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Quinta-feira, 23/2/2017
Blog de Isaac Rincaweski
Isaac Rincaweski

 
Gente que corre


Tem gente que gosta de correr na companhia de algum amigo ou até mesmo em grupos de corrida. Tem gente que gosta de variar os trajetos. Tem gente que gosta de seguir planilhas de treinos. Tem gente que gosta de competir, correr no limite (ou até mesmo acima dos limites). Tem gente que tem sangue nos olhos quando calça um par de tênis...

Mas tem gente, assim como eu, que prefere correr sozinho; que gosta de participar de provas, mas não tem a necessidade de chegar à frente; que prefere correr quase sempre na mesma rota; que não treina para correr, mas apenas corre por correr... Corre por prazer, corre para chegar bem.

A corrida é um esporte tão democrático que permite tudo isso. Afinal, qual é o esporte que, simples mortais, atletas amadores, podem praticar e se divertir na mesma prova que os atletas de elite?

Certa vez, eu estava participando de uma meia maratona que teve a presença de um corredor keniano (não lembro o seu nome). Eu já o havia encontrado na fila do banheiro, mas não tinha me dado conta de que ele era “o cara”, tamanha (e também a sua falta de tamanho) era a sua humildade ali entre nós, na galera.

Mas quando a corrida começou para valer, logo eu perceberia o “tamanho” do monstro que estava ainda há pouco ao meu lado. O cara não corria... Ele voava! E voava com tanta graça e leveza que parecia estar levitando, tamanha era a suavidade das suas passadas, longas e seguras. Infelizmente, não tive a oportunidade de assistir à sua vitória, pois, quando ele chegou, eu ainda estava no meio do caminho...

Mas não é só gente perfeita ou atletas que correm. Tem gente que, para correr, precisa de olhos bondosos “emprestados”. E, a pretexto dos olhos, esses verdadeiros anjos corredores, acabam emprestando muito mais do que isso... Emprestam a sua sensibilidade, ao descreverem as paisagens pelas quais percorrem durante o trajeto; emprestam uma palavra de incentivo quando necessário, e, principalmente, entregam-se de corpo e alma para que o corredor com deficiência visual possa sentir-se seguro para se entregar à sua corrida.

E como não se emocionar com um cadeirante cruzando a linha de chegada? Impossível, não é mesmo? Pois a vibração e a recepção das pessoas na chegada são praticamente a mesma oferecida ao vencedor da prova, mesmo que esse cadeirante seja o único participante da sua categoria.

É por isso que eu acabei me apaixonando por esse esporte, pois ele abraça a todos que o procuram, sem distinção, bastando um par de tênis, ou nem isso, pois tem gente que prefere correr descalço!

E aí, gente, vamos correr hoje?

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Postado por Isaac Rincaweski
23/2/2017 às 13h36

 
Na trilha de um corredor

Hoje é segunda-feira. Ainda estou “curtindo” as dores da corrida de sábado. Foram as 3 horas e 43 minutos mais longos da minha vida.

Quando me inscrevi para participar dos 23 km da primeira Ultra Trail Rota das Águas, realizada em Gaspar-SC, apesar de já ter participado de outras provas que julgava semelhantes, eu não tinha a menor noção do que me aguardava.

Éramos uns 150 corredores fazendo esse percurso (os outros faziam percursos de 8 ou de 50 km) e, logo após a largada, numa estrada de terra, entramos em fila indiana numa trilha da mata, que, apesar de estreita, ainda permitia que se fizessem ultrapassagens em vários pontos sem a necessidade de “empurrar” o colega à sua frente no mato.

A partir desse momento, me senti numa montanha-russa, ora subindo, ora descendo, ora fazendo curvas fechadas, ora “freando”, para não me perder nas descidas das intermináveis trilhas.

Corri “às cegas” nos primeiros quilômetros, pois meu Garmim (relógio com GPS) não estava localizando o satélite, ou seja, eu não sabia qual era o meu ritmo, tampouco o percurso que já havia percorrido e, por ironia do destino, foi esse pequeno problema que me ajudou a completar essa prova.

O gosto por corridas em trilhas ainda é muito recente em minha vida de corredor e, apesar de todo o prazer que hoje elas me proporcionam, há sempre um lado negro e sabotador da nossa mente com que temos que aprender a lidar. São aqueles momentos de dificuldades em que você pensa que poderia estar no conforto de sua casa ou em qualquer outro lugar, menos ali, numa trilha no meio do mato!

Como até então eu só havia participado de trilhas no litoral catarinense (Guarda do Embaú, Praia do Rosa, Lagoa da Conceição), lugares lindos, com vistas paradisíacas, eu não estava preparado para correr num local que, digamos, não oferecia esse bônus da vista de “perder o fôlego”, ou de correr à beira-mar, com uma brisa marinha me acariciando o rosto.

Não, definitivamente, durante esses 23 km de corrida, caminhada e quase rastejamento barranco acima, o que eu enxergava era somente mato, mato, e... Muito mato! É claro que, para os olhos de um botânico, por exemplo, talvez houvesse muitas espécies raras e maravilhosas de plantas a serem contempladas com um prazer idêntico ao que eu sentia quando corria nas paisagens de cartões postais das trilhas do litoral. Mas, infelizmente, não era o tipo de beleza que eu sequer imaginava que pudesse existir naquele momento e lugar.

Eu reclamo das trilhas sem paisagens, mas, paradoxalmente, acabava sentindo saudades delas nos pequenos trechos de terra batida, quando saía do mato, onde a poeira e a força inclemente do sol das 10 horas da manhã me faziam lembrar e, até mesmo, desejar voltar ao abafado, mas gostoso abraço úmido das árvores que me protegiam daquela bola de fogo.

Apesar das dificuldades impostas por todo o trajeto, as primeiras duas horas de corrida foram relativamente agradáveis. Eu vinha correndo num bom ritmo e ainda estava inteiro. Mas, após essas duas horas, eu comecei a ficar um pouco chateado, entediado eu diria, pois a falta do Garmim, no início da corrida (agora ele já estava funcionando) me deixara sem norte, pois eu não sabia qual a distância que já havia percorrido e, principalmente, qual a distância para terminar a minha saga.

E continuei correndo, caminhando, rastejando, quando, como num passe de mágica, avistei a linha de chegada. Naquele momento, eu já estava me arrastando há mais de 3 horas, e não acreditei que a minha aventura havia terminado. E, como sempre, aquela força vinda das entranhas do meu corpo me atingiu como um choque de 220 volts para me acordar para a realidade da chegada. Meu sorriso se abriu espontaneamente para as pessoas que ali estavam, e consegui me reerguer para o tímido, mas triunfante sprint final...

Logo à frente, eu vi uma mangueira d`água trazendo aquele precioso líquido gelado do alto do morro, fazendo às vezes de chuveiro, mas não parei, pois antes eu queria cruzar a linha de chegada, que, na minha doce inocência, era somente alguns metros à minha frente... Ledo engano!

Logo após aquele verdadeiro oásis no meio do deserto de árvores, eis que um staff (pessoa ligada à organização da corrida) sinaliza-me para continuar e adentrar novamente na trilha da mata. Pensei que era uma brincadeira de mau gosto (pois a chegada era para o outro lado), mas, pela insistência daquele mercador de más notícias, tive que seguir em frente, totalmente desanimado, destruído. O sorriso e a força que estavam comigo um segundo atrás pareciam lembranças de uma infância remota. Será que era verdade?! Sim, era verdade...

E foi aí que eu entendi o porquê de meu Garmim não ter funcionado logo no início da prova, pois, se eu tivesse a mínima noção de que ainda faltavam quase 3 km de trilhas, eu teria desistido de completá-las, tamanho era o meu desgaste, tanto físico quanto emocional.

Eu praticamente me arrastei nesses últimos 3 km de subidas íngremes, tendo que administrar um conflito de interesses totalmente divergentes entre o meu corpo (que queria parar devido à exaustão) e o meu cérebro (que insistia em encontrar o lado positivo daquele momento).

Corri praticamente sozinho durante todo esse trajeto, tendo como companhia somente a “minha mata”, que me consolava à sua maneira, ou melhor, à maneira que “eu” enxergava (me protegendo do sol).

Eu estava tão só que, em determinado momento, me peguei falando sozinho, criando novas estratégias para não pensar na distância que ainda faltava para concluir a prova. E, de fato, de alguma forma, acabei me desligando totalmente e me concentrei somente em seguir em frente, correndo nas descidas e me arrastando nas subidas.

Foi aí que avistei um túnel e me lembrei de que, em algum momento, alguém da organização havia comentado sobre essa passagem da trilha para dentro do parque aquático.

Agora sim, eu já podia comemorar, pois ninguém mais iria impedir a minha chegada e, numa rápida reunião interna, selei o acordo de paz entre meu cérebro inacessível e meu corpo reclamão, e pude saborear em toda a sua plenitude aquele momento tão desejado, cruzando a linha de chegada com a deliciosa sensação de que tudo valera a pena...De que viver vale a pena! E, dessa vez, além do banquete (água e frutas) à minha espera, fui agraciado com um revigorante banho de mangueira, com aquela água cristalina e imaculada, vinda diretamente do ventre da mata, inundando meu corpo e minha alma com toda energia da natureza.

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Postado por Isaac Rincaweski
12/1/2017 às 08h04

 
Prazer, meu nome é corrida!

Percebo que muitas pessoas têm uma impressão distorcida sobre a real finalidade da corrida em minha vida.

Ouço coisas do tipo: “Ah, você corre, então deve viver até os 100 anos.”, ou “Você nunca vai morrer do coração!”.

O fato é que a corrida é muito mais do que isso. Para mim, a corrida, que começou como um remédio para reduzir minhas altas taxas de colesterol, acabou gerando benefícios que eu jamais imaginei, pois sempre tive a impressão de que correr era somente sacrifício, quando na realidade, o sacrifício inicial não é nada perto dos benefícios e prazeres que ela me proporciona.

Por isso, acredito que pensar dessa forma seria muito simplista e uma espécie de aposta no futuro, mas a corrida é o agora, o presente... Na verdade, a corrida é “o” presente! E é por isso que eu gosto de uma frase que diz mais ou menos assim: “Não corro por mais dias de vida, mas sim, por mais vida em meus dias” (autor desconhecido). E essa frase resume bem o que eu quero transmitir com esse texto.

Tudo bem, eu confesso... No início, ou seja, na transição que eu tive de fazer entre a caminhada e a corrida, houve momentos que eu pensei que ia “jogar os bofes pra fora”. Eu simplesmente não tinha o fôlego suficiente para correr mais de dois minutos seguidos. Eu corria um pouco, caminhava um “poucão”, tomava fôlego e voltava a trotar. Sim, foi um sacrifício gigantesco, mas posso afirmar que foi uma espécie de renascimento, tamanha é a diferença entre o caminhar e o correr.

Foi aí que eu descobri que ainda tinha um coração pulsando dentro dessa carcaça mal cuidada e, pasmem, descobri que ainda possuía aquele órgão responsável pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue, e que, gentilmente, elimina o dióxido de carbono do nosso corpo.

Mais conhecido como pulmão, nós, em geral, não o utilizamos corretamente nem na sua plenitude, e essa troca do piloto automático (ao qual estamos habituados) por uma respiração mais lenta e controlada, e o simples ato de prestar atenção ao ar que entra e sai do nosso corpo produz um efeito extraordinário em nossa saúde e em nosso bem-estar.

Mas esse “pequeno desconforto” inicial foi por um período tão curto que eu tive dificuldades para relembrar dos detalhes para elaborar esse texto. E é justamente durante essa transição que muitas pessoas desistem, e, por vezes, o fazem isso a poucos metros da linha de chegada, pois não têm noção de que a “chegada”, que está logo ali não é a chegada, mas sim o começo de tudo, o começo de uma nova vida. E é essa nova vida que eu quero compartilhar com você.

Pois, a partir do momento em que eu comecei a correr sem me esbaforir, sem sentir aquela incômoda “dor no lado”, sem ter que parar a cada vinte metros para “respirar”, sem achar que o meu coração iria saltar pela boca, eu pude começar a sentir o prazer da corrida correndo, literalmente, pelas minhas veias e por todas as células do meu corpo. E o suor que escorria por ele já não era mais o suor do sacrifício, mas sim o suor de um tipo de prazer que eu jamais imaginei que pudesse existir.

E esse líquido salgado expelido através da minha pele acaba representando a materialização do sopro da vida em sua forma mais radiante, refletindo a força e a sincronia de todos os órgãos do meu corpo em perfeita harmonia com a energia do universo.

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Postado por Isaac Rincaweski
28/11/2016 às 10h16

 
Cadê o meu dinheiro?

Existe um ditado que diz: “Quem paga mal, paga duas vezes”. Mas eu acredito que esse ditado está desatualizado, pois, na atual realidade da economia brasileira, quem paga mal está sujeito a pagar duas, três ou sei lá quantas vezes mais a mesma conta.

O cartão de crédito é um exemplo clássico dos efeitos maléficos que a cobrança de juros astronômicos pode causar em pouco tempo nas finanças de qualquer pessoa que caia na tentação (que atire a primeira pedra quem nunca...) de pagar o valor mínimo da sua fatura: “Ah, mas é só esse mês...”.

A crise atinge a todos em maior ou menor intensidade, mas o que vai definir isso é a capacidade de cada um em se adaptar o mais rapidamente possível a uma nova realidade.

É perfeitamente natural que se gaste mais em épocas de bonança, que, convenhamos, estão cada vez mais raras, mas essa mesma naturalidade não é verificada quando ocorre o efeito inverso.

Quem tem renda fixa (funcionário, por exemplo) só sente a crise de fato quando perde o emprego, considerando que mantenha os gastos sob controle, é claro. Já quem é profissional liberal e tem renda variável sente na pele a oscilação dos rendimentos, portanto, está mais vulnerável à montanha russa da economia. Por isso mesmo, tem a obrigação e a necessidade de cuidar ainda mais do aumento descontrolado dos gastos, que é sorrateiro, como um tigre à espreita da sua presa, e pode devastar suas finanças em apenas alguns meses de baixo rendimento.

Tenho notado um padrão naqueles que sofrem ainda mais a cada crise, que pode ser resumido em três pontos básicos:

1) Falta de controle nos gastos;
2) Falta de reserva financeira para gastos extraordinários;
3) Falta de poupança mínima para a época de vacas magras.

Não existe mágica para fazer dinheiro, assim como também não existe uma fórmula para fazer com que as nossas contas simplesmente desapareçam da nossa frente, mas há uma coisa que qualquer pessoa pode e deve fazer: adequar seus gastos à sua realidade financeira. O remédio é bem amargo, mas é a única saída.

O problema é que o corte dos gastos deve sempre envolver a família inteira, mas falar de finanças ainda é considerado um tabu entre muitos casais, sendo que essas falta de comunicação e transparência acabam criando percepções diferentes sobre o tamanho da crise e da real necessidade de se economizar. Num segundo momento, versam acerca de quais gastos deverão ser cortados.

Para agravar o problema, na maioria dos casos, as pessoas só procuram ajuda quando a situação está critica e, mesmo assim, para tratar somente dos efeitos, deixando as causas para depois, pois geralmente, nesse momento, já não existem mais despesas a serem cortadas... Tudo virou uma grande bola de neve!

Outra frase que ouço bastante por aí é: “Se a gente não fizer dívidas, não consegue comprar nada”. Essa frase até pode ter algum efeito prático para quem não consegue poupar ou quando você precisa adquirir algum bem extremamente necessário ao seu dia a dia ou ao seu trabalho, mas o recomendado é que se guarde o dinheiro para comprar à vista, sempre. E aqui vale o exemplo da compra de um carro: se você financiar um carro no valor de R$ 50.000,00 a uma taxa média de 2,50% ao mês, pagará 60 parcelas de R$ 1.617,67. Ou seja, ao final do contrato, você terá desembolsado o valor total de R$ 97.060,20 (quase duas vezes o valor do veículo!).

É claro que todos temos o sonho e a ambição de obter a maior renda mensal possível, que cubra todos os nossos gastos e desejos. Mesmo assim, independentemente do quanto você ganha, o que pode fazer a crise alcançá-lo é o quanto você gasta do seu salário e como o faz.

Portanto, fazendo uma nova adaptação ao ditado anterior, podemos afirmar que: Quem gasta mal, gasta duas vezes, ou mais.

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Postado por Isaac Rincaweski
31/10/2016 às 14h06

 
Para fugir da correria do dia a dia... Eu corro!

A corrida já é o segundo esporte mais praticado no Brasil, perdendo somente para o futebol.

Quando eu era criança e assistia à Corrida de São Silvestre, ficava fascinado com a resistência dos corredores que participavam daquela que é uma das mais tradicionais corridas de rua do Brasil e, jamais, nem em sonho, eu imaginei que um dia pudesse estar lá no meio daquele povo.

Confesso que ainda não consegui realizar meu sonho (que eu não ousava sonhar quando criança) de participar da Corrida de São Silvestre, mas agora já não mais pelo motivo daquela época (não ter resistência). Hoje eu sei que consigo, e isso faz toda diferença.

Corro regularmente há alguns anos e posso afirmar que nada se compara à participação de uma prova de rua. Atualmente, o pessoal da organização de corridas não tem mais o hábito de colocar música na hora da largada e, talvez seja por esse motivo que lembro com carinho de uma prova de que participei há alguns anos aqui em Blumenau/SC, onde foi tocada a música do Queen, “We Will Rock You”, que faz parte da trilha sonora do filme Coração de Cavaleiro. Foi de arrepiar! Hoje, cada vez que ouço essa música, eu me lembro daquela corrida.

E digo mais: como essa foi uma das primeiras provas de rua de que participei, o efeito positivo que me causou foi determinante para a consolidação desse esporte na minha vida e, principalmente, no prazer em participar de provas de rua.

Mas, independentemente da música, a sensação da largada é única. Existe uma energia tão forte naquele aglomerado de corpos, com todos os tipos de cheiros (suor, perfume, cânfora...) que temos a impressão de podermos correr sem parar por toda a eternidade...

No entanto, nos treinos do dia a dia, muitas vezes, quando eu retorno do trabalho para minha casa, não tenho a mínima vontade de sair para correr. E não me envergonho de dizer que isso acontece com bastante frequência, principalmente nos dias mais frios, quando o sofá ou a cama, fingindo-se de amigos querendo me abraçar, agem sorrateiramente em conluio com minhas fraquezas para sabotar os meus treinos.

Basicamente, minha rotina de treinos se inicia logo após o expediente no trabalho, às 17h30min, quando, chegando em casa, faço um lanchinho bem leve e dou uma espiada na rua, na esperança de que já esteja chovendo... Doce ilusão, por incrível que pareça, em 99% dos dias, nunca chove (exceção para o inverno deste ano, que está frio e chuvoso), e sou “obrigado” a sair para correr.

Obrigado e agradecido, pois bastam alguns minutos de corrida para esquecer a preguiça de sair de casa e começar a sentir os efeitos da endorfina invadindo meu corpo.

E esse efeito benéfico para o nosso bem-estar e para a nossa saúde, tanto física quanto mental, não advém somente dos efeitos da corrida, mas, sim, da prática de qualquer atividade física. Até mesmo uma singela caminhada contemplativa, num ritmo leve, mas constante, que lhe permita observar as paisagens, que é aquela caminhada sem compromisso, sem rumo, tem o mesmo poder, se praticada com regularidade.

O importante é estarmos em movimento e fazermos aquilo que nos dá prazer.

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Postado por Isaac Rincaweski
15/8/2016 às 13h52

 
A corrida por trás da corrida


Todo corredor tem suas manias, superstições ou rituais que segue antes de uma corrida (principalmente aqueles que dizem que não os têm...). No meu caso, o ritual já começa com o tempo que preciso para me preparar no dia da corrida: uma hora e meia, no mínimo, entre o acordar e o sair de casa. Pareço uma noiva se arrumando para o casamento!

Nesse tempo, tomo uma boa ducha, preparo um café reforçado (sem correria), vou ao banheiro (teve uma época que eu ia umas três vezes ao banheiro antes de sair de casa!), ponho minha roupa (que já foi devidamente organizada na noite anterior) e, enfim, estou pronto!

Uma das manias (se é que podemos chamar pontualidade de mania) que possuo é a de chegar com antecedência mínima de 30 minutos ao local da prova.

Mas, numa dessas provas, acabei me atrapalhando com o horário da largada e, ao invés dos costumeiros 30 minutos de antecedência, larguei com 5 minutos de atraso!

A corrida aconteceu na bela cidade de Florianópolis/SC. Pernoitei em Itapema, município que fica a mais ou menos 70 quilômetros de distância da ilha.

Acordei às 4h30 da manhã! Espiei pela janela do quarto e confirmei o que meu sono leve vinha denunciado há algum tempo: chuva!

Não era uma simples chuvinha... Parecia que havia estourado algum tipo de encanamento lá em cima!

Apesar de ter feito a inscrição e buscado o kit no dia anterior, deixei a decisão de participar ou não dessa prova quando lá estivesse, ou seja, momentos antes da largada (outro hábito antigo). Durante a viagem de mais ou menos 30 minutos, eu iria preparando-me psicologicamente.

Meu filho, que não iria correr a meia maratona naquela ocasião pois tinha outra prova importante dali há alguns dias, optou por fazer a prova de 10 km, portanto, estava bem tranquilo.

Como eu não tinha dormido bem naquela noite (devido à tal ansiedade pré-prova, que todo corredor conhece bem), acabei tirando um cochilo durante a viagem, acordando somente quando estávamos nas proximidades do local da largada. Nesse momento, a chuva já estava dando uma trégua e havia diminuído bastante.

Ainda estava escuro e estávamos a uns 500 metros do local da largada, indo por uma via paralela. Mas, para minha surpresa, quando olho pela janela do carro, vejo uma multidão de corredores vindo no sentido contrário. Olhei no relógio e ainda eram 07h, sendo que a largada deveria ser 7h30. Mas os corredores (5.000 naquela prova) não paravam de passar e aí, naquele momento, eu percebi que a prova havia começado “mais cedo” (eu ainda acreditava que a largada era às 7h30!).

Então, não pensei duas vezes: pedi para o meu filho parar o carro ali mesmo, atravessei o canteiro de grama que separava as duas pistas e comecei a correr contra o fluxo de pessoas até o local de largada. Mas antes eu precisava que fazer xixi, estava apertado (mais uma mania pré-prova).

Meu radar instintivo foi procurando um banheiro químico (sim, daqueles horrorosos). Por pura sorte, encontrei um bem próximo à largada, e não me intimidei quando vi a placa de “feminino” na porta. Era uma emergência. Aliviei-me e consegui passar pela largada com 5 minutos de atraso, sendo um dos últimos 5.000 participantes a largar.

Somente depois que eu já estava correndo é que caiu a ficha: eu nem tive tempo de pensar se iria ou não correr, simplesmente fui...

A partir daí, desapareceram todas as dúvidas e comecei a curtir a prova. Mesmo com o início atabalhoado, pegando um tráfego intenso de corredores mais lentos (não que eu seja muito rápido), eu consegui focar exclusivamente na corrida.

Foi uma corrida maravilhosa, de um dia cinza, frio e chuvoso, mas de uma luminosidade extraordinária. Consegui correr e contemplar a beleza da ilha de Floripa.

Concluí a corrida totalmente encharcado, com a alma literalmente lavada e feliz por não ter desistido. Logo após, sequei-me e troquei as roupas dentro do carro mesmo, tendo como cortina somente os vidros embaçados pelo calor do meu corpo. Não que tivesse muita coisa a esconder...

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Postado por Isaac Rincaweski
1/7/2016 às 08h35

 
Pedras que abrem caminhos

Eu sempre tive medo de cachorro, mas nunca deixei que esse medo fosse maior que a minha vontade de correr na rua.

No trajeto de corrida, que eu fazia nas redondezas de minha antiga casa, existe uma rua que, acredito, abrigue ainda hoje a maior concentração de cachorros por metro quadrado do universo.

Num dos trechos daquela rua, inclusive, algumas casas não tinham muro nem uma simples cerca que inibisse um pouco a vontade louca que eles tinham de arrebentar a mísera corrente que os mantinha longe de mim, amedrontando-me com seus latidos raivosos e beiços salivantes.

Essa “travessia” sempre me causava um grande estresse e, para me sentir um pouco mais seguro, quando eu me aproximava desse trecho da rua, começava a encher os bolsos do meu calção (vem dessa época o hábito que tenho de sempre comprar calções com bolsos) com armamentos pesados (pedras) de contra-ataque.

Felizmente, nunca fui atacado (e não precisei utilizar as minhas armas de destruição em massa), mas, em várias ocasiões, tive que fazer a minha melhor cara de mau e ameaçar com as minhas benditas pedras alguns cachorros mais afoitos, que estavam soltos no momento da minha passagem.

Na verdade, como eu já esperava por esses “ataques”, que, felizmente, nunca aconteceram, acabei criando certa camaradagem com a cachorrada daquela rua. Acredito que, com o tempo eles começaram a me respeitar um pouco, mas eu nunca baixei a guarda.

Ou seja, quando você espera e se prepara para esse tipo de situação, parece que fica mais fácil. O problema, eu percebo, é quando você não espera por isso e, principalmente, não tem nenhuma pedra no bolso!

E isso acontece a todo o momento, seja nos trajetos normais (com menos frequência, é claro), mas, principalmente, nos novos trajetos.

Sempre que viajo e visito algum lugar diferente, procuro incluir uma corrida pelos arredores do meu roteiro. E é aí que mora o perigo.

Já fui surpreendido por cães enormes (o meu padrão de cão enorme é qualquer um maior que um Pinscher) vindo ao meu encontro que, por sorte, eram dóceis. Mas, por precaução, sempre que vejo um cachorro “suspeito”, reduzo a velocidade da corrida e começo a caminhar, já procurando algo para me defender ou algum lugar para me esconder. Sou medroso mesmo!

Num desses temidos encontros, me deparei com um enorme Rottweiler. Na verdade, para meus olhos amedrontados, ele era gigante! Parecia um desses touros de rodeio.

A primeira coisa que fiz foi desviar o meu olhar. Eu gelei! Acredito que ele tinha acabado de fugir, pois é muito raro encontrar um cachorro daquele porte solto numa via tão movimentada como aquela. Por precaução, achei por bem não perguntar a ele.

Os instantes seguintes foram dignos de um filme de suspense. A partir daquele momento, meu instinto de preservação falou mais alto, e meu cérebro começou a arquitetar um plano de fuga e sobrevivência.

Ou seja, desviar a “rota de colisão” e me distanciar o quanto antes daquela “fera assassina”.

Imediatamente, atravessei a rua e, pasmem!, quase fui atropelado, pois não olhei para os lados. “Seria cômico, se não fosse trágico, preferir ser atropelado a ser atacado por um cachorro”, pensei, logo após o incidente.

Consegui escapar com vida, caso contrário, não estaria escrevendo esse texto, mas confesso que, apesar de não mais levar os meus armamentos pesados durante as corridas, sempre rola um estresse quando me deparo com algum cachorro solto na rua.

Em tempo, depois atravessar a rua e quase ser atropelado, continuei caminhando até atingir uma distância segura da fera assassina, quando me atrevi a olhar para trás. E o que vi foi um garotinho fazendo carinho na “fera” (que agora eu via que não era tão fera assim rs) e que, olhando com mais cuidado (sem medo) percebi que estava devidamente acompanhado de seu pequeno dono...

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Postado por Isaac Rincaweski
3/5/2016 às 11h12

 
Correndo por um banheiro

No início de minha “carreira” de corredor, uma das maiores preocupações era com a eventual possibilidade de eu ser acometido por alguma “disfunção intestinal” (vulgarmente conhecida por “diarreia”), que me obrigasse a procurar um banheiro ou, em último caso, um local discreto (atrás de uma moita, por exemplo) para resolver esse tipo de emergência.

Hoje eu sei que tal medo era mais psicológico do que real, pois, até há bem pouco tempo, antes de qualquer prova, eu “visitava” o banheiro, umas três vezes, no mínimo, antes de sair de casa.

Isso ficou bem evidente para mim no dia em que, apesar de ter feito todo o ritual pré-prova (as três idas ao banheiro) corretamente para participar de uma meia maratona, instantes antes da largada, após sentir algumas “contrações intestinais”, decidi arriscar uma visita a um banheiro químico, que até então eu só utilizava para fazer xixi. Mas, como era uma emergência...

Porém, quando fechei a porta da casinha do inferno e olhei para aquele buraco imundo, que parecia uma estação de tratamento de esgoto que havia acabado de ser explodida por um algum grupo terrorista, quase fui nocauteado e simplesmente travei.

Na verdade, aquilo não parecia ser somente uma estação de tratamento de esgoto: além dos “torpedos” de todos os tipos e tamanho, aquele local estava sendo habitado por outras criaturas estranhas, que pareciam ter saído das profundezas de algum ser de outro mundo. Como que por milagre, a minha suposta emergência intestinal desapareceu naquele exato momento. Como diriam os mais velhos, foi como “tirar com a mão”.

Depois do inferno de Dante, corri os 21 km sem nenhum problema e, depois daquele dia, nunca mais tive dores de barriga.
Entretanto, antes desse episódio, num dia de treino normal, o meu pior pesadelo realmente aconteceu.

Saí de casa para correr numa linda manhã de domingo, quando, no meio do trajeto, comecei a sentir leves cólicas, que foram aumentando até ficarem insuportáveis.

Eu sempre procuro levar algum dinheiro comigo, para o caso de precisar comprar água, mas, naquela época, esse era também o meu “seguro” para entrar em algum bar ou lanchonete com o pretexto de comprar algo e também poder utilizar o banheiro. No litoral, principalmente, é muito comum os bares e lanchonetes afixarem cartazes avisando que o banheiro é de uso exclusivo dos clientes.

Mas, naquele dia, por ser domingo de manhã, os poucos estabelecimentos comerciais que existiam estavam fechados. E, por azar, não encontrei nenhuma moita disponível!

A partir desse momento, comecei a correr mais desesperadamente e, já certo de que não conseguiria chegar a tempo a um banheiro, pois as cólicas eram cada vez mais fortes e vinham em intervalos cada vez menores. Comecei a pensar no pior, e em como voltaria pra casa, literalmente “cagado”, sem chamar muito a atenção das pessoas. Pois, das moscas, eu tenho certeza de que não me livraria.

O suor que escorria do meu rosto já não era mais do esforço da corrida, mas sim das terríveis dores intestinais. Passados uns 10 minutos (que equivaleram a 2 km) sem encontrar nenhum lugar apropriado, e sem conseguir raciocinar direito sobre qual direção seguir em busca de um banheiro, eis que avistei um posto de gasolina!

De imediato consegui identificar a localização do banheiro, mas, para meu desespero a porta estava trancada, com um aviso de que a chave estava na loja de conveniência.

Naquele momento, eu já tinha dificuldade até mesmo para caminhar. Arrastei-me até a loja e, acredito que pelo meu estado de desespero ou pela minha lamentável aparência (eu devia estar verde), a atendente adivinhou que eu estava à procura da chave do banheiro, pois ela já estava com a mão estendida em minha direção.

Em agradecimento, tive vontade de abraçá-la, pois ela havia acabado de me “tirar da merda”, literalmente, mas fiquei com medo de assustá-la e, pior, não conseguir chegar a tempo ao banheiro.

Nunca mais tive esse tipo de problema, mas, por precaução, no dia anterior às provas, procuro seguir a recomendação dos especialistas, não consumindo alimentos estranhos ao meu dia a dia.

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Postado por Isaac Rincaweski
12/2/2016 às 13h53

 
Correr é um exercício de humildade

A corrida é um dos exercícios mais democráticos que existem. Você não precisa ser sócio de um clube; não precisa gastar com equipamentos caríssimos; pode correr a qualquer hora do dia, e em qualquer lugar, bastando somente um bom par de tênis, e não necessariamente do mais caro.

Mas, para iniciar e evoluir no mundo da corrida, é preciso muita determinação, paciência e, principalmente, muita humildade.

Determinação, porque, no início, você estará forçando seu corpo a sair da zona de conforto, quando o repertório de desculpas para não sair de casa para correr é gigantesco: preguiça, chuva, frio, calor, compromissos, novela, horário, lesão, filhos, marido, esposa... Enfim, tudo vai conspirar contra essa sua ideia maluca de pôr um par de tênis e sair correndo feito um louco por aí.

Você precisa de paciência para entender que a sua evolução será lenta. Desde o aumento da velocidade até o aumento das distâncias percorridas, tudo deverá ser feito de forma lenta e gradual, para que o seu corpo se habitue a esse aumento de esforço, evitando, dessa forma, o surgimento de lesões que podem atrasar esse processo ou até mesmo obrigá-lo a desistir totalmente.

Por fim, humildade para entender que não existe idade para correr. Ou seja, numa prova, uma pessoa mais velha poderá correr bem mais rápido que você, dependendo do tempo e do volume de treino que cada um pratica.

Aconteceu comigo. A prova era a Meia Maratona do Bela Vista, na cidade de Gaspar — SC, numa manhã de domingo fria e chuvosa. Um ótimo dia para ficar na cama até mais tarde ou fazer qualquer outra coisa, exceto correr!

Já no local da largada, esperei até o último minuto para me livrar das roupas quentes e encarar aquela chuva fria. De shorts, camisa manga longa e mais uma camiseta por cima, encarei o desafio de correr os 21 km.

Sempre gostei dessa prova, que é praticamente no quintal da minha casa e sempre uma ótima oportunidade para reencontrar velhos amigos. E também por proporcionar uma excelente estrutura de apoio aos atletas, pois é organizada por um dos melhores clubes da região.

Mas, correr no frio, para mim, sempre foi um grande desafio. Minhas mãos demoram muito para aquecer, bem como meu corpo todo!

Eu já estava no sétimo quilômetro, dando o máximo de mim, quando um senhor magrinho, muito simpático, encosta no meu lado e começa a conversar. Sempre corro ouvindo música, mas, quando alguém puxa conversa, eu imediatamente tiro um dos fones de ouvido para poder dar atenção à pessoa.

Não lembro o nome dele, era de Jaraguá do Sul — SC, e acredito que conversamos por uns cinco minutos. Ele estava bastante animado com a possibilidade de pegar pódio nessa corrida, pois tinha acabado de completar 70 anos e sua categoria mudara. Não duvidei que pegasse, pois logo o veria desaparecer da minha frente.

Pior, além da idade, ele devia ter um desvio na coluna, pois corria um pouco inclinado para o lado esquerdo.

"Humilhado", eu até poderia ultrapassá-lo novamente, mas, conhecendo as minhas limitações, pois eu tinha recentemente incluído as meias maratonas em minha agenda, achei por bem continuar no meu ritmo. Acertei.

Logo acabei esquecendo esse episódio, pois o "velhinho" literalmente desapareceu da minha vista, da face da terra, quando, por volta do décimo oitavo quilometro, eis que o vejo à minha frente.

E aquela imagem, daquele senhor, magrinho, correndo tortinho, me deu o ânimo de que eu necessitava para continuar, pois àquela altura eu já estava bem cansado, e, por mais que a gente tente aceitar que esse tipo de situação é perfeitamente normal, nosso inconsciente não concorda assim tão facilmente.

Mesmo como ânimo renovado, tive que suar bastante para conseguir ultrapassá-lo. Não sei se ele conseguiu o pódio que buscava, mas eu posso afirmar que, para mim, ele já é um vencedor, pois, se eu chegar à sua idade, correndo com a mesma alegria e disposição, já estarei realizado.

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Postado por Isaac Rincaweski
1/10/2015 às 10h59

 
A sua aposentadoria já começou

Fico perplexo com o descuido da maioria das pessoas quando o assunto é a sua própria aposentadoria.

Quem trabalha com carteira assinada, está relativamente "protegido" pelo sistema previdenciário público e ainda possui uma pequena vantagem, quando comparado a um profissional autônomo, que precisa arcar sozinho com a sua contribuição, enquanto as empresas complementam a contribuição dos seus funcionários. Mas essa vantagem é passageira.

Passageira porque a expectativa de vida das pessoas está cada vez maior e, com o tempo e as regras pouco amigáveis para atualização do benefício de quem recebe acima de um salário mínimo, há uma grande defasagem desse valor ao longo dos anos, podendo chegar, em muitos casos, ao recebimento de apenas um salário mínimo mensal em pouco tempo. Você já deve ter visto isso acontecer com algum membro da sua família ou amigo.

Por ter de arcar sozinho com a sua contribuição, o profissional autônomo tem certa resistência em contribuir com a previdência, seja com um valor mais alto, seja sobre o valor mínimo.

Quando converso sobre isso com esses profissionais, ouço frases do tipo: "Ah, eu nunca vou me aposentar", ou "Vou ter que trabalhar a vida inteira mesmo", ou ainda "Não vou pagar carnê de INSS para 'eles' roubarem o meu dinheiro".

Esse tipo de comentário deixa bem claros tanto a falta de visão de longo prazo dessas pessoas como mostra também seu grau de descrença na aposentadoria pública.

O fato é que, realmente, não podemos depositar todas as nossas esperanças somente na aposentadoria oferecida pelo governo.

Mas isso não deveria ser determinante na sua decisão de se filiar ou não ao sistema previdenciário público, pois acredito que esse sistema ainda é extremamente interessante como uma das fontes de renda futura, nunca como única, pois, além de garantir uma renda vitalícia, há ainda a possibilidade de acesso a outros benefícios muito importantes, tais como: auxílio doença ou até mesmo a aposentadoria por invalidez, caso necessite, é claro.

Portanto, repito, além de contribuir para o sistema público, sugiro que você também pense em outras alternativas para a construção de um patrimônio capaz de lhe garantir uma renda complementar e uma vida mais tranquila na velhice.

Reconheço que o ato de poupar, investir e acumular riquezas nem sempre é bem compreendido pela maioria das pessoas, talvez por pressão da sociedade, que exige que você esteja sempre com roupas da moda; tenha o melhor carro; a melhor casa; os melhores móveis; frequente os melhores lugares... Tudo acaba causando um grande inchaço nas despesas fixas, inviabilizando a sua capacidade de poupar, ou até mesmo fazendo o efeito contrário, forçando-o a buscar empréstimos para cobrir as contas do mês.

Vejo também uma clara falta de percepção por parte das pessoas sobre o que é considerado ou não um investimento rentável, que, sem uma análise criteriosa, pode até de certa forma nos trazer um efeito negativo nas contas mensais, como a manutenção de uma casa, por exemplo. A casa onde moramos nem sempre pode ser considerada um bom investimento, pois dependendo do seu valor, de sua localização e de outros fatores, em alguns casos, seria mais interessante morar de aluguel, ou trocá-la por outra casa de menor valor, aplicando o excedente em outro tipo de investimento, que pode lhe oferecer um maior retorno.

Mas isso também deve ser feito com muito cuidado, pois quando o dinheiro está muito disponível, é sempre mais fácil fazer uso dele para outros fins que não seja exatamente um "investimento", e aí, quando você se der conta, já não tem mais nenhum investimento e, pior, está sem casa!

É claro que o aumento gradativo da nossa renda mensal ao longo da nossa carreira profissional nos estimula a procurarmos um maior conforto para a nossa vida, mas isso deve ser feito sempre respeitando um limite dos gastos que não interfira em nossa capacidade de continuar poupando regularmente.

O mais estranho é que, mesmo podendo "assistir" e "prever" o nosso futuro, simplesmente observando o que acontece com muitas pessoas idosas que vivem ao nosso redor, sendo obrigadas a sobreviver com a renda de um salário mínimo mensal; tendo que abrir mão de vários benefícios que possuíam durante a vida inteira, como planos de saúde, por exemplo, num momento em que mais precisam deles, ainda assim, não conseguimos nos sensibilizar sobre essa necessidade tão imprescindível para o nosso futuro, que é a formação de uma reserva que nos garanta uma boa aposentadoria.

Portanto, se você ainda não começou a se preocupar com seu futuro, sugiro que comece o quanto antes, pois o tempo é amigo dos que poupam, mas pode ser um inimigo cruel daqueles que negligenciam o cuidado com a vida que virá.

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Postado por Isaac Rincaweski
22/9/2015 às 09h03

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