em noite de lua cheia
Ouço a sereia cantar
E o luar sorrindo
Então se encanta
Com a doce melodia
Os madrigais vão despertar Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz ela semeia (bis)
Toda a corte engalanada
Transformando o mar em flor
Vê o Império enamorado
Chegar à morada do amor
Oguntê, Marabô
Caiala e Sobá
Oloxum, Inaê (bis)
Janaína, Iemanjá
São Rainhas do Mar...

Veja:



A Império também tem o quase impronunciável, e acho que onomatopaico, samba Bumbum Praticumbum Prugurundum [Beto sem Braço e Aluísio Machado]. O samba tem um sabor metalinguístico e fala sobre os acontecimentos do carnaval e sensações advindas dele. Acompanhe!



Limitando-se somente em sambas-enredo que fizeram sucesso também na música popular brasileira, a escola de samba carioca União da Ilha possui dois belos exemplares: O Amanhã e É Hoje.

O Amanhã, composta para o carnaval de 1978, foi regravada pela cantora Simone e possui aquele conhecido refrão:

""Como será o amanhã
Responda quem puder
O que irá me acontecer
O meu destino será como Deus quiser".




Em 1982, essa escola veio com outro grande samba que já foi regravado por Caetano Veloso e fez grande sucesso com Fernanda Abreu. Quem nunca ouviu ou cantou esses versos:

"É hoje o dia da alegria
É a tristeza, nem pode pensar em chegar
Diga espelho meu!
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu".




O Salgueiro entra nessa lista com o samba Peguei um Ita no Norte, de 1993, com os conhecidos versos: "Explode Coração! Na maior Felicidade! É lindo meu Salgueiro! Contagiando e sacudindo essa Cidade".

Desfile completo:



Outro antológico, e que foge à essa temática festiva, é o da escola de samba Em Cima da Hora, Os Sertões, livremente inspirado no livro homônimo de Euclides da Cunha e na Guerra de Canudos.

Aqui!



De temática social também é o samba-enredo da Mangueira, de 1988, 100 Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão que como já expresso no título fala sobre a escravidão e questiona se ainda estamos, ou não, nesse período.



Lembro também uma das marchas mais conhecidas do carnaval, principalmente quando falamos de Pernambuco: Vassourinhas [Mathias da Rocha e Joana Batista Ramos]. Se você pensa que não conhece essa marchinha, engana-se pois geralmente quando vemos, em qualquer lugar, alguém dançando frevo geralmente é ao som deste frevo.Veja a Orquestra do Maestro Spok:



Ademais, para não ficar com apenas um representante do nordeste brasileiro, mesmo que ela não seja propriamente feita para o carnaval, ela é parte integrante de diversos trios elétricos na Bahia, desde o de Moraes Moreira ao Trio de Dodo & Osmar : Pombo Correio , de Moraes, aqui com introdução do gênio Armandinho na guitarra baiana.

Termino esta lista, contando com a participação de vocês, para lembrar de mais sambas/marchinhas e etc significativas e marcantes do carnaval.

Já deixo a minha contribuição com uma bela e paulistana marchinha de Adoniran Barbosa e Marcos Cesar, na performance dos Demônios da Garoa: Vila Esperança

Vila Esperança, foi lá que eu passei
O meu primeiro carnaval
Vila Esperança, foi lá que eu conheci
Maria Rosa, meu primeiro amor

Como fui feliz, naquele fevereiro
Pois tudo para mim era primeiro
Primeira rosa, primeira esperança
Primeiro carnaval, primeiro amor criança

Numa volta no salão ela me olhou
Eu envolvi seu corpo em serpentina
E tive a alegria que tem todo Pierrot
Ao ver que descobriu sua Colombina

O carnaval passou, levou a minha rosa
Levou minha esperança, levou o amor criança
Levou minha Maria, levou minha alegria
Levou a fantasia, só deixou uma lembrança...



E vocês, alguma sugestão?

Bom Som!

Mauro Henrique.

___________

[1]. Paidéia é, segundo Jaeger, em livro de mesmo nome; o sistema educativo que visava formar o homem individual, e mais ainda, o cidadão.

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Postado por Mauro Henrique Santos
1/3/2017 às 21h52

 
Paralamas do Sucesso: Novo álbum e shows em SP

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Prestes a entrar em estúdio e gravar o primeiro álbum de inéditas da banda desde Brasil afora (2009), Os Paralamas do Sucesso fazem mini turnê desde a última quinta-feira (10) e vão até este sábado (14), no Sesc Pompéia.

Oportunidade única pra quem conseguiu comprar os 800 ingressos disponíveis por noite e que se esgotaram em poucas horas, que assistiram o show que será realizado na comedoria do espaço, onde se pode assistir aos shows em pé – não tão comum em se tratando de Sesc – e muito próximo da banda.

A informação de que o Power Trio brasileiro se organiza para entrar em estúdio foi veiculada no blog Notas Musicais do ótimo jornalista musical e xará Mauro Ferreira: Veja aqui.

O que se sabe, por enquanto, é a presença no álbum da música Sinais do Sim cantada em shows da turnê recente e que a banda pretende iniciar a temporada de shows no segundo semestre deste ano.

Sinais do sim

(Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna)

Meu
Sei que o teu coração é meu
E a honra que te convenceu
De que o melhor está por vir
Sim
Se deixe levar por mim
Peço perdão por insistir
Mas se já chegamos até aqui
Você vai ver que um novo dia
Não parece tão ruim
Há muito tempo só se via
A poeira da dor
Nos sinais do sim
Não se afaste tanto dos seus sonhos
Sem ser ousado, eu te proponho
Relaxe, se deixe sonhar
Pois um dos encantos desta vida
É não ter peso nem medida
Pra restringir o imaginar
Você vai ver que um novo dia
Não parece tão ruim
Há muito tempo só se via
A poeira da dor


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Postado por Mauro Henrique Santos
14/1/2017 às 19h06

 
Lô Borges ou a estreia 45 anos depois

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Lô Borges, ao contrário do que os 65 anos, completados na última terça-feira (10), podem indicar, segue a carreira com ritmo admirável e com novidades.

Ano passado lançou CD do projeto em conjunto com Samuel Rosa, do Skank, - com músicas dos dois e parcerias inéditas -, DVD ao vivo do álbum, gravado no ano anterior em Belo Horizonte, além de vários shows da dupla e da sua carreira solo. E quando, poderia se imaginar, que o início deste ano do cantor, compositor e multi-instrumentista mineiro seria de descanso, descobrimos que o pensamento trata-se de um engano.

E a novidade em questão diz respeito a um clássico. Explico: Lô inicia temporada do cultuado e icônico LP homônimo, de 1972, feito logo após ter dado lume, juntamente com o coletivo de Minas, ao mítico Clube da Esquina. Se você nunca ouviu falar do disco, talvez basta dizer que me refiro ao Disco do Tênis, chamado assim, por conta da capa, do fotógrafo Cafi, responsável pela capa do Clube também, que estampa o calçado usado do outrora primo de Lô que o ganhara depois de propor uma troca ao parente.

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E qual seria o elemento novo de um disco gravado em 1972? Após gravar o Clube da Esquina com Milton, Beto Guedes, Novelli, Flávio Venturini, Toninho Horta, os letristas Fernando Brant, Ronaldo Bastos entre outros, Lô Borges, com recém completados 20 anos, recebeu a oportunidade de gravar um disco. O tempo era exíguo. Compunha pela manhã, o compositor e irmão Márcio Borges, era responsável pelas letras à tarde, as gravações e arranjos eram feitos durantes a noite.

Lançado o trabalho, que ao contrário da prática de trazer o rosto do artista, trazia um par de tênis usados de símbolo, o jovem mudou-se para a Vila de Arembepe, na Bahia, com objetivo de fugir dos holofotes e se desenvolver como compositor e, portanto, nunca estreou o show do LP.

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A empreita de reconstituir a sonoridade do Tênis, partiu do compositor mineiro Pablo Castro, especialista neste tipo de trabalho. Ensaiou cerca de três meses com sua banda composta pelos jovens músicos Guilherme de Marco (violão, guitarra e local), Marcos Danilo (violão, guitarra, percussão e vocal), Alê Fonseca (teclados), Paulim Sartori (baixo, bandolim, percussão e vocal), D’Artganan Oliveira (bateria, percussão e vocal e apresenta de sexta (13) a domingo (15), no Sesc Vila Mariana, o Disco do Tênis com arranjos originais e ingressos esgotados há mais de uma semana.

No repertório, canções que vão do psicodélico ao experimental e forte lirismo como Não foi Nada, O Caçador, Aos Barões, Fio da Navalha, assim como seus clássicos Girassol da Cor do Seu Cabelo, O Trem Azul, Clube da Esquina, Paisagem da Janela, Para Lennon & McCartney e Nuvem Cigana. Grande oportunidade de ouvir, pela primeira vez ao vivo, essa estreia aos 45 anos!

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Postado por Mauro Henrique Santos
14/1/2017 às 17h18

 
Narrando para sobreviver: As 1001 Noites, o filme

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Os últimos momentos do ano de 2016 nos reservaram ainda as estreias do segundo e terceiro volumes da trilogia As Mil e Uma Noites, O Desolado e O Encantado. Para quem não pôde assistir ao primeiro capítulo da obra, o Belas Artes, em São Paulo, exibe As Mil e Uma Noites Volume 1 – O Inquieto, para que possamos apreciar a sua integralidade.

A tríade foi concebida como um projeto único, contudo todas possuem unidade e coesão, não prejudicando quem, por ventura, testemunhar apenas uma ou outra. Se valendo da máxima atribuída a Tolstoi: “se queres ser universal, comece a falar da sua aldeia”<, o cineasta se apropria do histórico recente do seu país, entre agosto de 2013 e julho de 2014, momento em que Portugal, sub o jugo de um “programa de austeridade imposto pelo governo sem senso de justiça social” e pelos órgãos financeiros internacionais, que empobrece ‘quase’ – bom frisar esse quase – toda população portuguesa. Essa premissa traz um ar de atualidade com Zeitgeist, além do país lusitano, de outras nações como Espanha, Grécia, Brasil e etc.

Seu diretor, o português Miguel Gomes, do excepcional Tabu [2012], teve, portanto, não mais que três anos para realizar o seu projeto de recriar, à sua maneira, a história árabe, que em que pese tome para si o nome do preclaro livro, não se trata de uma adaptação cinematográfica, embora se inspire na estrutura fabular, como expresso no início do filme.

Apesar da unidade da obra, a primeira parte d’As 1001 Noites é a que possui carácter mais experimental. A maneira de Fellini, em 8 ¹/², a personagem interpretada por Gomes demonstra certo esgotamento e impossibilidade de realizar o seu ofício, em que o próprio diretor, a maneira do italiano, se aproveita da dificuldade de se realizar um filme como uma força criativa para ajudar na construção e estruturação do filme. Desse bloqueio de levar à tela o problema que seu país, seja financeiro ou ético, Gomes usa o artifício de convocar para o seu filme provavelmente a maior contadora de histórias que se tem notícia.

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Xerazade, como sabemos, personagem literária d’As Mil e Uma Noites, coletânea de histórias originadas principalmente no Oriente Médio, em que o rei Xariar, após descobrir um caso de fidelidade da esposa e matá-la, decide passar todas as noites com uma mulher diferente e ordenar que a matem na manhã seguinte, escapando assim de qualquer caso de infidelidade. Depois de certo tempo, Xerazade pede ao pai, o Vizir, para ser entregue como noiva ao rei, pois tinha um plano para frear a gana do rei em matar. Ela passa a noite contando uma história ao rei e suspendendo-a meticulosamente ao amanhecer, prometendo termina-la assim que anoitecer. O rei sedento por saber o final da história poupa-lhe a vida, esperando até o final do dia para saber o desfecho do que passou a noite ouvindo. Xerazade narra histórias como forma de subsistência, narra para não morrer.

Concebo a Xerazade como um espelhamento do diretor, ao menos do diretor em crise, aquele exposto no início do primeiro filme. O cineasta levou por volta dos mil dias para realizar os três filmes, desde o final de Tabu ao lançamento dos três filmes, assim como o empreendimento de Xerazade deu-se em período semelhante. Se o diretor sofre de bloqueio criativo no filme, ela foge do castelo e passa pelo mesmo processo agônico e de instabilidade, julgando-se incapaz de continuar narrando histórias, noite após noite, ao seu esposo – acompanhamos boa parte da sua aflição ao som da música Fala escrita por Luhli e João Ricardo, em performance do grupo Secos e Molhados.

A tese de que o cineasta passava por uma angústia criativa encontra consonância com Diário de Fabricaçãodo filme, disponibilizado à imprensa, que exprime, dia a dia, o processo de construção do filme, em que nem mesmo o diretor sabia o que viria a seguir e que, "encontraria" o tom da sua obra no seu desenvolvimento:

21 de novembro

Tento colocar-me no lugar de Sayombhu Mukdeeeprom, o director de fotografia tailandês queaceitou vir viver para Lisboa durante um ano para fazer este filme. Dissemos-lhe que tínhamos garantido durante doze meses uma câmara de 16mm e um jogo de objectivas anamórficas apesar de não fazermos a mínima ideia do que iríamos filmar[...]

25 de novembro

Mas que (...) andamos aqui a fazer? Sinto-me o Ed Wood! De manhã ensaiámos com 73 actores e distribuímos dildos [N.E: pênis de borracha] a todos (rodagem de Os Homens do Pau-Feito para a semana. Almoço a ver fotos de camelos. À tarde vejo vídeos com depoimentos de desempregados em Aveiro para o filme de fim do ano (O Banho dos Magníficos?): deixam-me prostrado. A produção está nervosa com a ideia de reservar hotéis para o ano novo e quer saber pormenores. Eu também mas ainda não há argumento. Peço que me construam uma baleia. Aconselho qualquer realizador a mandar construir uma baleia quando estiver em sarilhos [N.E: situação complicada][..].

25 de fevereiro

É preciso dizer alguma coisa ao Thomas Ordonneau, o produtor francês, que está à rasca porque tem de organizar a rodagem do episódio com Xerazade em Marselha. Vemos pelo google Earth o que há por lá. Mar e ilhas. Que seja! A Xerazade ganha uma casa (na verdade um Castelo): o Château d'If. O que vai ela fazer por lá?Não faço a mínima ideia.[...]


O procedimento de construção das histórias também é parecido. Se no livro os personagens que participam das histórias, voltam a diante em outras, no filme há casos como o de Catá que é a ligação dos capítulos “Floresta Quente” e "O Inebriante Canto dos Tentilhões”, bem como os de outros atores que ao ir e vir interpretando diversos personagens ao longo do longa-metragem trazem à obra uma fluidez narrativa interessante. Se esta inovação na articulação das histórias pode ser creditada à Xerazade, Gomes não se faz de rogado, de maneira que pôde aprofundar algumas escolhas narrativas ao longo dos mais de 380 minutos da trilogia.

Utiliza como recurso de narração a linguagem instantânea dos SMS, quebra a quarta parede ao utilizar personagens que interagem com a câmera – sobretudo com crianças interpretando adultos -; tudo isto acontece apenas no primeiro volume, somando-se a isso também a metalinguagem em relação a incapacidade do diretor. O segundo volume – O Desolado apesar de ser mais convencional do ponto de vista narrativo, possui a melhor história de toda obra, "Lágrimas da Juíza", que a partir do julgamento de um caso corriqueiro em que uma senhora se apodera de móveis de uma casa alugada a juíza se vê envolta em uma rede de crimes, sejam eles econômicos ou de outra natureza, machismo e culpa que permeia toda sociedade portuguesa e que a impedem de julgar de maneira justa.

O volume 2 é o mais resolvido, no sentido de estabelecer de maneira mais nítida a distância entre o real e o imaginado, neste escolhido como representante português para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Entenda-se convencional não como mesmice, neste diretor que possui um texto e imagens de elegância ímpar. Nas três histórias desse volume 2, o diretor expõe de maneira crítica o complexo momento social que se vivia ali, sem perder o humor e o sarcasmo. A primeira história intitulada “Crônica de Fuga de Simão ‘Sem Tripas “, em que mesmo decidindo praticamente narrar em off toda o conto realiza um grande cinema, ressaltado pelo surpreendente final da história do homem que a despeito dos crimes que cometeu, cativou toda população por enganar o governo.

A história seguinte é a já comentada acima, Lágrimas da Juíza, em que tendo novamente como mote o empobrecimento da população causado pelo programa de austeridade do governo português, os acusados são levados à Justiça – também instituição portuguesa – que por fim, se sente incapaz de julga-los. O interessante é que o tom de farsa dado ao julgamento está no texto e revelados por outros elementos como a roupa do Gênio – semelhante a uma fantasia carnavalesca – e uma vaca feita de papel que conversa com oliveiras.

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Aliás, um aspecto recorrente nos três filmes é a relação do homem com os animais, da comunicação do homem com o animal. Se permitindo a utilizar fartamente deste expediente, por ser adequado a sua estrutura fabular, Miguel Gomes, em O Inquieto nos revela a história de um galo que é levado à julgamento por cantar fora de hora. No desenrolar da história percebemos que o bicho estava tentando se comunicar, para indicar um delito, mas ninguém se interessou por decifrar o aviso. A vaca, do mesmo modo, nos ajuda a elucidar de alguma maneira, um crime. Enquanto no derradeiro episódio deste volume “Os Donos de Dixie” vemos a história de um cão que muda de dono diversas vezes, similarmente por conta do desarranjo financeiro do país.

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Penso que essa questão da [in]comunicabilidade com os animais, isto é, de tentar ouvir ou decifrá-los, liga as três partes, como sustenta o roteiro do volume final, O Encantado. O tom muda completamente, ainda que não perca totalmente o tom de fábula, o registro é claramente documental, em que se tem como foco o povo português simples. Além, de ser uma atitude transgressora em relação ao original, posto que a narrativa árabe retrata predominantemente nobres e enredos que em algum momento o elemento mágico se faz presente. O ato é insubmisso também, por exemplo, em “O Inebriante Conto dos Tentilhões”, em que homens numa espécie de comunidade secreta, tentam ouvir pássaros, cria-los, reproduzir seu canto de uma geração à outra e leva-los para competições. Transgressão, por que desafiam a autoridade, para fazer essas ações que são proibidas pelo governo, ‘apenas’ para ouvir os pássaros.

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Este episódio poderia ter se condensado um tanto mais, para preservar o ritmo geral da obra, no entanto, sem prejudicar a dramaticidade total da obra. Não que esse episódio destoe dos outros, muito pelo contrário, vê-se claramente uma habilidade do realizador português em entrar e sair das histórias, como no episódio "Floresta Quente", que inicia e termina entre o conto dos "Tentilhões...", assim como utiliza a música como contraponto aos momentos mais contemplativos do filme, como temos na música dos Secos e Molhados, bem como no clipe de Samba da Minha Terra, , dos Novos Baianos – que surge em um momento em que a comunidade árabe e os portugueses se queixavam de saudades da nossa terrinha – bem como das diversas versões da música Perfídia, bolero de Alberto Dominguez, levadas à tela em momentos diferentes. Esta música, diga-se de passagem, se adequa ao contexto do que vemos na tela. Além de revelar uma incompreensão de entendimento, semelhante à falta de comunicação ou dos sentimentos alheios serem inatingíveis, centraliza a mulher como detentora de poder de comunicar diretamente com Deus e com outros elementos, como o mar, que após a Xerazade ir se banhar, para conhecer o mundo, pois vivia enclausurada, enamorou-se do Peddleman, nativo, mas um parvo.

Por esse poder de comunicação, escolhas narrativas refinadas e acertadas para dar conta de um mundo pós-moderno em que não existem grandes narrativas totalizadoras que dão conta de explicar tudo que acontece em nossa volta e se aproximar de uma personagem mítica para abordar a história recente do seu país, Miguel Gomes se inscreve na categoria dos grandes contadores de histórias do cinema moderno.

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Trailer - Volume 2:

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Trailer - Volume 3:

Cotação:

AS MIL E UMA NOITES - VOLUME 1: O INQUIETO *****

AS MIL E UMA NOITES - VOLUME 2: O DESOLADO ****

AS MIL E UMA NOITES - VOLUME 3: O ENCANTADO ***

Direção: Miguel Gomes

E Feliz 2017 a todos!

Mauro Henrique Santos.



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Postado por Mauro Henrique Santos
1/1/2017 às 22h52

 
A história da canção: entrevista Paulinho Moska

Estreia hoje nova seção do blog sobre a história por trás das canções

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Você já se perguntou qual a origem da música que tanto gosta? Ou mesmo se intrigou com aquela que apesar de apreciar ou do sucesso parece, como boa obra de arte, ter vários significados ou aparentemente nenhum? Pensando nessa questão, o blog iniciará uma seção em que os reais compositores das letras revelam a história por trás da canção. Arte? Acaso? Trabalho incessante? Inspiração? São fatores estudados desde a Antiguidade e que permanecem sem resposta – que não seja questionada - até hoje.

Para iniciar a série de entrevista, conversamos com o músico Paulinho Moska. O músico gentilmente nos contou a história da composição das letras de Saudade e Namora Comigo que de alguma maneira contribuem mais ainda para explicar – ou seria explicar para confundir, como diria Tom Zé – os tópicos interrogativos acima. Mostrou que a música final pode surgir de um passeio, da ‘raiva’, de uma brincadeira e que, acima de tudo, não há regras pré-estabelecidas para concebê-la.

Seja arte, inspiração, técnica, habilidade ou acaso, deixemos as querelas para os estudiosos, da nossa parte espero que todos vocês se deliciem, com muito gosto, com os casos musicais que ‘tocarão’ aqui nesse espaço.



BLOG SOBRE AS ARTES - Poderia narrar, o mais detalhado possível, história que propiciou a gênese da música Saudade, em parceria com Chico César?

PAULINHO MOSKA: Chico sempre me visita quando vem ao Rio. E sempre de bom humor! Um dia ele chegou meio cabisbaixo, não sorriu quando saltou do taxi. Subiu a escada da minha casa e me disse: "Paulinho, no caminho pra cá passei pela Lagoa e vi uma cena linda: o reflexo da lua branca no manto negro das águas. Me deu uma saudade..." e me abraçou. Eu logo correspondi ao abraço e perguntei: "Saudade de quem, do quê, Chico?". E ele me respondeu: "De ninguém, de nada. Só a saudade pura mesmo!". Imediatamente após minha gargalhada de alívio, dei a ideia de fazermos uma canção sobre esse tema, a saudade pura.

BLOG -< A escrita, propriamente dita, foi a quatro mãos?

PAULINHO: Nos sentamos no sofá da sala com um violão, um papel e uma caneta, que iam se revezando nas minhas mãos e nas do Chico. Cada ideia que aparecia ia levando à uma outra.

BLOG -
O processo de composição foi árduo ou foi apenas "botar saudade em tudo"?

PAULINHO MOSKA: Teve uma fruição característica daquelas canções que já nascem prontas, foi muito intuitiva. Mas eu e Chico gostamos da palavra e cuidamos para as rimas enriquecerem o poema. Só de estar na frente dele acho que fico mais exigente comigo mesmo. Maria Bethânia me disse no camarim depois de um show dela em que Saudade estava no seu repertório: "Essa música não é sua nem de Chico, Saudade é do povo brasileiro".

BLOG - Já comentou em diversos momentos – shows, principalmente - que quando não entende alguma coisa ou algo, ela [a coisa] permanece fixa na tua cabeça, e por fim você se propõe a escrever sobre o assunto. Como é isso? Para que compõe ou escreve?

PAULINHO MOSKA: Poesia é tudo aquilo que não tem explicação. Escrever é uma forma de sobrevoar o espírito da poesia tentando criar um jogo onde as palavras liberem novos sentidos. Eu escrevo e componho sem perceber, como se fosse um segundo oxigênio que potencializa. Acho que no fim das contas escrevo e componho para sobreviver.

BLOG - Existe parceiro mais fácil ou mais difícil de compor junto? Prefere o momento da composição ou musicar algo preexistente?

PAULINHO MOSKA: Parceiro bom é aquele que escreve bem. De preferência com rimas e número de sílabas proporcionais. Adoro esse formato, que é o mesmo quando eu escrevo. O momento é muito importante. E quanto mais intimidade pessoal, maior a chance de acontecer. Não consigo compor com alguém que eu não conheça pessoalmente.

BLOG - Apesar da singularidade que a palavra ‘saudade’ possui no nosso idioma o que dizer da versão de Pedro Aznar? Trata-se de um outro tudo - outra saudade, outro sentimento, outra canção?

[Veja logo abaixo um vídeo, de qualidade não muito boa (me desculpem, rs), dos dois cantando a música]



PAULINHO MOSKA: Pedro é apaixonado pelo nosso idioma (português) e pela nossa música (MPB). A versão dele é excelente.



BLOG - Você citou a escadaria quando contou recentemente a não menos deliciosa história da música Namora Comigo. Poderia narrar ela novamente em detalhes?

PAULINHO MOSKA: Mart'nalia sempre gravou canções minhas em seu discos. Grande amiga, de casa. Um dia fui ao cinema e encontrei a empresária dela, que é também uma grande amiga minha. Perguntei sobre a Nega e ela me respondeu que Tinalia estava terminando um disco novo, mas sem música minha??? Como??? Fiquei com um ciúmes mortal e fui pra casa compor correndo uma música pra ela. Mas antes resolvi enviar um e-mail, dando uma bronca nela. Na tela branca escrevi: "POOOOOOORRRRRAA MART'NALIA!" Depois, achando que tinha pegado pesado, escrevi: "Namora comigo também né, Nega!" E a partir dessa frase escrevi a letra, gravei e enviei no mesmo e-mail a canção pronta. Quase um mês depois, no dia dos namorados, quando eu já pensava que ela não tinha gostado da música, recebi um buquê de flores gigante com um envelope (sem cartão) escrito assim: "NAMOOOOOOROOOO!!!

BLOG - Falando novamente do processo de composição da música. Apesar de não ser, me parece que você instaura outro tipo de parceria, por parecer que incorpora a figura, estilo e a voz da Mart'nália ao compô-la. É assim que acontece? Esse é o seu procedimento ao iniciar uma canção endereçada à outra pessoa, seja cantor ou mesmo um anônimo?

PAULINHO MOSKA: Não costumo compor pensando em outra pessoa. Parto do princípio de que sou eu que tenho que gostar. Se a canção ficar boa o suficiente para eu mesmo gravá-la, está pronta para ser enviada para algum (a) intérprete.

BLOG - Apesar da beleza, sensualidade e outras sensações positivas que a música suscita, ela surgiu, como aparece em alguns depoimentos seus, de uma espécie de vingança. Claro que num tom irônico. Ao saber que Mart'nália estava finalizando um álbum novo sem composições tuas. Você transforma sentimentos adversos, constantemente em canções belas? Como ocorre esse fenômeno?

PAULINHO MOSKA: Compor uma canção é como armar um jogo de quebra-cabeça, um puzzle. E nesse jogo cada jogador esconde suas intenções nas entrelinhas, nas melodias e no jeito de cantá-las. Tudo parte de um ponto (no caso foi a vingança), mas logo descamba para as outras sensações e sentimentos que afloram em seguida. Pode ser um acorde ou uma frase escrita. Dali tudo toma um novo caminho e pode se agenciar com as mais diferentes imagens.

BLOG - Já havia feito alguma composição por e-mail? Já de início pensou que sairia uma música?

PAULINHO MOSKA: Não, foi a primeira vez. Não tinha a intenção.

BLOG - Como é compor sobre pressão? Como no caso dessa canção, que havia dito para a empresária da Nega, Márcia, que tinha “umas quatro ou cinco músicas boas em casa”. Neste caso ajudou, mas costumeiramente é assim?

PAULINHO MOSKA: Eu menti. Não tinha nenhuma boa. Foi só pra ganhar tempo e me forçar a compor. Às vezes uma pressãozinha cai bem. O Zoombido (minha série de TV) é na pressão o tempo todo.

BLOG - Gostou da gravação da Mart'nália? E, além disso, qual a sua impressão da produção musical e participação, na própria canção, do Djavan?

PAULINHO MOSKA: Achei um luxo total a participação do mestre Djavan. A canção foi feita pra Mart'nalia e é lindo escutar a voz dela cantando os versos que escrevi. Imaginei a situação dela seduzindo alguém na plateia de um show.

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Quem estiver com vontade de ouvir estas e outras histórias indico o show que o cantor estará fazendo em São Paulo, neste sábado, 23, no Teatro J. Safra, da turnê Violoz. O músico se apresenta com formato voz e violão, mas não sem novidade. Moska decidiu levar consigo seus violões favoritos para interpretar de outra maneira as canções: violão com cordas de Nylon, outro violão com cordas de aço, um barítono (afinado em Si), um violão híbrido (violão guitarra) e um ukelelê.

Além das canções que foram tema da nossa conversa acima temos também outras que são os sucessos absolutos de sua carreira: A Seta e o Alvo, Pensando em Você, Idade do Céu, Último Dia, Tudo de Novo, Muito Pouco, além de uma versão de Terra de Caetano Veloso assim como Enrosca de Guilherme de Lamounier, ambas gravadas para novelas recentemente.

Acompanhei a estreia da turnê em São Paulo, no Sesc Belenzinho, em agosto passado . Um bom show!

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Postado por Mauro Henrique Santos
23/7/2016 às 18h49

 
Filme: Um dia Perfeito - Fernando Léon Aranoa

Filme estreia nesta quinta, dia 21 de julho em São Paulo e no Rio de Janeiro nos cinemas e, ao mesmo tempo, de maneira inovadora aos assinantes do NET NOW

Com Benicio del Toro e Tim Robbins obra retrata a história de um dia de agentes humanitários em meio a guerra dos Balcãs

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Em plena Guerra dos Balcãs, Mambrú (Benício Del Torro) é encarregado de retirar um cadáver de dentro de um poço que abastece um vilarejo. Mambrú lidera o grupo de agentes humanitários que estão tentando impedir que o corpo contamine a água, o que acontecerá dali a 24 horas.

Próximos de concluir a tarefa, a corda arrebenta e surge uma série de imprevistos que vão permear todo esse período. Pode parecer ironia, mas esse é o dia perfeito que trata o título do longa-metragem. E é usando o discurso irônico que o filme se destaca com momentos de humor negro e situações nonsenses, de muita burocracia que se revelam.

Apesar de ser um filme que se passa em uma zona de conflito em meio à guerra, ele possui uma abordagem completamente diferente da maioria dos filmes deste tipo. Não há foco no campo de batalha, nas mortes ou mesmo em cenas de violência brutal; dada a natureza dos agentes, tampouco eles portam armas. No entanto, a tensão está presente em vários momentos ao longo do dia.

Responsável por esse sentimento Fernando Léon Aranoa (do bom Segunda-feira ao Sol ) faz uma ótima direção ao equilibrar a ironia, humor negro, drama, ação e cotidiano, principalmente utilizando cenas aparentemente prosaicas com outras de se prender a respiração. O plano em que uma senhora tange o gado para voltar para casa é um exemplo desse equilíbrio. A angústia que a direção segura de Aranoa nos proporciona nesta cena de quase total ausência de conflito é exemplar.

O diretor também assina o roteiro, vencedor do Goya, que é baseado no livro Dejarse Llover, de Paula Farias, escritora, médica humanitária e ex-presidente da ONG Médico sem Fronteiras, tem como qualidade captar a imensa complexidade de relações que se estabelecem entre a comunidade local e o entre os próprios agentes.

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Em busca da corda pra retirar o corpo, o personagem B. (Tim Robbins, vencedor do Oscar de Ator Coadjuvante por Sobre Meninos e Lobos, em mais uma boa atuação) juntamente com o interprete local vão a um empório, nas cercanias, e encontram fardos de corda, mas ao tentarem comprar o dono informa que ‘não tem’ corda para ser vendida. O motivo? Os povos são rivais. Eles tentam insistir, mas a hostilidade no lugar e a pressão de todos em volta fazem perceber que nem mesmo argumentos financeiros seriam suficientes.

Os personagens possuem seus próprios dilemas. Sophie (Mélanie Thierry, de Missão Babilônia) é a nova agente e parece que não vai conseguir suportar o estresse, pois desde o início padece ao ver o cadáver ou uma vaca em decomposição na estrada. Mambrú está em sua última semana de trabalho na guerra e pensando em se aposentar, o que pode significar que ele relativizará as regras do lugar ou não se arriscará para voltar logo para casa, mas o que o perturbará mais ainda é a presença de Katya (Olga Kurylenko, de 007 Quantum of Solace), analista de conflitos, ex-affaire e que mantém, como provocação, contato com a sua mulher.

Com foco na dimensão humana dos personagens na abordagem da guerra, sem hierarquizá-los, em que a importância e a busca da corda para capturar o corpo do poço e a bola de uma criança possuem o mesmo valor, o valor da busca ou o que a move.

Voltando ao início do texto o adjetivo não está qualificando aquilo que nos apetece de maneira ideal, mas revelando que um período com todos esses elementos, mesmo que adversos, pode ser sim um dia perfeito.



Cotação: Bom (***¹/²)

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Postado por Mauro Henrique Santos
21/7/2016 às 23h05

 
João Rock: 45 mil celebram o rock em Festival

Evento acontece este final de semana no interior de SP e reúne diversas bandas do Rock Nacional

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Se não conhece é uma boa oportunidade para se informar sobre um dos maiores festivais deste país. Facilito para vocês. Criado em 2002, na cidade de Ribeirão Preto (SP), completa em 2016, a sua 16ª edição, sempre com foco no rock nas suas mais variadas manifestações.

Com cerca de 230 mil metros quadrados, o Parque Permanente de Exposições receberá um evento que pretende refletir o sucesso acumulado ao longo desses quinze anos. Se na primeira edição a escalação de bandas contou com um palco e quatro shows, teremos, no próximo dia 18 de junho, um evento que impressiona pelo tamanho: quatro palcos, 17 bandas, 14 horas ininterruptas de som, área de alimentação, camarotes, área premium, área de esportes radicais, lojas de souvenirs e 45 mil ingressos esgotados desde abril.

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Samuel Rosa, vocalista do Skank, banda participante de cinco edições, raciocina nessa tônica:

"O Skank tocou em algumas edições do João Rock e a cada ano a estrutura, o som e o público melhora. No palco me sinto em um dos maiores festivais do mundo. Atualmente, o João Rock é um dos eventos mais importantes do circuito pop/rock no Brasil”


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Para Marcelo Rocci, um dos organizadores do evento, o seu sucesso provém de uma receita que combina a manutenção de uma essência com doses de inovação.

“"Quando começamos, queríamos trazer para o interior o espírito de festival. Ao longo destes anos, procuramos sempre focar no rock e no pop, sem abrir muito para outros ritmos para não descaracterizar o festival. Além disso, buscamos inovar com a criação de novos palcos, ampliação do espaço e da estrutura, atrações paralelas e o envolvimento com temáticas sociais".


E é realmente no palco que o festival se destaca. Este ano, o João Rock volta a ter o palco principal – que possui o mesmo nome da festa – no sistema non-stop, uma ampla estrutura com dois palcos ladeados, que no momento que se encerra uma apresentação, começa rapidamente outra.

É nesse contexto, sem fôlego e poucas pausas, que lá se apresentarão: Planet Hemp, Criolo e Convidados, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Natiruts, Nação Zumbi, Black Alien e Nando Reis.

Celebrando o crescimento, mas como já dito, sem esquecer sua trajetória, a organização do evento convocou as mesmas quatro bandas do dia de seu nascimento no Palco 2002: Ira!, Titãs, CPM 22 e Cidade Negra.

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Uma boa oportunidade para conhecer novas atrações, em meio a bandas consagradas nacionalmente, está no Palco Fortalecendo a Cena com Marrero, Supercombo – ambas com apresentações no Lollapalooza deste ano -; Dona Cislene, Scalene e Far From Alaska.



Portanto, trata-se de um festival que no 15º aniversário já alcança a maioridade...

Mauro Henrique.

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Postado por Mauro Henrique Santos
14/6/2016 às 09h14

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