A máquina de guerra da Netflix e Brad Pitt | Relivaldo Pinho

busca | avançada
16534 visitas/dia
829 mil/mês
Mais Recentes
>>> Dança de Santa Cruz e arte cigana são temas das Rodas em Conversa no Teatro do Incêndio em abril
>>> Mostra gratuita reúne obras de 14 artistas em Curitiba
>>> Livro reúne contos consagrados de João Carrascoza
>>> 'Os trabalhos da mão' traz parceria entre Alfredo Bosi e Nelson Cruz
>>> Exposição Malabaristas Urbanas de Carolina Saidenberg
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Nobel, novo romance de Jacques Fux
>>> De Middangeard à Terra Média
>>> Dos sentidos secretos de cada coisa
>>> O pai da menina morta, romance de Tiago Ferro
>>> Joan Brossa, inéditos em tradução
>>> Sebastião Rodrigues Maia, ou Maia, Tim Maia
>>> 40 anos sem Carpeaux
>>> Minha plantinha de estimação
>>> Corot em exposição
>>> Existem vários modos de vencer
Colunistas
Últimos Posts
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
>>> Psiu Poético em BH esta semana
>>> Existem vários modos de vencer
>>> Lauro Machado Coelho
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
Últimos Posts
>>> Desenhos a lápis na poesia de Oleg Almeida
>>> Eloquência
>>> Cenas do bar - Vladimir, o solteiro.
>>> Deu na primeira página...
>>> Palavra vício
>>> Premissas para reflexão
>>> Sem troco
>>> Libertarias
>>> A mandioca e o canário da terra
>>> Lua nova
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Algo em común
>>> Pedro Paulo de Sena Madureira
>>> Entrevista com Claudio Willer
>>> 22 de Abril #digestivo10anos
>>> A arapuca da poesia de Ana Marques
>>> 2010 e os meus álbuns musicais
>>> O Frankenstein de Mary Shelley
>>> Apresentação
>>> Macunaíma, de Mário de Andrade
>>> Taxi Driver 40 anos - um retrovisor do presente
Mais Recentes
>>> O Ajudante de Mentiroso
>>> Toulouse Lautrec miniguia de arte
>>> Farrapos de Lembranças
>>> Next
>>> A Expansão da Memória (Uma Sátira à Informática)
>>> O Jogo de Runas
>>> Escola Gaiola
>>> Poemas Seletos
>>> De volta à cabana
>>> O Guarda noturno da literatura brasileira vida e obra de Joaquim Osório Duque Estrada
>>> Saber Viver Pessoalmente Profissionalmente Financeiramente
>>> O feitiço da ilha do pavão
>>> Folhas da Fortuna
>>> Adube sua Carreira
>>> Marketing para negocios de sucesso Volume II
>>> O que os Ricos sabem e não contam
>>> Vai Fundo! O Guru das Midias Sociais Ensina a Ganhar Dinheiro Fazendo o que Voce Gosta
>>> Os Panzers da Morte
>>> Fissurar o Capitalismo
>>> Trauma - Condutas na abordagem inicial
>>> Cristo
>>> Os segredos de o simbolo perdido
>>> Hadoop:the Definitive Guide (inglês)
>>> Dieta Ortomolecular
>>> Tratado de Medicina Física e Reabilitação de Krusen Vol 2
>>> Tratado de Medicina Física e Reabilitação de Krusen Vol 1
>>> Dor nas costas
>>> Aspectos Biomecânicos - Cadeias Musculares e Articulares- Método GDS
>>> Exame da OAB Unificado. 1ª Fase
>>> Anatomia Funcional das Cadeias Musculares
>>> Os Doze Passos e as Doze Tradições
>>> Vivendo Sóbrio
>>> Pedra Bonita - Coleção Literatura Brasileira Contemporânea
>>> Pensão Riso da Noite - Coleção Literatura Brasileira Contemporânea
>>> Olhai os Lírios do Campo - Coleção Literatura Brasileira Contemporânea
>>> As Três Irmãs / Contos
>>> Estado de Sítio / o Estrangeiro
>>> Dicionário de Milagres
>>> Minha Fama de Mau
>>> Só É Gordo Quem Quer
>>> Feliz Aniversário - o Poder dos Dias, Estrelas e Números na Sua Vida
>>> Serafim Ponte Grande - Coleção Grandes da Literatura Brasileira
>>> Macunaíma - Coleção os Grandes da Literatura Brasileira
>>> O Fio da Navalha
>>> Os Mandarins - Volume Único
>>> História de Pobres Amantes
>>> Clarissa
>>> A Bagaceira - Coleção os Grandes da Literatura Brasileira
>>> O Guarani - Coleção Grandes da Literatura Brasileira
>>> Nhá Chica - Perfume de Rosa: Vida de Francisca de Paula de Jesus
BLOGS >>> Posts

Quarta-feira, 7/6/2017
A máquina de guerra da Netflix e Brad Pitt
Relivaldo Pinho

+ de 800 Acessos


Reprodução


A mudança em curso da transmissão de conteúdo via streaming, em fluxo contínuo, certamente está transformando o modo de consumo de mensagens, especialmente em relação aos filmes, o que impacta, diretamente, o cinema. Mudou-se o gerenciamento; a guerra é outra.

War Machine, o filme estrelado por Brad Pitt, que estreou mundialmente no último dia 26 na Netflix, faz parte desses conteúdos que a nova tecnologia oferece. A novidade já ocupa, há algum tempo, as discussões em torno de um novo tipo de produção, difusão e consumo imagético.

Já em meados do Século 20, as pesquisas sobre a mídia assinalavam algumas questões que surgiam em relação às características do processo comunicacional massificado. Dentre esses estudos, Paul Lazarsfeld e Robert Merton publicariam, em 1948, seu clássico Comunicação de massa, gosto popular e ação social organizada.

Nesse trabalho, que fundamenta a chamada Teoria Funcionalista da Comunicação, Lazarsfeld e Merton apontam, como um dos problemas causados pela indústria midiática, uma certa tendência a uma “Disfunção narcotizante”.

O uso, por parte do receptor, dos meios de comunicação se daria a um nível secundário, “desempenho substitutivo. Acaba confundindo ‘conhecer’ os problemas do momento com ‘fazer’ algo a ‘seu’ respeito [...]. ‘Está’ preocupado. ‘Está’ informado. Tem todos os tipos de ideias em relação a qualquer coisa a ser feita. Após o jantar, depois de ouvir seus programas de rádio favoritos [o rádio ainda era o meio predominante] e da leitura do segundo jornal naquele dia, chegou a hora de dormir”.

Essas ideias, evidentemente, são, mesmo em seu aspecto geral, bastante conhecidas e serviram aos mais variados propósitos. Mas algumas questões, que se relacionam com esses temas, ainda podem ser colocadas diante da implementação dos novos mecanismos midiáticos, como o streaming.

Os estudos da teoria funcionalista se dão em outro momento. Não se poderia imaginar, por exemplo, que o espectador teria a possibilidade de escolher como, onde e quando ele realizaria o consumo das mensagens. Não se vislumbrava a ideia de que o consumidor não precisasse mais, passivamente, aguardar a mensagem a ser difundida. Era impensável, talvez, que o destinatário tivesse essa autonomia, nesse fluxo comunicacional, no momento de sua recepção.

Como falar de uma disfunção narcotizante nesse cenário? Ainda podemos nos referir a um público massificado e conformista que, agora, consome meios e mensagens em mídias múltiplas? Ainda podemos, com esses tipos de emissão na internet, que se misturam com outros meios de interação, falar de um consumo secundário, exclusivamente substitutivo?

Algumas teorias contemporâneas sobre a comunicação já indicam, há alguns anos, que temos que tratar essas modificações na produção midiática como um sinal de uma mudança estrutural dessa indústria e de seus efeitos.

Estamos diante de uma modificação que pode não significar uma desestabilização completa e sistemática da produção, difusão e consumo de grandes produtos imagéticos de alto custo e com grandes astros, mas que não pode ser ignorada.

Se não há hoje uma guerra de produtores, porque a produção desses artefatos é cada vez mais capaz de se adequar aos diversos meios, estamos diante de uma mudança do campo de batalha, de seus atores e cenários, não desprezível.



Em uma das cenas de War Machine, o general (o protagonista), solitário, antes de dormir, está deitado em sua cama. A câmera se aproxima, lentamente. O enquadramento nos mostra que ele lê um livro sobre gerenciamento. Ele suspira. Sabe que sua guerra está perdida.

Mas a máquina de guerra da Netflix, estrelada por Brad Pitt, não. É um dos capítulos dessa história. Como filme - sarcástico e irônico, sobre os bastidores políticos e midiáticos da presença norte-americana no Afeganistão; longe de ser um desastre; longe de ser um Dr. Fantástico (Stanley Kubrick, 1964) - talvez pouco importe.

O fato de ser uma grande produção, estrelada por um ícone do cinema atual (também produtor do filme) e não depender do retorno das bilheterias, marca muito mais o consumo de grandes produtos imagéticos nessa contemporaneidade, do que a história da estética cinematográfica.

Estratégias de guerra costumam ser lógicas. A guerra, talvez, não esteja declarada. Nesse ultimato, gerencia-se e adapta-se a produção; adapta-se e gerencia-se a estética.


Relivaldo Pinho é escritor, pesquisador e professor.


Texto publicado em O Liberal, 05 de junho de 2017, p. 2.


Postado por Relivaldo Pinho
Em 7/6/2017 à 00h03


Mais Relivaldo Pinho
Mais Digestivo Blogs
Ative seu Blog no Digestivo Cultural!

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




TOCA - LIVRO N. 08 - LEITURA PARA GENTE PEQUENA QUE PENSA GRANDE
VÁRIOS AUTORES
MAGIA DE LER
(2011)
R$ 5,00



A ÉTICA DA MALANDRAGEM, NO SUBMUNDO DO CONGRESSO NACIONAL
LUCIO VAZ
GERAÇÃO EDITORIAL
(2005)
R$ 17,00



PARA GOSTAR DE LER - VOLUME 5 - CRÔNICAS
CARLOS D. DE ANDRADE - FERNANDO SABINO / OUTR
ÁTICA
(1980)
R$ 8,90



ONDE ESTÃO AS CRIANÇAS?
MARY HIGGINS CLARK
CÍRCULO DO LIVRO
(1992)
R$ 4,90



A MÁGICA DE PENSAR GRANDE
DAVID J. SCHWARTZ
PRO NET
(1994)
R$ 16,00



SUA EXCELÊNCIA O CHAMPANHA
MAURO CORTE REAL
SULINA
(1981)
R$ 8,99



DAI-ME DOIS BOMBARDEIROS...
RAUL FOLLEREAU
ORDEM DA CARIDADE
R$ 63,27



OS PENSADORES LEIBNIZ
OS PENSADORES - LEIBNIZ
NOVA CULTURAL
(1996)
R$ 3,90



ENTENDENDO A MORTE
HOWARD MURPHET
PENSAMENTO
(1998)
R$ 8,00



TAPACURÁ - VIAGEM AO PLANETA DOS BOATOS
HOMERO FONSECA
CEPE - PE
(2011)
R$ 13,90
+ frete grátis





busca | avançada
16534 visitas/dia
829 mil/mês