Você já atualizou sua história hoje? | Relivaldo Pinho

busca | avançada
24651 visitas/dia
954 mil/mês
Mais Recentes
>>> 36Linhas lança Graphic Films Collection
>>> Em novo dia e horário, Trilha de Letras presta tributo a Darcy Ribeiro
>>> Teatro do Incêndio é indicado ao Prêmio Governador do Estado
>>> Nathalia Timberg é homenageada no Recordar é TV desta terça (20)
>>> Premiado drama russo "Tigre Branco" marca estreia da nova faixa de filmes da TV Brasil
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O Digestivo e o texto do Francisco Escorsim
>>> Piada pronta
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. Epílogo. Ambaíba
>>> Claudio Willer e a poesia em transe
>>> Paul Ricoeur e a leitura
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 12. Rumo ao Planalto
>>> Dilúvio, de Gerald Thomas
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 11. A Quatro Braçadas
>>> Crônica de Aniversário
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 10. O Gerador de Luz
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lauro Machado Coelho
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
Últimos Posts
>>> Cidadão de 2ª Classe - Você se Reconhece Como Um?
>>> Espectros
>>> Bojador
>>> Inversões
>>> Estado alterado
>>> Templo
>>> Divagações
>>> Convicto
>>> Ação e reação
>>> Fio de Eros IV
Blogueiros
Mais Recentes
>>> No Tungcast reloaded
>>> Van Halen Live Without A Net
>>> A arte de se vender
>>> The Accidental Billionaires
>>> Amores serão sempre amáveis
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 9. Um Cacho de Banana
>>> Discos que me mudaram
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Ensaio sobre a Cegueira, por Fernando Meirelles
>>> ConaLit
Mais Recentes
>>> Paul McCartney - Uma Vida
>>> Ed Mort - Procurando o Silva
>>> O livro de Aron
>>> Robinson Crusoe
>>> A Resposta do Sucesso Está em Suas Mãos
>>> Teatro de Rua
>>> O Imperador-Deus de Duna (Livro 4)
>>> Frankenstein
>>> Tênis - Técnicas e táticas de jogo
>>> Japa e a Lenda dos Koinobori
>>> A Cidade Perdida de Marte/ I Sing the Body Electric
>>> Profissão: Jovem
>>> Sujeito Dagoberto
>>> As Máquinas do Prazer
>>> Matemática, uma Breve História - Vol. II
>>> Casais Inteligentes Enriquecem Juntos
>>> O Significado da Vida - Superando Obstáculos e Valorizando a Vida
>>> Devocional para Casais - Reflexões para uma Vida a Dois
>>> Australia Through Time - 2006 Edition
>>> Australia Sport Through Time - 2006 Edition
>>> Física 3ª Série - Coleção Quanta
>>> Física 3 - Ensino Médio - Manual do Professor
>>> Compreendendo a Física 2 - Ondas Óptica e Termodinâmica
>>> Física 2 - Interação e Tecnologia - Manual do Professor
>>> Física - 2ª Série - Coleção Quanta
>>> Física 1 - Mecânica - Manual do Professor
>>> Gramática da Língua Portuguesa - Nova Edição
>>> Matemática - 3ª Série - Coleção Porta Aberta
>>> A Conquista da Matemática - 4º Ano
>>> A Conquista da Matemática Teoria e Aplicação - 8ª Série
>>> Matemática - 6ª Série - 1º Grau
>>> Matemática - 8ª Série - 1º Grau
>>> Os Últimos Mistérios do Mundo
>>> Fotobiografia
>>> A Roda da Vida
>>> Seis Lições para os meus Filhos
>>> Iansã do Balé - Senhora dos Eguns
>>> O Efeito Sombra
>>> Atendimento ao Público nas Organizações
>>> O Beijo das Sombras - Academia de Vampiros 1
>>> Peça-me o que Quiser
>>> Para Sempre Sua
>>> Profundamente Sua
>>> Toda Sua
>>> Encontro com Teilhard de Chardin e a Evolução das Religiões
>>> Os Bichos que Tive ( Memórias Zoológicas )
>>> Um mil novecentos e oitenta e quatro ( 1984)
>>> O Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda
>>> Como Resolver Conflitos- A Causa da Supressão- 2 volumes
>>> Aritmética da Emília - edição comentada
BLOGS >>> Posts

Quinta-feira, 18/1/2018
Você já atualizou sua história hoje?
Relivaldo Pinho

+ de 100 Acessos


Reprodução


Uma das coisas que nos empurram para a imediatez de nossa vida ciberespacial contemporânea é a necessidade imperiosa de nossa atualização da vida em bytes. É preciso contar nossa história permanentemente; agora ela pode ser feita de todos os tipos de fatos. Um sorvete, torna-se um obelisco; uma planta, jardins suspensos. A timeline comporta de tudo e nós preenchemos nossas narrativas para fazermos parte de alguma história. Você já atualizou sua história hoje?

Em um texto inédito, escrevi sobre a interpretação do célebre ensaísta norte-americano Edmund Wilson (1895-1972) a respeito de sua singular e brilhante análise do espaço e, principalmente, do tempo no seu ensaio sobre a obra de Proust (O castelo de Axel: estudo sobre a literatura imaginativa de 1870 a 1930).

Wilson relaciona a metafísica de Bergson , o princípio da relatividade de Einstein à literatura simbolista e abre uma fenda interpretativa para pensarmos essas outras dimensões da memória, da narrativa e do tempo hoje. Calma. Parece um papo cabeça demais. Talvez seja. Mas não é instransponível.

O crítico retoma a ideia de que nossas observações são relativas porque dependem de nossa localização e de nossa velocidade de deslocamento ( é o famoso exemplo do trem e dos raios, de Einstein). Para a escrita simbolista a narrativa e a percepção dos personagens do mundo se dariam de modo semelhante; dependeriam de quem observa, de onde e em que situação se encontram.

No mundo proustiano ocorreria análoga percepção. O mundo que o personagem antes conhecera, mudara em espaço e tempo, “diverso e são tão irrecuperáveis quanto os momentos de tempo em que tiveram sua única existência”. A lição é: a história não se “recupera”; fatos e personagens adquirem um caráter único, de irrepetibilidade.

Como na relatividade e na duração (durée) de Bergson o não se repetir garante, de certo modo, sempre um caráter do novo, ou como aquilo que surge de modo único. O amor e os personagens em Proust tentam ser recuperados, mas a palavra correta talvez seja reencontrados, exatamente porque são únicos – como raios – e duram, irrepetíveis, como suas sensações.

Poderíamos dizer isso sobre nossas histórias que passam em nossas telas que descrevem uma paisagem que julgamos apolínea, ou um pedaço de pizza que se julga ser uma ambrosia? Ou a foto do cão, cujo nome é Cão; e do filho, cujo nome é Enzo?

Não se está fazendo uma comparação aristocrática do modo de uso dessas tecnologias – é sempre obrigado avisar isso aqui –, mas está se atentando para como nossas histórias, narrativas e memórias são, de certa forma, feitas em horas, minutos, segundos. Nossa narrativa “desce” em imagens e histórias. A timeline desenrola-se como nosso papiro do agora.

As histórias podem parecer sempre novidade, mas seu caráter do mesmo cai – um raio nunca cai, não dizemos? – quase sempre no mesmo lugar. Fatos e personagens, tempos e narrativas, memórias e lembranças podem surgir, clareando o agora.

Surgem iluminando-nos como a novidade que, em “efeito bumerangue”, se repetem. Como gifs que, no mesmo movimento, duram (durée às avessas) eternamente.



Existiriam alguns aspectos que, nessa órbita, do Eu que se quer história, narrativa, capazes de, nas fendas temporais nos conduzissem a percepções, talvez com menos “fantasia”, mas com o fantástico do que se reencontra, mas não se repete? Seríamos inescapáveis de atualizar nossas vidas em horas, nossas horas nas mesmas imagens, nossas imagens em durações de nós mesmos?

A novidade do fenômeno das mais novas tecnologias nos impede de dar respostas definitivas. Mas, ao mesmo tempo, sim, somos capazes ainda, contraditoriamente – acredito – de recontar histórias através de nossas próprias, elas ainda podem ser exemplares, elas ainda podem suscitar um personagem que pode surgir outro, uma cidade que (re)vemos, uma cena que permaneça, nem que seja por um tempo do agora, que ilumine, repentinamente, nossa percepção.

Talvez essa seja uma visão otimista demais para uma realidade que, de modo inédito, nos elege como Heródotos e, principalmente, Homeros de nós mesmos. Nesse declamar de algoritmos, o sistema pergunta: “no que você está pensando?” Ansiamos por responder. Então ele inquire: “você não atualiza sua história há horas”. Sentimo-nos fora da linha temporal.

Talvez, em nossos papiros cibernéticos, jamais seremos, como Ulisses no episódio do ciclope, capazes de dizer “meu nome é ninguém”.

Você já atualizou sua história hoje?


Texto publicado em O Liberal, 28 de dezembro 2017, p. 02. E em: Relivaldo Pinho


Postado por Relivaldo Pinho
Em 18/1/2018 às 03h34


Mais Relivaldo Pinho
Mais Digestivo Blogs
Ative seu Blog no Digestivo Cultural!

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




NORMAS PRÁTICAS PARA A INTERPRETAÇÃO DO MAPA ASTRAL
STEPHEN ARROYO
PENSAMENTO
(1997)
R$ 25,99



A MENTE NA PSICOLOGIA BUDISTA
HERBERT V. GUENTHER E LESLIE S. KAWAMURA (TRADUTORES)
CULTRIX
(1990)
R$ 28,30



LEILA A FILHA DE CHARLES
DENISE CORRÊA DE MACEDO - ESPÍRITO ARNOLD DE NUMIERS
EME
(2016)
R$ 28,40



AS DAMAS DO VENTO
BERNARD GIRAUDEAU
RECORD
(2008)
R$ 10,00



VENDO CRISTO NO NOVO TESTAMENTO VOL 4 E 5
STEPHEN KAUNG
TESOURO ABERTO
(2009)
R$ 34,00



SACO & VANZETTI (A HISTÓRIA DE DOIS IMIGRANTES ITALIANOS CONDENADOS À MORTE) - HOWARD FAST
HOWARD FAST
EDIÇÕES BESTBOLSO
(2009)
R$ 6,00



A CIDADE E A INFÂNCIA
JOSE LUANDINO VIEIRA
COMPANHIA DAS LETRAS
(2018)
R$ 29,00



LIVRO DE RESPOSTAS - 3ª EDIÇÃO
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER DITADO POR EMMANUEL
CEU
(1980)
R$ 6,00



O PASTOR
FREDERICK FORSYTH
CÍRCULO DO LIVRO
(1995)
R$ 6,00



NUANCES DA MEMÓRIA
BETE GIACOMINI
LITERALIS
(2004)
R$ 10,00





busca | avançada
24651 visitas/dia
954 mil/mês