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Quarta-feira, 20/9/2017
O indomável Don Giovanni
Relivaldo Pinho

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Cena do Jantar, Don Giovanni (Homero Velho). Fonte: SECULT-PA


A primeira experiência arrebatadora ao se assistir à Don Giovanni é a exposição temática introduzida por Mozart que nos anuncia a vida romântica, intensa e trágica do conquistador. A sensação é de que entraremos em um mundo não apenas fantasioso, de máscaras e capas, mas em uma espiral que, incessante e inevitavelmente, empurra o destino e a vida.

Na apresentação realizada no XVI Festival de Ópera do Theatro da Paz, esse mergulho vertiginoso, aliado especialmente à atuação memorável dos cantores, novamente se apresenta em toda sua dramaticidade. O que dá essa sensação pulsante a essa obra, encenada há 230 anos, ainda hoje?

Em grande parte, é justamente sua qualidade estética. É a música de Mozart marcando e acentuando o drama; tornando-o jocoso quando assim deve ser na personalidade de Leporello (em Belém, na interpretação e no canto contagiantes de Silverio De La O). Mas é também na temática que se relaciona com alguns dos nossos mais caros sentimentos e com as formas pelas quais eles se nos conduzem (empurram).

Bernard Shaw, o dramaturgo irlandês, escreveria em seu prefácio para sua peça Homem e super-homem (1903) que “filosoficamente, Don Juan [o arquétipo de Don Giovanni] é um homem que, embora suficientemente bem-dotado para saber distinguir com excepcional clareza entre o bem e o mal, segue seus próprios instintos sem nenhuma consideração pelas leis costumeiras, estatutárias ou canônicas. E assim, ao mesmo tempo em que ganha a ardente simpatia dos nossos instintos rebeldes (que se envaidecem com o brilho com que Don Juan os conjuga), coloca-se em conflito mortal com as instituições existente e defende-se à custa de fraudes e do uso da força, da mesma maneira inescrupulosa com que um fazendeiro defende suas plantações contra as pragas”.

Inalienável da temática da sedução, o destino cavalga em/com Don Giovanni (Homero Velho, em exemplar atuação no da Paz) e impele à conquista e, principalmente, à conquista de si. Estamos na constelação psicanalítica da sedução, segundo interpretação de Renato Mezan (A sombra de Don Juan e outros ensaios) a respeito do galanteador e de sua idealização narcísica. “O aspecto mais crucial da sedução, segundo Laplanche, é que ela veicula significações inconscientes para o próprio sedutor, significações estas que vão impor ao seduzido um trabalho de simbolização e repressão. Ora, não é o que ocorre com Don Juan, que acredita amar as mulheres, quando na verdade ama apenas a si mesmo?”.


Donna Elvira (Kézia Andrade) e Leporello (Silverio De La O). Fonte: SECULT-PA

Donna Elvira faz o par ideal para os excessos e as faltas que compartilha com e para seu amado. Ficamos com a impressão, na ária em que ela se pune por amá-lo tanto (no canto comovente, que ainda hoje a melodia ecoa, da soprano Kézia Andrade), que aquilo, de algum modo, nos atravessa. Ela, como seu amante, está condenada a esse destino indomável. Luta contra ele, mas ela é como Don Juan, que mergulha em sua angústia, em “seu ritmo dionisíaco infernal” e isso é “tanto uma corrida ‘para’ quanto uma fuga ‘de’”. Tanto um mergulho para o deleite que exalta as mulheres e o bom vinho, quanto um artifício para sua incontrolável incompletude (libido).

É o mesmo páthos que impulsiona o conquistador a atacar e se defender, inescrupulosamente, dessas “pragas”; é o que gera em nós a empatia juvenil da rebeldia que cria sua própria ruína.

Mas nós, durante o espetáculo, também ficamos encantados com essa crisálida que no humano habita. Repudiamos e torcemos pelo libertino. Parece quase – e esse quase é decisivo para a fruição – inacreditável seu ataque à “boa” Zerlina (Dhuly Contente) e sua dissimulação para com o valoroso Masetto (Idaías Souto). Mas sua fantasia é tão bem construída que, na cena em que ele lhe faz juras de amor (“Là ci darem la mano!” – “Lá nos daremos as mãos!”), de repente, esquecemos tratar-se de mais uma ilusão, e olhamos nos olhos dele e ele, realmente, parece acreditar no que diz. E, de fato, em certo sentido, acredita. O que para nós pode parecer uma ilusão, para ele é, sempre, necessariamente, fantasia.

Talvez por isso ele, ao final, enfune o peito, encarando a morte, ao desafiar a estátua do Commendatore (Anderson Barbosa). A estátua instila nele uma dor tão grande que ele parece, pela primeira vez, ter visto algo “incontestavelmente” como realmente é. Ao apertar a mão gélida e se negar a mudar de vida, sua fantasmática prova de realidade é incapaz de modificá-lo. Ele grita: não! Negando-se, ele desce ao inferno, desaparecendo. Abrindo nossos olhos e fechando nossa cortina.


Relivaldo Pinho é pesquisador e professor.


Texto publicado em O Liberal, 20 de setembro de 2017, p. 2.


Postado por Relivaldo Pinho
Em 20/9/2017 às 19h13


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