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Sexta-feira, 9/6/2017
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Dia dos namorados

Não, que
exista o
amor,

mas o
casal é
que é
amoroso

Daí,
o brilho
de u'a
aliança
do que
se convencionara
chamar de
amor

Ele não
pré-existe

Ele se constitui
Ele se forma


Jamais se
conforma

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Postado por Metáforas do Zé
9/6/2017 às 10h21

 
Festival João Rock homenageia o nordeste

A festa deste ano trará palco dedicado à música nordestina

Crédito: I Hate Flash - Divulgação

Organizado e estabelecido desde 2002 na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo, o Festival João Rock, alcança a sua 16ª edição, no próximo sábado, dia 10, mantendo o mesmo foco e demonstrando vigor de inovar em alguns elementos dos festejos a cada ano.

Neste ano, o evento acontece no Parque Permanente de Exposições, com aproximadamente 230 mil metros quadrados, em que as 18 atrações, divididas em três palcos, se apresentam sem que a música cesse um instante, em mais de 10 horas seguidas de atrações musicais, de entretenimento e esportes radicais.

No palco principal, João Rock, as atrações acontecem no sistema ‘non stop’, sem pausas entre as atrações já esperadas pelo público cativo do festival como CPM 22, Capital Inicial, Nando Reis e O Rappa/, que já se apresentaram outras vezes neste mesmo palco, Humberto Gessinger, Emicida e convidados, assim como Armandinho em apresentação inédita. Além disso o palco tem como destaque a apresentação da cantora Pitty que retorna aos palcos após se dedicar à maternidade desde o nascimento da filha, em agosto passado.

O palco Fortalecendo a Cena, que estreou ano passado, que tem como mote apresentar bandas brasileiras novas com certo destaque, nessa edição traz bandas inéditas no João Rock: Medulla, Selvagens à Procura de Lei, 3030, Haikaiss e Cidade Verde Sounds.

A novidade do ano fica por conta da introdução do Palco Brasil na programação do Festival. Com a chamada edição Nordeste, o João Rock prestará uma homenagem àquela região do pais em que nasceram os artistas confirmados para a festa deste sábado: Zé Ramalho, Lenine, Nação Zumbi e Alceu Valença. Um dos organizadores do evento Marcelo Rocci afirma que “Com esta iniciativa o Festival quer mostrar a riqueza, a diversidade e a pluralidade da música brasileira”.

Mantendo a tradição, o concurso de bandas revelou quem fará o show de abertura no próximo sábado e o que houve foi mais uma novidade. De maneira totalmente incomum, a organização decidiu por um empate técnico entre as bandas Machete Bomb, de Curitiba, e NDK, de Jundiaí, que farão uma exibição em formato de inusitado na festa, no palco principal, tocando individualmente e depois juntas:

“Foi uma quebra total de protocolo e uma disputa bastante concorrida. A final foi de altíssimo nível e houve um empate técnico [...] Agora demos o desafio para os dois vencedores compartilharem o palco e promoverem uma parceria criativa, seguindo a tradição de encontros que acontece nos palcos do festival. Eles foram convidados a ensaiarem juntos, em um estúdio local, e criarem um show digno do palco João Rock”, comenta Marcelo Rocci, diretor artístico do festival e presidente do júri.


O Festival que se projeta a cada ano como um dos grandes do país, chega a mais uma celebração mantendo sua relevância. Não esquecendo também a solidariedade, como no ano passado, por exemplo, quando foram arrecadados mais de 13.385 kg de alimentos, gerados pelas pessoas que adquiriram o ingresso solidário, – o público total foi de mais de 50 mil – que foram doados para o Fundo Social de Solidariedade de Ribeirão Preto que distribuiu as doações entre as famílias necessitadas e entidades assistenciais, ato que se seguirá para este ano, pois em se tratando de João Rock, as boas práticas permanecem.

Vídeo oficial do último João Rock.

Festival João Rock
Data: 10 de junho de 2017
Local: Parque Permanente de Exposições de Ribeirão Preto
Palco João Rock: Banda Vencedora do Concurso de Bandas, CPM 22, O Rappa, Emicida e convidados, Armandinho, Humberto Gessinger, Nando Reis, Capital Inicial e Pitty
Palco Brasil – Edição Nordeste: Zé Ramalho, Lenine, Nação Zumbi e Alceu Valença
Palco Fortalecendo a Cena: Medulla, Selvagens a Procura de Lei, 3030, Haikaiss e Cidade Verde Sounds.


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Postado por Sobre as Artes, por Mauro Henrique
8/6/2017 às 17h27

 
A tirania dos segredos

Ouvi um velho sábio dizer que todos temos segredos.

Esse mesmo velho sábio afirma que nós, humanos, não sabemos guardar segredos.

Então fiquei um bocado de tempo analisando se eu tenho segredos guardados num canto da mente, trancado a sete chaves, repletos de senhas indecifráveis.

Segredos são solitários e singulares, concluí.

Não vou contar quase nada daquilo que me surgiu à mente, apenas deixo como pista o balançar de cabeça, de um lado para o outro, o riso fácil escapando de meus lábios e a lembrança que muitas vezes me surge em sonhos, a imagem trêmula, mas ainda real, tão assustadora que parece ter vida: um gavião pinhé montado no lombo de um boi, sem ser incomodado, passeando pelo pasto encharcado de lama, em torno dos capins das pontas secas, espalhados ao redor da Sapolândia, em meio aos quais nos escondíamos, um bando de guris descalços, armados de fundas, prontos para acertar à pedradas o gavião.

– É a sua vez! Gritou o menino mais velho, apontando o dedo para mim.

Ainda hoje sinto o cheiro da borracha esticada, o pedaço de pau em forma da letra ipsilon, envergando até não mais poder e o suor quente que da minha testa caía, inundando os olhos, cegando tudo ao redor e eu, que sempre fui ruim de mira, talvez por conta do anseio e das mãos trêmulas, acabei acertando bem no meio do peito do gavião pinhé, que caiu abatido e restaram os gritos de triunfo dos meus amigos, empolgados por ser aquela a primeira vez que eu fazia alguma coisa certa.

O barulho dos nossos pés amassando os gravetos secos estirados pelo caminho, se confundindo com os gritos da molecada em correria, ainda consigo ouvir com exatidão, bem como a dor nos pés a cada pisada em falso, nada se comparado à euforia do momento, o prazer inenarrável de ter abatido o gavião.

Mas quando cheguei perto, vi o sangue escorrer do peito do animal, debruçado, abraçado aos últimos suspiros, tentando voar, mas as asas não lhe obedeciam e eu tremi diante do sangue que escorria do seu peito, tentando controlar o choro que ameaçou escapar dos meus olhos.

O boi tentava reavivar o pássaro com as patas e aquela imagem me perseguiu durante muito tempo, até que alguém decifrou aos meus ouvidos o enigma: diferente daquilo que eu imaginava - uma incrível amizade entre bichos completamente diferentes - o gavião comia os carrapatos no lombo do boi, causando alívio.

O menino mais velho apontou novamente para mim: “deixe de ser marica, senão vou contar na escola que você é um chorão”.

Engoli todo o sentimento e me pus de pé diante dele, a lágrima transformada em ira, já armado pela recordação de pouco antes, quando ele, se divertindo do meu rosto de profundo espanto, revelou, sem meias palavras, que era mentira a história da cegonha, e para que eu nascesse, terríveis atitudes foram tomadas por meu pai e minha mãe enquanto todos dormiam, certamente numa noite tenebrosa de lua cheia, que se transformou em tempestade sem fim, até que fosse criada “a criatura feia e desengonçada” que eu era.

Esse mesmo menino mais velho foi testemunha da minha cara de medo quando as nuvens de chuva se formavam sobre nossas cabeças e o pavor que eu sentia a cada raio, a cada trovão.

Dias atrás reencontrei esse personagem dos meus tempos de infância, sentando no banco de um boteco, copo de conhaque ao alcance das mãos, agora um senhor grisalho, pouco mais velho que eu, porém aparentando bem mais; estava tudo ali, naquele olhar murcho, perdido num começo de catarata, mas que manteve a altivez ao me reconhecer e eu novamente esmoreci, fraqueza que aos poucos consegui dominar, já sabendo que dentro daquela mente desfilava meus tenebrosos segredos de infância: ele sabe que eu matei um gavião pinhé.

Sabe também que eu chorava por qualquer coisa.

Ele se levantou e partiu na minha direção, as pernas trêmulas, mas o mesmo rosto de superioridade.

Quando recebi o aceno sorrindo, devolvi, num gesto frio, sereno e indiferente, o resto de mágoa que guardei, sentimento que me vi liberto assim que meus passos seguiram adiante e ele ficou para trás, como se fosse aquele boi, sentindo a falta do gavião pinhé a lhe bicar os cantos do lombo.

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Postado por Blog de ANDRÉ LUIZ ALVEZ
8/6/2017 às 12h52

 
Umbrais

Dia desses,
ou noite
dessas
sonhei
com muitas
portas

Acordei
assustado
ao ver
que
amor
não tem
portas

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Postado por Metáforas do Zé
8/6/2017 às 05h50

 
O Corvo

Ao invés
do tradicional
tic-tac
o relógio
insiste
em:

não-sei
não-sei
não-sei...

As línguas
do tempo
ou um
relógio
literato

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Postado por Metáforas do Zé
7/6/2017 às 23h21

 
Seres abissais

Emoções são
matéria de
meus sonhos

E o breu,
matéria prima de
um fosfóreo
corpo de luz

Tão densa a
escuridão,
mais agudo
o corte
de seus raios.
Ácidos, acrílicos

Estrela cintilante
no vago universo

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Postado por Metáforas do Zé
7/6/2017 às 06h57

 
A máquina de guerra da Netflix e Brad Pitt


Reprodução


A mudança em curso da transmissão de conteúdo via streaming, em fluxo contínuo, certamente está transformando o modo de consumo de mensagens, especialmente em relação aos filmes, o que impacta, diretamente, o cinema. Mudou-se o gerenciamento; a guerra é outra.

War Machine, o filme estrelado por Brad Pitt, que estreou mundialmente no último dia 26 na Netflix, faz parte desses conteúdos que a nova tecnologia oferece. A novidade já ocupa, há algum tempo, as discussões em torno de um novo tipo de produção, difusão e consumo imagético.

Já em meados do Século 20, as pesquisas sobre a mídia assinalavam algumas questões que surgiam em relação às características do processo comunicacional massificado. Dentre esses estudos, Paul Lazarsfeld e Robert Merton publicariam, em 1948, seu clássico Comunicação de massa, gosto popular e ação social organizada.

Nesse trabalho, que fundamenta a chamada Teoria Funcionalista da Comunicação, Lazarsfeld e Merton apontam, como um dos problemas causados pela indústria midiática, uma certa tendência a uma “Disfunção narcotizante”.

O uso, por parte do receptor, dos meios de comunicação se daria a um nível secundário, “desempenho substitutivo. Acaba confundindo ‘conhecer’ os problemas do momento com ‘fazer’ algo a ‘seu’ respeito [...]. ‘Está’ preocupado. ‘Está’ informado. Tem todos os tipos de ideias em relação a qualquer coisa a ser feita. Após o jantar, depois de ouvir seus programas de rádio favoritos [o rádio ainda era o meio predominante] e da leitura do segundo jornal naquele dia, chegou a hora de dormir”.

Essas ideias, evidentemente, são, mesmo em seu aspecto geral, bastante conhecidas e serviram aos mais variados propósitos. Mas algumas questões, que se relacionam com esses temas, ainda podem ser colocadas diante da implementação dos novos mecanismos midiáticos, como o streaming.

Os estudos da teoria funcionalista se dão em outro momento. Não se poderia imaginar, por exemplo, que o espectador teria a possibilidade de escolher como, onde e quando ele realizaria o consumo das mensagens. Não se vislumbrava a ideia de que o consumidor não precisasse mais, passivamente, aguardar a mensagem a ser difundida. Era impensável, talvez, que o destinatário tivesse essa autonomia, nesse fluxo comunicacional, no momento de sua recepção.

Como falar de uma disfunção narcotizante nesse cenário? Ainda podemos nos referir a um público massificado e conformista que, agora, consome meios e mensagens em mídias múltiplas? Ainda podemos, com esses tipos de emissão na internet, que se misturam com outros meios de interação, falar de um consumo secundário, exclusivamente substitutivo?

Algumas teorias contemporâneas sobre a comunicação já indicam, há alguns anos, que temos que tratar essas modificações na produção midiática como um sinal de uma mudança estrutural dessa indústria e de seus efeitos.

Estamos diante de uma modificação que pode não significar uma desestabilização completa e sistemática da produção, difusão e consumo de grandes produtos imagéticos de alto custo e com grandes astros, mas que não pode ser ignorada.

Se não há hoje uma guerra de produtores, porque a produção desses artefatos é cada vez mais capaz de se adequar aos diversos meios, estamos diante de uma mudança do campo de batalha, de seus atores e cenários, não desprezível.



Em uma das cenas de War Machine, o general (o protagonista), solitário, antes de dormir, está deitado em sua cama. A câmera se aproxima, lentamente. O enquadramento nos mostra que ele lê um livro sobre gerenciamento. Ele suspira. Sabe que sua guerra está perdida.

Mas a máquina de guerra da Netflix, estrelada por Brad Pitt, não. É um dos capítulos dessa história. Como filme - sarcástico e irônico, sobre os bastidores políticos e midiáticos da presença norte-americana no Afeganistão; longe de ser um desastre; longe de ser um Dr. Fantástico (Stanley Kubrick, 1964) - talvez pouco importe.

O fato de ser uma grande produção, estrelada por um ícone do cinema atual (também produtor do filme) e não depender do retorno das bilheterias, marca muito mais o consumo de grandes produtos imagéticos nessa contemporaneidade, do que a história da estética cinematográfica.

Estratégias de guerra costumam ser lógicas. A guerra, talvez, não esteja declarada. Nesse ultimato, gerencia-se e adapta-se a produção; adapta-se e gerencia-se a estética.


Relivaldo Pinho é escritor, pesquisador e professor.


Texto publicado em O Liberal, 05 de junho de 2017, p. 2.

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Postado por Relivaldo Pinho
7/6/2017 à 00h03

 
In natura

Da resina
Betuminosa
Do desejo
Procuro,
Ainda que
Chamuscado
Extrair
Tão somente
O fino
Vapor de
Teu perfume

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Postado por Metáforas do Zé
6/6/2017 às 23h08

 
Orvalho

Hortelã
vespertina

Hálito
das
estrelas

O maná
do
poeta

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Postado por Metáforas do Zé
5/6/2017 às 09h26

 
Masmorra de cristal

Com
a
bússula
da
rima
vivo
enclausurado

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Postado por Metáforas do Zé
5/6/2017 às 09h18

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